ORQUESTRA FILARMÔNICA METROPOLITANA FAZ CONCERTOS GRATUITOS NO RIO

Com regência de Waleska Araújo, série “Sons Pelas Mulheres” chega ao Teatro da Ilha com repertório dedicado à participação feminina na música brasileira.
Orquestra Filarmônica Metropolitana faz concertos grátis no RJ

A Orquestra Filarmônica Metropolitana (OFM) apresenta a série de concertos “Sons Pelas Mulheres” no Teatro da Ilha, localizado na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Com entrada gratuita, o espetáculo terá três sessões distribuídas entre os dias 31 de outubro e 1º de novembro. A programação reúne obras associadas à trajetória de compositoras e intérpretes brasileiras, destacando a participação feminina na formação da música popular nacional. A iniciativa é desenvolvida pelo Instituto dos Sonhos, com patrocínio da Vale, e propõe aproximar o público de diferentes períodos da produção musical brasileira por meio de apresentações instrumentais e conteúdos históricos.

Sob a regência da maestra Waleska Araújo, as musicistas da OFM conduzem um programa que combina arranjos orquestrais, interpretações e informações sobre artistas que contribuíram para a construção da identidade cultural do país. A seleção contempla diferentes gerações, incluindo referências femininas dos séculos XIX, XX e XXI. Além das execuções musicais, o espetáculo apresenta curiosidades e dados relacionados à presença das mulheres no setor, abordando conquistas, dificuldades e mudanças ocorridas nesse cenário. A proposta também busca ampliar o contato do público com a música de concerto, utilizando composições e interpretações conhecidas da tradição popular brasileira.

Mulheres na música brasileira

A participação feminina na história da música brasileira reúne trajetórias marcadas por diferentes contextos sociais e culturais. Cantoras, compositoras e instrumentistas ajudaram a consolidar estilos, popularizar repertórios e estabelecer novas possibilidades de expressão artística. Entretanto, o reconhecimento dessas contribuições nem sempre acompanhou sua importância. Durante diferentes períodos, mulheres encontraram obstáculos para ocupar espaços profissionais, participar de decisões artísticas e alcançar visibilidade semelhante à de seus colegas homens. A série “Sons Pelas Mulheres” utiliza esse contexto como ponto de partida para apresentar ao público uma seleção musical dedicada à produção feminina.

O repertório foi concebido para estabelecer conexões entre gerações e apresentar diferentes maneiras pelas quais as mulheres participaram da construção da música nacional. A programação considera tanto a autoria das composições quanto o papel das intérpretes responsáveis por divulgar determinadas obras. Essa distinção permite observar como a história da música também foi construída por artistas que deram novas leituras a canções existentes. Ao reunir essas referências em uma apresentação orquestral, o projeto oferece outra perspectiva sobre repertórios ligados à Música Popular Brasileira e sua circulação cultural.

Outro componente da apresentação é a contextualização histórica das obras escolhidas. Entre as execuções, narrativas e informações ajudam a situar o público diante das transformações enfrentadas pelas profissionais da música. Questões relacionadas ao reconhecimento artístico, à presença feminina nos palcos e às oportunidades de atuação integram a abordagem do espetáculo. A intenção é apresentar essas experiências sem separar a dimensão musical das condições sociais em que foram desenvolvidas, permitindo que diferentes públicos acompanhem o conteúdo mesmo sem conhecimento prévio sobre as artistas mencionadas.

A iniciativa também chama atenção para a atuação das mulheres dentro das próprias orquestras, ambiente em que a ocupação de determinados cargos e funções passou por mudanças históricas. A presença de Waleska Araújo na regência e das instrumentistas da OFM reforça esse aspecto da programação. Ao colocar profissionais mulheres na condução artística do concerto, o projeto relaciona o repertório apresentado à realidade contemporânea da música de concerto, ampliando a discussão sobre representatividade, formação profissional e participação feminina em diferentes atividades musicais.

Sob a regência de Waleska Araújo, a OFM destaca o protagonismo feminino e a diversidade da música brasileira. (Foto: Jéssica Borges)

Regência e proposta artística

A condução musical de Waleska Araújo é um dos elementos centrais de “Sons Pelas Mulheres”. A maestra dirige as apresentações e participa da construção de uma experiência que combina execução instrumental e conteúdo informativo. A escolha por uma formação orquestral permite explorar diferentes possibilidades de arranjo para obras associadas à música popular, aproximando linguagens que tradicionalmente circulam em espaços distintos. O resultado pretendido é um espetáculo acessível a públicos variados, incluindo pessoas que não costumam frequentar apresentações de música de concerto.

Segundo a organização, a programação procura estimular o interesse pelas histórias das artistas homenageadas e incentivar reflexões sobre sua participação na cultura brasileira. A proposta considera especialmente o contato das novas gerações com essas referências, apresentando personagens e acontecimentos que nem sempre recebem destaque nos relatos históricos mais conhecidos. A abordagem também reconhece que o desenvolvimento da música brasileira ocorreu em contextos de desigualdade, nos quais diferentes artistas precisaram enfrentar limitações para estabelecer suas carreiras.

“A série de concertos Sons Pelas Mulheres é um convite para ouvir a música brasileira por meio de histórias e vozes femininas que ajudaram a construir a nossa identidade cultural. Mais do que apresentar grandes compositoras, queremos criar uma experiência que desperte curiosidade, identificação e inspiração, especialmente entre as mulheres que estarão na plateia e entre as novas gerações que ainda estão descobrindo seu lugar na música.”, destaca a regente Waleska Araújo.

O formato adotado pela orquestra também permite abordar a relação entre música e memória cultural. Ao recuperar obras e trajetórias de diferentes épocas, a apresentação estabelece conexões entre experiências artísticas e transformações sociais. A combinação de narrativas com performances instrumentais busca oferecer elementos para compreender a contribuição feminina à produção musical brasileira. Dessa maneira, o espetáculo mantém a execução das obras como atividade principal, enquanto as informações complementares ajudam a contextualizar o repertório e os caminhos percorridos pelas artistas representadas.

Cultura e acesso gratuito

A série é uma realização do Instituto dos Sonhos, organização responsável pela criação e manutenção da Orquestra Filarmônica Metropolitana. Fundada em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, a OFM reúne profissionais de diferentes municípios da região metropolitana e serrana. Seu trabalho envolve repertórios clássicos, contemporâneos e populares, com atenção à produção musical fluminense. A instituição desenvolve apresentações em diferentes espaços, buscando ampliar as oportunidades de contato da população com a música orquestral.

Além da manutenção da OFM, o Instituto dos Sonhos desenvolve iniciativas relacionadas à educação, à cultura, à sustentabilidade e à economia criativa. Entre suas atividades está a Escola de Música do Instituto dos Sonhos, que atende aproximadamente 500 alunos em ações formativas continuadas. A organização também desenvolve o jogo educativo Recycle Rio e mantém projetos voltados ao fortalecimento de iniciativas culturais. Sua atuação inclui a produção de festivais, eventos populares e atividades ligadas à formação artística.

O projeto “Sons Pelas Mulheres” é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, com patrocínio da Vale e realização do Ministério da Cultura. A empresa participa do financiamento de iniciativas culturais em diferentes regiões brasileiras. Nesse contexto, a gratuidade das apresentações no Teatro da Ilha integra a proposta de facilitar o acesso às atividades culturais e ampliar a circulação de produções musicais para públicos de diferentes perfis.

As apresentações no Rio de Janeiro acontecem em três horários, com classificação livre e necessidade de retirada antecipada dos ingressos pela plataforma indicada pela organização. O espetáculo reúne música, informação histórica e uma abordagem voltada ao reconhecimento das profissionais que participaram da construção do repertório nacional. Para o público da Ilha do Governador e de outras regiões da cidade, a programação representa uma oportunidade de acompanhar gratuitamente uma formação orquestral dedicada à produção artística feminina brasileira.


Serviço — Sons Pelas Mulheres

Atração: Orquestra Filarmônica Metropolitana (OFM)
Local: Teatro da Ilha — Estrada do Galeão, s/n, ao lado do Colégio Cenecista Capitão Lemos Cunha, Ilha do Governador, Rio de Janeiro (RJ).
Datas e horários: 31 de outubro, às 18h e 20h; 1º de novembro, às 19h.
Entrada: Gratuita, mediante retirada antecipada de ingressos.
Ingressos: https://ingressodigital.com/evento/22293,22294,22295/sons-pelas-mulheres
Classificação: Livre.
Instagram: @teatrodailha
Assessoria de imprensa: Carlos Pinho (@dicasdopinhao).

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