BAYSIDE KINGS LANÇA “ATLAS” E ABRE NOVA FASE NO HARDCORE NACIONAL

Novo disco tem 14 faixas, resgata a ligação com a Baixada Santista e marca o retorno do guitarrista Marcão após oito anos
Bayside Kings lança "ATLAS" e inicia nova fase musical

O Bayside Kings apresenta seu novo álbum, “ATLAS”, trabalho que reúne 14 faixas em 28 minutos e marca um novo capítulo nos 16 anos de trajetória do grupo. Lançado pela Deck e disponível nas plataformas digitais, o disco chega acompanhado do clipe de “SÓ EU SEI E MAIS NINGUÉM”, música escolhida para abrir o repertório. O título do álbum faz referência ao titã Atlas, personagem da mitologia grega condenado por Zeus a sustentar o peso dos céus. A imagem funciona como ponto de partida para letras voltadas às responsabilidades, aos limites e às cargas que fazem parte da vida cotidiana. “Todo mundo tem um pouco de Atlas na própria vida. Todo mundo carrega alguma coisa e tem suas próprias responsabilidades, e só cada um sabe o peso delas”, explica o vocalista Milton Aguiar.

A proposta também passa pela ideia de atravessar fronteiras geográficas, sociais e emocionais, sem deixar de lado a origem do Bayside Kings na Baixada Santista. Essa relação aparece de forma direta em “SÓ EU SEI E MAIS NINGUÉM”, que reúne referências a Santos e ao cotidiano local. O verso “do 1 ao 7”, por exemplo, remete aos canais que cortam a cidade e reforça a intenção do grupo de apresentar suas raízes antes de abordar os caminhos percorridos fora delas. “Antes de falar sobre os limites que queremos romper, fazia sentido começar dizendo de onde a gente veio”, diz Milton. O videoclipe amplia essa conexão ao ter sido gravado no píer de Mongaguá, em um domingo pela manhã, antes da chegada dos banhistas, colocando o litoral como parte do cenário dessa nova etapa. A escolha reforça uma característica do Bayside Kings: usar referências próximas da experiência da banda para ampliar os temas abordados. No novo álbum, a Baixada Santista não aparece apenas como endereço de origem, mas como parte da linguagem e da identidade do grupo.

Um novo momento da banda

A ligação com a praia também ajuda a definir a identidade que o grupo procura reforçar em “ATLAS”. Mesmo com mudanças na sonoridade e na própria formação, o Bayside Kings mantém o hardcore como base enquanto amplia elementos melódicos e rítmicos. “A gente vem da praia. A gente faz hardcore e é totalmente caiçara”, resume Milton Aguiar ao comentar a relação entre o som do grupo e o lugar onde seus integrantes desenvolveram parte de sua história.

Outra mudança importante está na presença de duas guitarras pela primeira vez na discografia do Bayside Kings. A novidade acompanha o retorno do guitarrista Marcão, que volta ao grupo depois de oito anos afastado, acrescentando outra camada à formação atual do quinteto. “ATLAS” surge, assim, como uma atualização da linguagem da banda, construída a partir de referências já reconhecíveis em sua trajetória e de escolhas que apontam para novas possibilidades dentro do hardcore.

A formação atual reúne Milton Aguiar nos vocais, Teteu na guitarra, Manolo no baixo e David Gonzalez na bateria, além do retorno de Marcão. Com esse time, o grupo leva o material novo aos palcos e prepara a apresentação de lançamento do álbum. O show está marcado para 6 de setembro, no Rock in Rio, colocando o disco diante de um público amplo poucos dias depois de sua chegada às plataformas.

Com “ATLAS”, o Bayside Kings conecta a própria origem a uma discussão sobre os pesos individuais que cada pessoa atravessa. A referência mitológica serve menos como elemento distante e mais como metáfora para situações comuns, enquanto Santos, Mongaguá e a cultura caiçara ajudam a manter o trabalho ligado a um território específico. Entre a retomada de um integrante, a expansão das guitarras e a busca por novas texturas, o álbum apresenta o retrato escolhido pela banda para seu momento atual.

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