A trajetória dos Ramones voltará aos cinemas em 2026 com uma nova restauração em 4K de “End of the Century: The Story of the Ramones”. Lançado originalmente em 2003, o documentário dirigido por Michael Gramaglia e Jim Fields revisita a formação, a carreira e os conflitos de uma das bandas mais influentes do punk. A Magnolia Pictures prepara a exibição da versão restaurada em cinemas selecionados, embora as datas e as salas participantes ainda não tenham sido anunciadas. O relançamento também amplia a circulação de um filme que se tornou referência para quem busca entender a história do quarteto nova-iorquino.
Além das sessões nos cinemas, “End of the Century” terá pela primeira vez uma edição disponibilizada digitalmente para aluguel e compra. O documentário já pode ser encontrado em serviços de streaming, mas a nova distribuição cria outra forma de acesso à produção. Uma edição física também está prevista. O retorno ocorre em um momento simbólico para a história dos Ramones: 2026 marca os 50 anos do álbum de estreia homônimo da banda, lançado em 1976 e posteriormente reconhecido como um dos discos fundamentais para a consolidação da estética punk que surgia em Nova York.
Das ruas do Queens ao punk
A história apresentada pelo documentário começa no Queens, em Nova York, onde Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone formaram o grupo em 1974. Em pouco tempo, os músicos passaram a ocupar espaço na cena ligada ao CBGB, casa que se tornaria associada ao surgimento de diferentes nomes do punk e do rock alternativo norte-americano.
Os Ramones construíram uma identidade baseada em músicas curtas, rápidas e diretas, deixando de lado boa parte dos excessos técnicos que dominavam determinadas vertentes do rock naquele período. A combinação entre guitarras aceleradas, refrões imediatos e uma estética visual facilmente reconhecível ajudou a estabelecer uma linguagem que seria reproduzida por inúmeras bandas nas décadas seguintes.
O impacto, porém, não foi acompanhado por um desempenho comercial proporcional. Os Ramones nunca chegaram ao topo das paradas da Billboard, criando um contraste entre números relativamente modestos e uma influência que cresceria continuamente. O grupo acabou se tornando um daqueles casos em que a relevância histórica ultrapassa de maneira considerável os resultados obtidos durante sua própria trajetória.
A banda permaneceu em atividade por 22 anos e manteve uma rotina intensa de apresentações e turnês. Essa persistência ajudou a espalhar sua música para públicos de diferentes países e contribuiu para transformar o punk em um movimento internacional. Décadas depois, elementos desenvolvidos pelo quarteto continuam aparecendo no punk, no hardcore e em diferentes vertentes do rock.

Conflitos por trás da banda
“End of the Century” não se limita a organizar cronologicamente discos, shows e acontecimentos importantes. Um dos pontos centrais do documentário está justamente nas relações entre os integrantes. A produção mostra que a imagem relativamente uniforme criada pelo sobrenome Ramone escondia personalidades distintas, ressentimentos acumulados e dificuldades de convivência que acompanharam boa parte da carreira.
Entre os episódios abordados está a conhecida tensão entre Joey e Johnny. Os conflitos internos ganharam peso enquanto a banda seguia mantendo uma agenda intensa de apresentações. Dessa forma, o documentário evita transformar os Ramones em uma narrativa convencional de sucesso e apresenta também o desgaste provocado por anos de convivência, viagens e decisões tomadas dentro do grupo.
A separação e os caminhos posteriores dos integrantes também fazem parte desse retrato. Joey e Dee Dee estão entre as figuras cuja trajetória após a fase mais conhecida da banda aparece relacionada a uma história marcada por rupturas. A abordagem ajuda a colocar em perspectiva a diferença entre a simplicidade aparente das músicas e a dinâmica complicada existente nos bastidores.
Essa característica tornou o filme particularmente importante dentro da extensa documentação sobre os Ramones. Em vez de apresentar somente a iconografia clássica das jaquetas de couro, cabelos compridos e canções aceleradas, “End of the Century” observa as pessoas por trás dessa imagem. A restauração agora oferece uma nova oportunidade para rever essa história com maior qualidade de imagem.
Relançamento marca 50 anos
O retorno aos cinemas acontece justamente no ano em que o primeiro álbum dos Ramones completa cinco décadas. Lançado em 1976, o disco homônimo ajudou a apresentar de forma mais ampla a fórmula musical que acompanharia o grupo. A restauração em 4K, portanto, chega em um período naturalmente favorável para revisitar a importância histórica da banda.
A Magnolia Pictures ainda não informou as datas específicas das sessões nos cinemas nem o calendário do lançamento digital. Quando essa nova edição chegar às plataformas, entretanto, o público poderá alugar ou comprar “End of the Century” digitalmente pela primeira vez. O projeto também prevê uma nova edição física, ampliando as opções disponíveis para quem acompanha a história do quarteto.
As comemorações em torno do legado dos Ramones também incluem uma apresentação da Cretin Family marcada para 30 de agosto, no Hollywood Forever Cemetery, em Los Angeles. O grupo reúne Tim Armstrong, Billie Joe Armstrong, Travis Barker e CJ Ramone, integrante que passou pelos Ramones depois de substituir Dee Dee e permaneceu na formação durante os últimos anos da banda.
A apresentação será dedicada ao repertório clássico dos Ramones e funciona como outro sinal da permanência da banda na cultura do rock. Cinquenta anos depois de seu primeiro disco, o grupo segue sendo citado por artistas de diferentes gerações. O documentário ajuda a lembrar, porém, que por trás das músicas aparentemente simples existia uma trajetória marcada por trabalho intenso, influência duradoura e relações internas consideravelmente mais turbulentas.











