O Fake Names está pronto para iniciar uma nova etapa de sua trajetória. O grupo anunciou “Punk Ruins”, terceiro álbum de estúdio e primeiro trabalho de inéditas desde “Expendables”, lançado em 2023. Com lançamento previsto para 23 de outubro pela Epitaph, o disco terá 12 faixas e mantém a proposta de reunir músicos ligados a diferentes momentos do punk e do hardcore. A formação atual conta com Brian Baker, Michael Hampton, Dennis Lyxzén, Johnny Temple e o baterista Mario Rubalcaba, que chega como novidade no conjunto.
A combinação de currículos continua sendo um dos pontos que mais chamam atenção no Fake Names. Baker tem passagens por Bad Religion, Minor Threat e Dag Nasty, enquanto Lyxzén é conhecido principalmente pelo Refused e também pelo INVSN. Em “Punk Ruins”, essas referências aparecem misturadas a guitarras diretas, melodias próximas do power-pop e letras relacionadas ao ambiente político contemporâneo. O anúncio também veio acompanhado do single “Until It’s Normal” e da confirmação de uma série de shows nos Estados Unidos para fevereiro de 2027.
Um encontro de gerações
Criado a partir da ligação entre músicos com décadas de experiência na cena alternativa, o Fake Names nunca funcionou apenas como extensão das bandas de seus integrantes. Desde o início, o projeto busca uma identidade própria, embora elementos do punk de Washington, D.C., do punk britânico dos anos 1970 e do power-pop apareçam de maneira perceptível nas composições. Essa mistura volta a orientar o material preparado para “Punk Ruins”.
O álbum também representa uma mudança na formação com a entrada de Mario Rubalcaba na bateria. Ele se junta a Baker, Hampton, Lyxzén e Temple em uma configuração que mantém o caráter coletivo do grupo. Em vez de concentrar a composição em um único integrante, a banda trabalha a partir da troca de ideias entre músicos que desenvolveram suas carreiras em contextos diferentes dentro do punk, hardcore e rock alternativo.
“Punk Ruins” sucede “Expendables”, disco lançado em 2023 e produzido por Adam “Atom” Greenspan. Naquele trabalho, o Fake Names apresentou uma produção mais limpa e encorpada, sem abandonar a urgência associada ao grupo. Três anos depois, a intenção é explorar novamente esse equilíbrio, desta vez aproximando diversão, agressividade e melodias diretas dentro de uma produção realizada em ritmo acelerado.
Parte desse processo aconteceu antes mesmo de os músicos entrarem em estúdio. A pré-produção foi desenvolvida remotamente, com os integrantes trabalhando ideias e compartilhando arquivos antes do encontro presencial. O método permitiu que o repertório chegasse mais encaminhado às gravações e ajudou a reduzir o tempo necessário para registrar as músicas, algo especialmente útil para uma banda formada por integrantes envolvidos em diferentes projetos.

Disco gravado em cinco dias
As 12 músicas de “Punk Ruins” foram registradas em apenas cinco dias no Electrical Audio, em Chicago. Segundo Brian Baker, Dennis Lyxzén precisou de somente um dia para gravar todos os seus vocais. O ritmo das sessões reforça a proposta de capturar uma execução direta, sem transformar o processo em uma produção excessivamente prolongada. A preparação remota também contribuiu para que a banda entrasse no estúdio com as estruturas previamente definidas.
A primeira amostra dessa fase é “Until It’s Normal”, faixa escolhida para apresentar o álbum. A música abre o repertório com guitarras marcantes e aborda a frustração diante de pessoas que aderem à propaganda fascista contemporânea. O single também ganhou um videoclipe e antecipa a presença de comentários políticos no disco, mantendo uma característica recorrente em diferentes vertentes do punk.
Além do single, o repertório inclui a faixa-título “Punk Ruins”, “Good Old Days”, “Cover The Distance”, “What I Tell Myself”, “Diamond Buzz”, “Language Lost”, “Beautiful Scars”, “If You Could See Me Today”, “The Little Wonders”, “Scream” e “Paradise”. A sequência aponta para um álbum compacto, estruturado em torno da dinâmica das guitarras e de refrões construídos para funcionar sem abandonar a intensidade.
A banda define “Diamond Buzz” como uma composição guiada por um groove hipnótico, enquanto “Punk Ruins” recupera uma energia mais próxima do hardcore de Washington, D.C., com vocais intensos e refrões incisivos. O conjunto pretende traduzir o que os próprios músicos descrevem como uma “sociedade de admiração mútua”, na qual as experiências individuais são utilizadas para construir uma linguagem compartilhada, em vez de simplesmente reproduzir projetos anteriores.
Novas músicas na estrada
O lançamento de “Punk Ruins” também será acompanhado por uma nova passagem do Fake Names pelos palcos norte-americanos. A banda confirmou uma sequência de apresentações para fevereiro de 2027, criando uma oportunidade para levar o repertório recém-lançado ao formato ao vivo poucos meses depois da chegada do álbum. A agenda será concentrada em diferentes cidades dos Estados Unidos.
A excursão começa em 18 de fevereiro, no Brooklyn, e segue por Washington, D.C., Filadélfia, Los Angeles, Minneapolis, Chicago e Detroit. O encerramento está previsto para 28 de fevereiro. Entre as casas anunciadas estão Black Cat, em Washington, The Echo, em Los Angeles, Cobra Lounge, em Chicago, e El Club, em Detroit.
Os shows devem colocar lado a lado músicas dos três discos do grupo, embora “Punk Ruins” naturalmente ocupe espaço importante no repertório. Para uma banda cujos integrantes mantêm compromissos paralelos com outros projetos, uma sequência própria de apresentações também ajuda a consolidar o Fake Names como um trabalho permanente, e não somente como uma reunião ocasional de músicos conhecidos da cena punk.
Com o terceiro álbum, o grupo chega a uma fase em que sua identidade já pode ser observada para além dos nomes envolvidos. A presença de integrantes associados a Bad Religion, Minor Threat e Refused continua funcionando como referência imediata, mas “Punk Ruins” será mais um teste para a personalidade musical construída pelo quinteto. A partir de 23 de outubro, o público poderá conferir como essa combinação aparece nas 12 novas faixas.












