DOLLYWOOD REABRE APÓS MORTE DE DOLLY PARTON A PEDIDO DA CANTORA

Parque no Tennessee retomou as atividades um dia após a morte da artista, cumprindo seu desejo de manter o local como espaço de música, alegria e união.
Dollywood reabre após morte de Dolly Parton nos EUA

O Dollywood, parque temático criado por Dolly Parton no Tennessee, retomou as atividades nesta quarta-feira (26), um dia depois da morte da cantora, aos 80 anos. A decisão seguiu uma orientação deixada pela própria artista, que desejava ver o complexo funcionando como espaço de alegria, música e convivência mesmo após sua partida. Dolly morreu na terça-feira (25), depois de uma breve batalha contra o câncer. A abertura, portanto, ocorreu em meio às homenagens que passaram a destacar diferentes aspectos de uma carreira que ultrapassou a música country e alcançou também negócios e ações sociais.

O parque já estava fechado na terça por causa de uma programação definida anteriormente. Por isso, a quarta-feira marcou o primeiro dia de funcionamento desde a morte da artista. A reabertura ganhou significado especial por refletir a relação que Dolly construiu com o empreendimento desde 1986. O Dollywood se consolidou como parte de sua atuação empresarial, cultural e filantrópica nas Montanhas Great Smoky, região onde ela cresceu. A continuidade do funcionamento também sinaliza como a administração pretende lidar com o legado da fundadora: preservando as atividades, os projetos associados ao complexo e a proposta de receber visitantes sem transformar o espaço em um ambiente exclusivamente dedicado ao luto.

O desejo deixado por Dolly

Em comunicado divulgado pelo Dollywood, a equipe afirmou que a manutenção das atividades atende diretamente ao desejo de Dolly Parton. A mensagem também destacou a intenção de preservar o parque como um lugar associado à convivência entre famílias, à música e às lembranças construídas por visitantes ao longo de quatro décadas.

“Com o coração pesado, a família Dollywood lamenta a partida de nossa amada Sonhadora-Chefe, Dolly Parton. Todos no Dollywood compartilham a dor de inúmeras pessoas ao redor do mundo tocadas pelo calor, pela sabedoria e pelo espírito generoso de Dolly. O desejo sincero de Dolly era que Dollywood permanecesse sempre um lugar de alegria, esperança e união, um espaço onde famílias e amigos pudessem honrar sua memória não com silêncio, mas com risos, música e sonhos compartilhados. Em seu espírito, Dollywood estará aberto na quarta-feira, como Dolly queria, sempre lembrando a todos com seu brilho característico: ‘o show tem que continuar’.”

A decisão transforma a reabertura em uma homenagem prática, sem interromper a rotina planejada para o complexo. Em vez de suspender as atividades em sinal de luto, a administração optou por seguir a orientação deixada pela cantora e manter o funcionamento normal.

A medida também reforça uma característica presente na relação de Dolly com o parque: a ideia de que o Dollywood deveria continuar existindo para além de sua presença física. A cantora participou de diferentes momentos do empreendimento e manteve vínculo próximo com funcionários, visitantes e projetos ligados ao complexo.

Vista aérea do Dollywood, parque criado por Dolly Parton no Tennessee e parte importante do legado da cantora. (Foto Reprodução)

Um parque ligado à cantora

O presidente do Dollywood, Eugene Naughton, também se manifestou sobre a morte da cantora e a continuidade do empreendimento. Em sua declaração, o executivo ressaltou o trabalho realizado ao lado de Dolly e afirmou que a equipe pretende manter os valores associados por ela ao parque.

“O maior privilégio da minha vida foi ajudar Dolly a dar vida aos seus sonhos no Dollywood. Enquanto lamentamos sua perda, temos a honra e o compromisso de levar sua luz adiante. Seu legado continuará a brilhar em cada melodia cantada e em cada sorriso compartilhado.”

A história do parque com Dolly começou em 1986, quando ela se tornou coproprietária da atração anteriormente conhecida como Rebel Railroad. Instalado nas Montanhas Great Smoky, no Tennessee, o local cresceu nas décadas seguintes e se tornou um dos principais pontos turísticos da região, conectando entretenimento, referências à cultura local e a imagem pública da cantora.

O empreendimento também passou a ocupar espaço relevante na economia da região onde Dolly nasceu e cresceu. A presença da artista ajudou a ampliar a projeção do destino turístico, enquanto o parque se tornou uma das marcas mais reconhecidas de sua carreira fora dos palcos. Essa ligação fez do Dollywood um elemento permanente da narrativa construída em torno de sua origem no Tennessee.

Filantropia e últimos anos

A importância do Dollywood na trajetória de Dolly Parton também esteve ligada a iniciativas sociais apoiadas pela artista. Parte da renda gerada pelo complexo ajudou a financiar projetos como a Imagination Library, programa conhecido pela distribuição de livros para crianças, além do Grow U, iniciativa voltada à cobertura integral de mensalidades educacionais para funcionários.

Essa dimensão filantrópica aproximou o parque de outras frentes mantidas por Dolly durante sua carreira. O empreendimento funcionava como negócio turístico, mas também como estrutura capaz de sustentar ações de educação e desenvolvimento local. Em 2020, durante a pandemia, a cantora chegou a falar à Billboard sobre a responsabilidade envolvida na administração do espaço e sobre a maneira como enxergava sua trajetória.

Mesmo nos últimos anos, Dolly permaneceu ligada ao cotidiano e às celebrações do parque. Em março de 2025, ela participou das comemorações pelos 40 anos do Dollywood, poucos dias depois da morte de Carl Dean, seu marido por quase seis décadas. A presença reforçou o vínculo pessoal que mantinha com o local, mesmo diante de um período delicado.

Meses depois, problemas de saúde impediram Dolly de comparecer à inauguração da atração NightFlight Expedition. Ainda assim, a cantora gravou um vídeo exibido aos visitantes durante a abertura, em 14 de agosto. Agora, a continuidade das atividades após sua morte segue a mesma lógica: manter o Dollywood ativo como parte de um legado que combina música, turismo, memória e projetos sociais.

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