DOLLY PARTON JÁ HAVIA REVELADO QUAL MÚSICA QUERIA EM SEU FUNERAL

Cantora havia planejado uma despedida reservada à família e escolheu um antigo hino country-gospel ligado à memória de seu pai
Dolly Parton revelou a música escolhida para seu funeral

Dolly Parton, que morreu aos 80 anos nesta terça-feira (25), já havia falado publicamente sobre como gostaria que fosse sua despedida. Mais de uma década antes de sua morte, a cantora revelou que desejava uma cerimônia reservada à família e chegou a escolher a música que gostaria de ouvir no próprio funeral. A preferência era por “If We Never Meet Again”, antigo hino country-gospel ligado diretamente à memória de seu pai e à história familiar da artista. A escolha voltou a ganhar atenção após a notícia de sua morte.

A equipe de Parton informou que a despedida seguirá o caráter íntimo desejado pela cantora. Em comunicado repercutido pelo The Independent, os representantes afirmaram: “A pedido de Dolly, será realizada uma cerimônia pequena e particular para a família imediata.” A decisão está de acordo com o que ela havia contado em entrevistas anteriores, quando tratou do próprio funeral de maneira aberta. Além de definir o formato da cerimônia, Dolly explicou que a música escolhida carregava um significado que vinha de sua infância, da religião e principalmente da relação com o pai.

Uma canção ligada ao pai

“If We Never Meet Again” foi escrita por Albert E. Brumley e se tornou conhecida dentro da tradição gospel norte-americana, recebendo gravações de nomes como Elvis Presley e Johnny Cash. Para Dolly Parton, no entanto, a importância da composição não estava apenas em sua presença no repertório religioso ou nas versões registradas por artistas consagrados. A faixa fazia parte de uma lembrança familiar bastante específica e que ela decidiu preservar em sua própria despedida.

Em entrevista à Entertainment Weekly, Parton explicou a escolha: “Há uma música chamada ‘If We Never Meet Again’. É um antigo hino country-gospel de igreja que fala sobre como, se não nos encontrarmos novamente deste lado do céu, eu encontrarei você naquela bela margem. ‘Onde as rosas encantadoras florescem para sempre e onde não há mais separações’. Essa era a favorita do meu pai. Nós a cantamos no funeral dele, e eu gostaria que fosse cantada no meu.”

A fala mostra que a decisão também funcionava como uma maneira de manter viva a memória de Robert Lee Parton, pai da cantora. Ao pedir a mesma música utilizada no funeral dele, Dolly conectava sua despedida a uma experiência vivida anteriormente pela família. O gesto acrescenta uma dimensão pessoal a uma cerimônia que, conforme seu próprio desejo, não deveria assumir o formato de uma grande homenagem pública.

O caráter gospel da faixa também conversa com as raízes musicais de Parton, criada no Tennessee e cercada desde cedo pela música religiosa. Embora tenha construído uma carreira identificada principalmente com o country e alcançado públicos muito além do gênero, a cantora manteve referências da igreja e das canções que ouviu durante a infância. “If We Never Meet Again”, nesse sentido, reúne memória familiar e formação musical.

Dolly Parton havia escolhido uma canção ligada à memória do pai para acompanhar sua despedida. (Foto: Reprodução)

Outro clássico foi lembrado

“If We Never Meet Again” não foi a única música mencionada por Dolly Parton quando ela falou sobre seu funeral. Em 2014, a cantora também comentou que imaginava “I Will Always Love You” presente na cerimônia. Escrita e gravada originalmente por Parton, a composição ganhou projeção mundial na interpretação de Whitney Houston para o filme “O Guarda-Costas”, lançado em 1992, e se tornou um dos maiores sucessos ligados ao nome das duas artistas.

Ao recordar o funeral de Houston, morta em 2012, Dolly contou como a execução da faixa naquele momento mudou sua percepção sobre a despedida da cantora: “Tenho certeza de que tocarão ‘I Will Always Love You’ quando eu morrer, assim como fizeram com Whitney Houston. Quando levantaram o caixão dela e começaram a tocar aquela música, comecei a chorar e pensei: ‘Meu Deus’. Foi aí que caiu a ficha de que ela tinha realmente partido.”

A gravação de Whitney transformou a composição em um fenômeno mundial, mas sua origem está diretamente relacionada à trajetória de Parton. A cantora escreveu a música nos anos 1970 como uma despedida profissional de Porter Wagoner, parceiro importante no início de sua carreira. Com o passar das décadas, a faixa ganhou novas interpretações e passou a representar despedidas em contextos diferentes daquele imaginado originalmente pela compositora.

A lembrança do funeral de Whitney ajuda a explicar por que “I Will Always Love You” também ficou associada à futura despedida de Dolly. Após a morte da cantora, sua equipe utilizou justamente o título da composição em uma publicação oficial no Instagram. O gesto reforçou o peso simbólico de uma música que atravessou diferentes momentos de sua carreira e acabou ligada também ao anúncio de sua morte.

Despedida será reservada

Segundo informações divulgadas pelo TMZ, Dolly Parton será sepultada no mausoléu do Woodlawn Memorial Park, em Nashville, no Tennessee. O local também abriga os restos mortais de Carl Dean, marido da cantora, que morreu no ano passado. Os dois foram casados por quase seis décadas e mantiveram a relação distante da exposição pública durante grande parte desse período, apesar da fama internacional alcançada por Dolly.

A opção por uma cerimônia pequena segue o desejo manifestado pela artista e mantém a despedida concentrada em seus familiares mais próximos. Mesmo com uma carreira de alcance mundial e uma base de admiradores formada durante décadas, a orientação divulgada pela equipe aponta para um funeral privado, evitando transformar a cerimônia familiar em um grande evento público em torno de sua trajetória artística.

Nesse contexto, “If We Never Meet Again” ocupa um espaço diferente de outros sucessos associados a Dolly Parton. Enquanto “Jolene”, “9 to 5” e “I Will Always Love You” se tornaram marcas reconhecidas internacionalmente de seu repertório, o hino escolhido para a despedida remete a uma dimensão mais doméstica, religiosa e familiar de sua história, anterior inclusive à fama conquistada pela cantora.

A cerimônia deve, assim, reunir referências que Parton havia definido muitos anos antes de sua morte. Entre a memória do pai, a ligação com Carl Dean e a presença de uma música que já acompanhou outra despedida da família, o funeral mantém o caráter privado pedido pela artista. Uma escolha planejada com antecedência e explicada pela própria Dolly quando ainda podia falar sobre como gostaria de ser lembrada.

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