A Lapa, no Rio de Janeiro, recebe nesta semana uma nova programação dedicada ao jazz e suas diferentes vertentes. Batizado de Jazz dos Muertos, o projeto chega ao La Esquina com apresentações semanais que aproximam o gênero de estilos como Latin jazz, Bossa Nova, Samba Jazz, Soul e música brasileira. A estreia reúne dois shows: Sergio Diab Stratoman apresenta “Western Latino” nesta quinta-feira, 5 de novembro, enquanto Guilherme Dias Gomes Quarteto sobe ao palco na sexta-feira, 6. As duas apresentações começam às 20h.
A iniciativa pretende ampliar a circulação desses estilos musicais em um dos bairros mais conhecidos pela vida noturna carioca. Com ingressos a partir de R$ 30, o Jazz dos Muertos aposta em uma programação que combina músicos experientes, diferentes formações instrumentais e referências da música nacional e internacional. Além dos concertos, a proposta envolve a valorização da memória musical da cidade, a participação de profissionais da produção cultural e a ocupação de espaços tradicionalmente associados à boemia.
Jazz e suas diferentes raízes
O nome Jazz dos Muertos parte de uma provocação sobre a permanência do gênero ao longo das gerações. Embora muitos de seus principais representantes já tenham morrido, suas composições, técnicas e influências continuam presentes no trabalho de músicos contemporâneos. A proposta dialoga com iniciativas internacionais, como o Jazz Is Dead, mas procura estabelecer uma identidade relacionada à diversidade musical do Rio de Janeiro e às conexões históricas entre o jazz e a produção brasileira.
Nesse contexto, a programação não pretende se restringir às formações tradicionais do gênero. A presença de ritmos latino-americanos, elementos da Bossa Nova e influências do Soul permite explorar diferentes caminhos musicais. O Samba Jazz, por exemplo, representa uma dessas aproximações, desenvolvida a partir do encontro entre a improvisação jazzística e a linguagem rítmica brasileira. Essa diversidade também orienta a escolha dos artistas convidados para as apresentações realizadas no espaço.
A escolha da Lapa acompanha essa proposta de aproximação com diferentes públicos. Conhecido pela concentração de bares, casas de espetáculo e manifestações culturais, o bairro mantém uma relação histórica com a música ao vivo. O La Esquina, localizado na Avenida Mem de Sá, integra a rede Palcos do Rio e passa a receber o projeto como parte de sua programação. A intenção é inserir o jazz em um ambiente acessível à circulação de moradores e visitantes.
Ao ocupar uma casa situada em uma região de intensa atividade noturna, o Jazz dos Muertos também procura ampliar os espaços disponíveis para apresentações instrumentais. A iniciativa considera que gêneros frequentemente associados a teatros e salas de concerto podem encontrar público em ambientes informais. Dessa maneira, a programação busca estabelecer uma relação entre a tradição do jazz, a diversidade musical carioca e os hábitos culturais de quem frequenta a Lapa.

Os shows de estreia na Lapa
A primeira apresentação acontece na quinta-feira, 5 de novembro, com Sergio Diab Stratoman e o espetáculo “Western Latino”. O músico propõe uma combinação de Latin jazz com referências sonoras e estéticas relacionadas ao Velho Oeste. A guitarra ocupa posição central na apresentação, acompanhada por ritmos e arranjos que exploram o contraste entre a linguagem jazzística e elementos associados às trilhas de faroeste.
O concerto também contará com participações especiais de Marcos Suzano, na percussão, e Humberto Barros, nos teclados. A presença dos convidados acrescenta diferentes possibilidades à formação instrumental, especialmente nas construções rítmicas e harmônicas. Suzano possui trajetória ligada à percussão brasileira, enquanto Barros atua como tecladista em projetos musicais. O encontro oferece espaço para improvisações e para a exploração das referências apresentadas por Stratoman.
Na sexta-feira, 6 de novembro, será a vez do Guilherme Dias Gomes Quarteto. O grupo é liderado pelo músico que dá nome à formação, responsável pelo trompete e pelo flugelhorn, instrumento de sopro conhecido por sua sonoridade mais encorpada. A apresentação reúne Renan Francione ao piano, Berval Moraes no baixo e Paulo Diniz na bateria, seguindo uma configuração bastante presente na tradição dos pequenos conjuntos de jazz.
Com essa formação, o quarteto poderá explorar diferentes possibilidades de interação entre os instrumentos, incluindo passagens improvisadas e diálogos entre sopro e seção rítmica. A programação dos dois primeiros dias evidencia a proposta de reunir abordagens distintas do gênero: de um lado, a mistura de referências latinas e cinematográficas; do outro, uma formação instrumental centrada no diálogo entre músicos. Ambas as apresentações estão previstas para as 20h.
Produção e memória musical
A organização do Jazz dos Muertos está sob responsabilidade de três profissionais ligadas à produção cultural carioca. Mônica Silva, presidente dos Palcos do Rio e vice-presidente do CEPC-RJ, assume a produção executiva e participa da curadoria. Com mais de três décadas de experiência em gestão e produção cultural, ela divide a seleção artística com Luciana Moisakis e Márcia Milito, que também possuem trajetórias relacionadas ao mercado musical.
Luciana Moisakis atua como produtora e empresária na cena carioca, enquanto Márcia Milito trabalha na produção cultural e na gestão da carreira de Osmar Milito, músico associado à história da Bossa Nova e do jazz brasileiro. A participação das três profissionais coloca a curadoria feminina no centro da organização. O trabalho conjunto procura conciliar artistas de diferentes gerações, repertórios e experiências, considerando tanto a tradição quanto as transformações da música instrumental.
O projeto também presta homenagem a Rosa de Almeida, empresária e produtora cultural que participou da construção de iniciativas ligadas à música no Rio de Janeiro. Sua trajetória é lembrada pela organização como parte da história dos profissionais que atuaram nos bastidores da cena musical carioca. A homenagem acrescenta uma dimensão memorial à programação, relacionando os artistas que ocupam os palcos ao trabalho de quem contribuiu para manter esses espaços ativos.
As apresentações acontecem no La Esquina, na Avenida Mem de Sá, 61, com ingressos vendidos antecipadamente por R$ 30, mediante Pix, ou por R$ 40 na entrada. A programação está prevista para quintas e sextas-feiras, sempre às 20h, com apoio da Estrella Galicia. Informações sobre os shows podem ser acompanhadas pelas redes sociais da casa. Com a estreia, o Jazz dos Muertos passa a integrar o circuito musical da Lapa, reunindo apresentações instrumentais e iniciativas de valorização da cultura carioca.

Serviço
Jazz dos Muertos
Local: La Esquina — Avenida Mem de Sá, 61, Lapa, Rio de Janeiro (RJ)
Datas: 5 e 6 de novembro de 2026
Horário: 20h
05/11 — Sergio Diab Stratoman apresenta “Western Latino”, com participações de Marcos Suzano e Humberto Barros.
06/11 — Guilherme Dias Gomes Quarteto, com Renan Francione, Berval Moraes e Paulo Diniz.
Ingressos: R$ 30 antecipado via Pix | R$ 40 na entrada
Pix: (21) 96980-1111 — Bianca
Produção executiva: Mônica Silva
Curadoria: Mônica Silva, Luciana Moisakis e Márcia Milito
Apoio: Estrella Galicia
Instagram: https://www.instagram.com/laesquinalapa













