FEITO PIPA É ESCOLHIDO PELO BRASIL PARA DISPUTAR VAGA NO OSCAR 2027

Filme de Allan Deberton acompanha a relação entre um menino e sua avó no interior do Ceará; escolha ainda não garante indicação.
Feito Pipa: filme do Ceará disputará vaga no Oscar 2027

O Brasil já definiu seu representante na corrida pelo Oscar 2027. “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para disputar uma indicação a Melhor Filme Internacional. O anúncio foi feito em 16 de setembro. A decisão coloca o longa na próxima etapa da seleção, conduzida pela academia responsável pela premiação, mas ainda não significa que ele esteja entre os indicados.

A escolha ocorreu após uma disputa que começou com 15 produções brasileiras inscritas e habilitadas. “Feito Pipa” chegou à etapa final ao lado de outros cinco títulos. Antes da decisão, o filme já havia circulado por festivais e recebido prêmios no Brasil e no exterior. Sua história parte da convivência entre um garoto e a avó que o criou no sertão cearense.

A história de Gugu

Gugu, interpretado por Yuri Gomes, tem 12 anos e gosta de futebol e dança. Ele vive com Dilma, personagem de Teca Pereira, uma professora aposentada que o criou em um ambiente de afeto e liberdade. A rotina dos dois sustenta a história: é nessa relação que o menino encontra espaço para crescer e descobrir seus interesses.

A possibilidade de deixar a casa da avó muda esse cenário. Gugu pode ter de morar com o pai, Batista, vivido por Lázaro Ramos. Entre os dois existe uma relação marcada por ausências, expectativas e sentimentos pouco expressos. Para o garoto, a mudança representaria mais do que trocar de endereço: significaria se afastar da pessoa com quem construiu sua vida.

Filmada em Quixadá, no Ceará, a produção usa o interior do estado como cenário para uma história familiar de alcance mais amplo. Infância, pertencimento e a passagem para uma fase de maior autonomia aparecem no conflito vivido por Gugu. A relação com Dilma também traz a questão da finitude, destacada pela comissão brasileira ao explicar sua escolha.

Ao anunciar o resultado, Clélia Bessa, presidente da Comissão de Seleção, afirmou: “O filme Feito Pipa, de Allan Deberton, tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e ao mesmo tempo traz uma forte identidade brasileira à partir de uma cidade do interior do Ceará. É sobre família, a cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude e já foi premiado em festivais internacionais importantes”. A declaração resume os aspectos que, segundo a comissão, pesaram a favor do longa.

Entre o afeto da avó e a possibilidade de morar com o pai, Gugu enfrenta uma mudança que pode transformar sua infância. (Foto: Divulgação/Paris Filmes)

O caminho até a escolha

“Feito Pipa” concorreu com outras 14 produções inscritas e habilitadas pela Academia Brasileira de Cinema. No segundo turno, enfrentou “100 Dias”, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, “Nosso Segredo” e “Vicentina Pede Desculpas”. A seleção nacional define qual filme o país apresenta à disputa internacional; cada etapa seguinte depende da avaliação dos votantes do Oscar.

A trajetória em festivais deu visibilidade ao longa antes do anúncio brasileiro. Em fevereiro, ele fez sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Na mostra Generation Kplus, voltada a obras que dialogam com o público mais jovem, recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional.

No Festival de Cinema de Gramado, realizado em agosto, a produção conquistou quatro Kikitos: Melhor Direção para Allan Deberton, Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular. Yuri Gomes recebeu ainda uma menção honrosa. Os reconhecimentos envolveram tanto a direção quanto as atuações centrais da história.

O filme também passou por eventos na Colômbia e no México. No Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias, Yuri Gomes venceu um prêmio de interpretação. Em Guadalajara, a produção recebeu distinções ligadas ao filme e às atuações. Esse percurso ajuda a apresentar “Feito Pipa” a públicos de diferentes países, embora a circulação em festivais, por si só, não determine o resultado da disputa pelo Oscar.

O que acontece agora

Com a escolha anunciada, “Feito Pipa” passa a representar oficialmente o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional. O próximo objetivo é avançar nas etapas de votação da academia norte-americana até uma possível indicação. É uma distinção importante: o país já tem um candidato definido, mas a lista final de concorrentes à estatueta ainda será formada.

A produção reúne as empresas Deberton Filmes e Biônica Filmes. Além de Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, o elenco inclui Carlos Francisco e Georgina Castro. Allan Deberton assina a direção de uma história centrada em Gugu, Dilma e Batista, com os impasses dessa família conduzindo o drama que chegou à seleção brasileira.

O público terá a chance de conhecer o longa nos cinemas brasileiros antes da cerimônia. A estreia nacional está marcada para 5 de novembro, com distribuição da Paris Filmes. Até lá, os prêmios recebidos em festivais oferecem uma referência sobre a recepção da obra, mas a experiência do filme dependerá também de como cada espectador se aproxima da história de Gugu.

A 99ª edição do Oscar está prevista para 14 de março de 2027. Entre a escolha brasileira e a cerimônia, ainda haverá o processo que definirá os indicados a Melhor Filme Internacional. Por enquanto, a notícia é a entrada de “Feito Pipa” nessa corrida: um filme ambientado no sertão do Ceará, construído em torno da cumplicidade entre avó e neto, foi o escolhido para levar a candidatura do Brasil.

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