MOTÖRHEAD RELANÇA ORGASMATRON COM NOVA MIXAGEM APÓS 40 ANOS

Edição comemorativa reúne o álbum original remasterizado, uma nova mixagem e gravações de arquivo da banda.
Motörhead anuncia edição de 40 anos de Orgasmatron

Quarenta anos depois de seu lançamento, Orgasmatron vai voltar às lojas em uma edição comemorativa. O sétimo álbum de estúdio do Motörhead chega em 6 de novembro de 2026 com a mixagem original remasterizada e uma nova versão produzida por Cameron Webb a partir das pistas individuais gravadas nos anos 1980. A proposta permite ouvir o mesmo disco por duas perspectivas diferentes.

O relançamento também reúne ensaios, gravações alternativas e uma sessão da banda para a BBC Radio 1. A escolha de revisitar o álbum tem uma história por trás: embora a produção de Bill Laswell tenha se tornado parte da identidade de Orgasmatron, Lemmy Kilmister e Phil Campbell consideravam que a mixagem final havia perdido parte da força que esperavam ouvir.

Uma fase mais pesada

Lançado em 1986, Orgasmatron foi o primeiro disco gravado pela formação que reunia Lemmy, os guitarristas Phil Campbell e Würzel e o baterista Pete Gill. A presença das duas guitarras contribuiu para uma sonoridade mais encorpada, sem tirar de cena a velocidade associada ao Motörhead. Era uma banda atravessando outra fase, mas ainda reconhecível desde os primeiros segundos de cada música.

Essa combinação aparece de formas distintas no repertório. “Deaf Forever” abre o álbum de maneira direta, enquanto “Built for Speed” segue uma linha mais acelerada. Já a faixa-título avança em um ritmo menos apressado e aposta em uma atmosfera mais densa. As três músicas ganharam espaço nas apresentações do grupo e ajudaram a manter o disco presente na memória dos fãs.

O álbum também mostra como o Motörhead circulava entre hard rock, punk e heavy metal sem depender inteiramente de nenhum desses rótulos. Havia faixas rápidas e outras que davam mais espaço ao peso dos instrumentos. Ouvir Orgasmatron do início ao fim, em vez de encontrar suas músicas isoladas em coletâneas, ajuda a perceber as diferentes escolhas feitas pela banda naquele período.

Por isso, a edição de aniversário chama atenção para algo além das faixas conhecidas. Colocar lado a lado a gravação lançada em 1986 e a nova mixagem oferece outra maneira de acompanhar os detalhes do álbum. Para quem conhece sobretudo o Motörhead dos palcos, o relançamento também serve como convite para voltar a uma etapa específica de sua trajetória em estúdio.

A arte de Orgasmatron volta a acompanhar o disco em uma edição que revisita as gravações e a produção de 1986.

Uma produção debatida

A produção de Bill Laswell sempre esteve no centro das conversas sobre Orgasmatron. Sua abordagem deu ao disco uma sonoridade própria, mas a equipe do Motörhead afirma que Lemmy e Phil Campbell sentiam falta de potência, impacto e energia na versão final. A avaliação dos músicos não apaga o trabalho original: ajuda a explicar por que a ideia de uma nova mixagem surgiu tantos anos depois.

Para realizá-la, Cameron Webb trabalhou com as pistas individuais das gravações. Esse acesso permite alterar a relação entre bateria, baixo, guitarras e voz, algo que uma remasterização da mixagem pronta não faz. Webb, que colaborou posteriormente com o Motörhead, pôde explorar o material de 1986 sem pedir que o ouvinte deixasse de lado o disco que conhece há quatro décadas.

O produtor afirmou que procurou respeitar as escolhas de Laswell e do engenheiro Jason Corsaro. Ao examinar as fitas originais de 24 pistas, ele encontrou soluções criativas, especialmente nos sons de bateria, e decidiu preservar o caráter da gravação. A intenção, segundo Webb, não era fazer Orgasmatron soar como um álbum de metal atual, mas destacar elementos que já estavam nas sessões.

É essa diferença que torna a comparação interessante. A remasterização apresenta novamente a mixagem original; o remix reorganiza partes da gravação e propõe outro equilíbrio para as músicas. Os resultados podem despertar preferências diferentes, inclusive entre fãs que acompanham o álbum desde 1986. Agora haverá uma forma direta de escutar as duas versões e tirar conclusões sem depender apenas do antigo debate.

O conteúdo da edição

O relançamento está previsto para 6 de novembro de 2026. Entre os formatos anunciados estão uma edição com três LPs e outra com dois CDs, ambas com o álbum original remasterizado e o remix de Cameron Webb. Também haverá uma prensagem em vinil violeta transparente com o disco de estúdio, opção para quem deseja ouvir apenas o repertório lançado originalmente.

As edições ampliadas incluem ensaios e gravações alternativas feitos em 1985, antes de Orgasmatron chegar ao público. Esses registros mostram músicas em outros estágios e ajudam a entender o caminho percorrido até as versões definitivas. Para o ouvinte interessado no processo de gravação, os extras oferecem mais contexto do que simplesmente acrescentar faixas ao fim do álbum.

Outro destaque é a sessão completa gravada em 1986 para o Friday Rock Show, da BBC Radio 1. O repertório inclui “Killed By Death”, “Doctor Rock”, “Deaf Forever” e “Orgasmatron”. O material registra aquela formação fora da sequência do disco de estúdio e acrescenta um retrato da banda no mesmo período em que as músicas começavam a circular entre o público.

Quatro décadas depois, Orgasmatron retorna com sua história de produção incorporada ao lançamento. Quem já conhece o álbum poderá comparar as mixagens e descobrir registros guardados das sessões. Para quem ainda não ouviu essa fase do Motörhead, a edição reúne o disco e parte de seu contexto em um só pacote — incluindo a discussão sobre como aquelas gravações deveriam soar.

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