HE-MAN RETORNA AOS CINEMAS COM FORTE PRESENÇA BRASILEIRA
Novo filme de Mestres do Universo chega às telonas com duas atrizes brasileiras no elenco e reforça a histórica conexão da franquia com o público do Brasil.
Redação SOM DE FITA
Depois de décadas de tentativas, adiamentos e especulações, Mestres do Universo finalmente retorna aos cinemas com uma nova adaptação da clássica franquia que marcou gerações. O lançamento, que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas brasileiros, traz Nicholas Galitzine no papel de He-Man e reúne um elenco que, por coincidência ou não, possui uma forte ligação com o Brasil.
Além da participação de Camila Mendes, atriz norte-americana filha de brasileiros, e da carioca Morena Baccarin, o próprio Galitzine afirma manter uma relação afetiva com o país desde a infância. Durante a divulgação do longa em São Paulo, o ator revelou que era um admirador fervoroso da Seleção Brasileira e chegou a decorar seu quarto com uma bandeira verde e amarela quando era mais jovem.
A passagem da equipe pelo Brasil contou com eventos para fãs, tapete vermelho e ações promocionais que demonstram a relevância histórica da franquia no mercado nacional. Embora o sucesso de He-Man tenha sido global, poucos países abraçaram o personagem com tanta intensidade quanto o Brasil, especialmente durante as décadas de 1980 e 1990, quando o desenho animado se tornou presença constante na televisão aberta.
Elenco brasileiro chama atenção na nova produção
A presença de duas atrizes com raízes brasileiras rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados durante a campanha de divulgação do filme. Camila Mendes interpreta Teela, uma das personagens centrais da trama, enquanto Morena Baccarin assume um papel importante dentro do universo apresentado nesta nova adaptação.
Apesar da coincidência ter chamado a atenção do público, os envolvidos garantem que não houve qualquer estratégia específica para ampliar a identificação com o mercado brasileiro. Segundo Camila Mendes, a seleção ocorreu de forma natural durante os testes realizados para a produção.
“De verdade acho que foi só uma coincidência”, afirma ela.
“Eu definitivamente era a única brasileira que fez testes para o papel.”
A atriz acredita que sua escolha aconteceu exclusivamente pelas características exigidas pela personagem. Ainda assim, reconhece que a presença de outros nomes ligados ao Brasil acabou fortalecendo a conexão da obra com o público nacional.
O diretor Travis Knight também reforça essa visão. Para ele, a escolha de Camila Mendes ocorreu porque a atriz reunia exatamente as qualidades necessárias para dar vida à guerreira Teela.
“Gostaria de dizer que foi intencional, mas não foi”, conta Knight.
“A Teela, nossa protagonista do filme, precisávamos de alguém que fosse feroz e engraçada e empática e encantadora. Realmente uma ótima atriz. E isso me levou a Camila, que é todas essas coisas.”
Já Nicholas Galitzine entrou na brincadeira ao afirmar que também se considera um brasileiro “honorário”. O ator revelou que sua admiração pelo país vem desde a infância e que acompanhava com entusiasmo o futebol brasileiro.
“Eu era um fã gigante da Seleção quando era novo. Não da maneira falsa, realmente obcecado.”
“Sinto que também sou um brasileiro honorário a essa altura.”
Morena Baccarin faz parte do elenco que traz Eternia de volta aos cinemas. (Foto: Reprodução/jovemnerd.com.br)
O desafio de modernizar uma franquia clássica
Levar He-Man novamente aos cinemas nunca foi uma tarefa simples. Desde o lançamento da versão estrelada por Dolph Lundgren em 1987, diversos projetos foram anunciados e cancelados ao longo dos anos, sem que nenhum chegasse efetivamente às telas.
Agora, a responsabilidade de revitalizar a franquia ficou nas mãos de Travis Knight, cineasta conhecido por trabalhos como Kubo e as Cordas Mágicas e Bumblebee. A escolha foi considerada estratégica justamente por sua experiência em equilibrar nostalgia e renovação em propriedades já consolidadas.
Na nova história, o príncipe Adam precisa encontrar uma espada lendária para retornar ao seu mundo e enfrentar o vilão Esqueleto. Embora preserve elementos clássicos da mitologia da franquia, o filme também procura apresentar esses personagens para uma geração que talvez nunca tenha assistido ao desenho original.
Segundo Galitzine, essa combinação entre respeito ao material clássico e atualização da narrativa foi uma das maiores qualidades do projeto.
“De verdade, eu nunca fiquei muito preocupado. Eu lembro de encontrar Travis pela primeira vez. E eu tinha uma fé completa nele e no que ele estava fazendo.”
“Ele é um cara que entende completamente o que é fazer um blockbuster para essa geração.”
O ator acredita que o filme consegue dialogar simultaneamente com quem cresceu acompanhando as aventuras de Eternia e com espectadores mais jovens que terão seu primeiro contato com esse universo.
“Sempre ia ter um elemento direcionado para saciar os fãs nesse filme, mas ele também tem uma perspectiva muito nova, e sabia que não queríamos alienar novos fãs também.”
Jared Leto assume um Esqueleto diferente e teatral
Outro nome de destaque na produção é Jared Leto, responsável por interpretar o principal antagonista da história. Desde o anúncio de sua escalação, a expectativa dos fãs aumentou em torno da nova versão de Esqueleto, um dos vilões mais famosos da cultura pop.
A ausência de Leto em parte da campanha promocional chegou a gerar dúvidas entre alguns espectadores sobre o tamanho de sua participação no longa. Travis Knight, porém, garante que o ator esteve profundamente envolvido com o projeto desde as filmagens.
“Ele esteve nas gravações todos os dias. A atuação que vemos é ele. Ele usa essa roupa incrível de prostéticos de músculos, que parece alguém que foi esfolado.”
O diretor também revelou que descobriu rapidamente o entusiasmo de Leto pelo personagem durante as primeiras conversas sobre o filme. Segundo Knight, o ator via em Esqueleto uma oportunidade rara de explorar diferentes camadas dramáticas e visuais.
“Ele é um personagem esquisito. Ele é engraçado, e inseguro e assustador, com um visual interessante, e é muito teatral, com uma voz e uma risada bem distintas.”
“E Jared queria capturar todas essas coisas, mas queria fazer algo maluco, que fosse divertido e o transformasse em um vilão icônico.”
Para Knight, uma das chaves para adaptar Mestres do Universo era justamente abraçar o lado extravagante da franquia, sem tentar transformá-la em uma fantasia excessivamente séria. Em sua visão, o universo de He-Man sempre foi marcado pelo exagero criativo, pelos personagens excêntricos e pela estética vibrante que definiu boa parte da cultura pop dos anos 1980.
Com essa proposta, o novo filme chega aos cinemas apostando tanto na nostalgia quanto na renovação, buscando conquistar antigos admiradores e apresentar Eternia a uma nova geração de espectadores.