FISHBONE RETORNA A SÃO PAULO COM SHOW QUE MISTURA PUNK, SKA E FUNK

Banda norte-americana se apresenta no Fabrique Club em 31 de outubro, acompanhada pela paulistana Maga Rude, em show que também marca a divulgação do álbum Stockholm Syndrome.
Fishbone volta a São Paulo com show no Fabrique Club

O Fishbone está de volta a São Paulo para uma apresentação no próximo sábado, 31 de outubro, no Fabrique Club, na Barra Funda. Conhecido por misturar punk, ska, funk, soul e rock pesado, o grupo norte-americano chega à capital paulista com um repertório que atravessa diferentes fases de sua carreira. Organizado pela Maraty, o evento também contará com a participação da banda feminina de ska Maga Rude, responsável pela abertura da noite. A apresentação acontece em meio à divulgação de Stockholm Syndrome, álbum lançado em 2025 que encerrou um longo intervalo sem discos completos de estúdio.

Formado em Los Angeles no final dos anos 1970, o Fishbone conquistou espaço na cena alternativa por desenvolver uma sonoridade pouco convencional para os padrões da época. Com instrumentos de sopro, linhas de baixo marcantes, guitarras distorcidas e letras de conteúdo social, a banda construiu uma identidade reconhecida por artistas de diferentes estilos. Embora nunca tenha alcançado o mesmo sucesso comercial de alguns contemporâneos, sua influência permanece presente na história do rock alternativo norte-americano, especialmente entre músicos que exploram a combinação de gêneros e a liberdade criativa.

Uma influência duradoura

A história do Fishbone está diretamente ligada à transformação da cena musical de Los Angeles durante os anos 1980. Naquele período, o grupo compartilhava espaços e apresentações com o Red Hot Chili Peppers, que também experimentava a aproximação entre funk, punk e rock. As duas formações desenvolveram uma relação próxima e chegaram a excursionar juntas, contribuindo para estabelecer uma linguagem musical que posteriormente ganharia maior visibilidade no mercado internacional.

Essa influência também alcançou bandas como No Doubt, Sublime e Primus, que encontraram caminhos próprios para trabalhar elementos de diferentes tradições musicais. O reconhecimento apareceu inclusive em homenagens posteriores, como a regravação de “Date Rape”, originalmente lançada pelo Sublime. Questlove, baterista do The Roots, chegou a definir o Fishbone como a maior banda que o mundo ignorou, comentário que sintetiza o contraste entre sua importância artística e sua projeção comercial.

Parte dessa trajetória pode ser compreendida pela maneira como o grupo enfrentou as expectativas da indústria fonográfica. Enquanto gravadoras frequentemente organizavam seus catálogos em categorias bem delimitadas, o Fishbone transitava entre ritmos associados a públicos distintos. Essa postura dificultava classificações comerciais, mas permitia apresentações imprevisíveis, nas quais passagens dançantes conviviam com momentos agressivos e mudanças constantes de andamento.

O documentário Everyday Sunshine: The Story of Fishbone, lançado em 2010, recupera justamente essas contradições. A produção aborda conflitos internos, dificuldades profissionais e o reconhecimento conquistado entre outros músicos. Também apresenta uma perspectiva sobre os obstáculos enfrentados por uma banda formada por artistas negros em um circuito de rock frequentemente marcado por divisões raciais e comerciais.

Com mais de quatro décadas de história, o Fishbone segue explorando sua mistura de punk, ska e funk com crítica social. (Foto: Justin Hammer Photography)

Novo álbum e crítica social

O retorno ao Brasil acontece depois do lançamento de Stockholm Syndrome, disponibilizado em 27 de junho de 2025. Considerado o nono álbum de estúdio do Fishbone, o trabalho representou o primeiro registro completo de inéditas em mais de duas décadas. As composições retomam características presentes na discografia do grupo, incluindo arranjos movimentados, mudanças rítmicas e letras que observam questões políticas e comportamentais da sociedade contemporânea.

Entre as músicas apresentadas antes do lançamento está “Racist Piece of Shit”, também identificada como “RxPxOxS”. Divulgada em novembro de 2024, a faixa aborda o racismo e suas consequências sociais, mantendo o posicionamento crítico presente em diferentes momentos da carreira da banda. Sobre a composição, Christopher Dowd afirma que “a música é um alerta para que a humanidade reconheça o ponto de ruptura que está dilacerando a alma deste país e do mundo”.

Outra faixa relevante é “Last Call in America”, escrita por Christopher Dowd e Walter “Dirty Walt” Kibby, integrantes originais do Fishbone. A canção discute dificuldades econômicas e tensões sociais nos Estados Unidos, contando com a participação de George Clinton. O músico, conhecido principalmente pelo trabalho com Parliament-Funkadelic, representa uma referência importante para a tradição do funk que influenciou diretamente a formação musical do grupo.

A colaboração também recupera uma relação artística antiga. Clinton já havia participado de um álbum do Fishbone em 2000, em um trabalho que contou com contribuições de Gwen Stefani, do No Doubt, e Rick James. Sua presença no disco recente evidencia a continuidade desse diálogo musical, estabelecendo uma conexão entre diferentes gerações de artistas ligados ao funk, ao rock e à experimentação.

Fishbone segue na estrada

A atividade recente do Fishbone demonstra que a banda continua investindo nas apresentações ao vivo como parte central de sua carreira. Nos últimos anos, o grupo dividiu programações com artistas como Madness, Tool e Primus, além de realizar turnês pelos Estados Unidos e pela Europa. A diversidade desses encontros acompanha a própria identidade musical da formação, que circula por festivais e eventos associados a diferentes vertentes do rock.

Em 2025, a agenda incluiu participações na Summer Circus Tour, organizada pelo Less Than Jake, e apresentações nas edições da Vans Warped Tour realizadas em Long Beach e Washington, D.C. Esses compromissos aproximaram o Fishbone de públicos ligados ao ska, ao punk e à música alternativa, mantendo sua presença em circuitos nos quais sua influência histórica continua reconhecida.

Para a apresentação paulistana, a escolha da Maga Rude como banda convidada estabelece uma ligação com a cena brasileira de ska. O grupo feminino de São Paulo participa da abertura, oferecendo ao público uma programação conectada às referências musicais que também fazem parte da trajetória dos norte-americanos. A combinação reúne artistas de diferentes gerações em torno de uma linguagem marcada por ritmos acelerados e instrumentos de sopro.

O show no Fabrique Club integra essa nova etapa de circulação internacional do Fishbone, agora com material recente para apresentar ao lado de composições anteriores. A apresentação está marcada para começar às 19h, após o show da Maga Rude. Para o público brasileiro, será uma oportunidade de acompanhar uma banda cuja trajetória permanece associada à experimentação musical e à discussão de questões sociais.


SERVIÇO

Fishbone em São Paulo

Data: 31 de outubro de 2026, sábado
Horários: 17h (abertura da casa) | 18h (Maga Rude) | 19h (Fishbone)
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda, 1071, Barra Funda, São Paulo, SP
Ingressos: https://fastix.com.br/events/fishbone-em-sao-paulo
Realização: Maraty

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