TOM MORELLO REVELA O QUE PENSA SOBRE UMA POSSÍVEL VOLTA DO RAGE

Questionado sobre uma possível reunião da banda, guitarrista comentou o momento do grupo e colocou alguns pontos na mesa sobre o que pode acontecer daqui para frente.
Rage Against the Machine pode voltar? Morello responde

O futuro do Rage Against the Machine continua cercado de incertezas, e as declarações mais recentes de Tom Morello não devem aumentar a esperança de quem aguarda uma nova reunião. Tom Morello voltou a falar sobre a possibilidade de retomar as atividades com Zack de la Rocha, Tim Commerford e Brad Wilk e apontou dois fatores que tornam esse cenário pouco provável: a baixa frequência de trabalhos do grupo nas últimas décadas e sua própria satisfação com a atual fase da carreira.

Em entrevista a Scott Lipps, Morello lembrou que o último álbum de estúdio do Rage Against the Machine foi lançado há mais de duas décadas e que as apresentações recentes foram poucas. “O Rage Against the Machine lançou seu último álbum há 26 anos, o Rage Against the Machine tocou em 19 shows nos últimos 15 anos, 14 ou 15, algo assim. Sou muito grato que a banda ainda exista nos corações das pessoas, no DNA de rebeldes e roqueiros, ao ponto de você me fazer essa pergunta (sobre um possível retorno).”

Morello fala sobre o futuro

A declaração coloca em perspectiva uma característica que acompanha o Rage Against the Machine desde sua primeira separação, em 2000. Embora o grupo tenha protagonizado reuniões importantes e mantido enorme influência sobre diferentes gerações, sua produção musical permaneceu praticamente congelada. “Renegades”, quarto e último álbum de estúdio, chegou naquele mesmo ano, enquanto as reuniões posteriores ficaram concentradas principalmente em apresentações ao vivo, sem resultar em um novo disco.

Morello também destacou que sua trajetória fora da banda passou a ocupar um espaço importante em sua vida artística. O músico construiu diferentes frentes desde o início do século, incluindo Audioslave, The Nightwatchman, Atlas Underground e trabalhos ao lado de Bruce Springsteen. Esse caminho, segundo ele, ajuda a explicar por que uma eventual volta ao Rage Against the Machine não aparece atualmente como uma necessidade pessoal ou profissional.

“A banda não teve muita atividade ao longo das últimas três décadas e, para mim, nesse intervalo de tempo, seja com o Audioslave, com meu trabalho como The Nightwatchman, com o Atlas Underground ou tocando com o Bruce Springsteen, nunca estive tão empolgado e feliz fazendo música e tocando em shows como agora. Me parece um ótimo lugar para estar.”

A fala não representa um anúncio formal de encerramento definitivo, mas reforça o cenário de indefinição que acompanha o quarteto desde a interrupção da última reunião. Morello evita estabelecer previsões sobre o futuro e, ao mesmo tempo, demonstra estar confortável com sua rotina atual. Assim, qualquer possibilidade de retorno permanece sem calendário, confirmação ou indicação concreta de que os quatro integrantes estejam planejando trabalhar juntos novamente.

O Rage Against the Machine em atividade, cenário que ainda desperta expectativa entre os fãs da banda. (Foto: Reprodução)

Brad Wilk queria a volta

Nem todos os integrantes demonstraram o mesmo distanciamento em relação à possibilidade de uma reunião. Em 2025, Brad Wilk revelou publicamente que gostaria de ver o Rage Against the Machine novamente em atividade. O baterista incluiu esse desejo em uma publicação de aniversário, na qual também abordou conflitos, violência contra crianças e o uso de vidas inocentes em disputas políticas e religiosas.

“O que é isso, outro aniversário!!? Car#lho! Mais um ano, mais desejos. Meus desejos de aniversário… Que parem de espalhar ódio nas crianças ao redor do mundo. Que parem de matar crianças. Que parem de abusar e usar vidas inocentes como peões para avançar interesses de poder político ou religioso. Também desejo que o RATM ainda fosse uma banda ativa! Amor e respeito.”

O comentário mostrou que, pelo menos naquele momento, Wilk mantinha vontade de tocar novamente com seus antigos companheiros. Isso contrasta com a posição mais distante apresentada agora por Morello, embora nenhuma das declarações seja suficiente para determinar sozinha o futuro do grupo. Uma reunião dependeria, naturalmente, da disponibilidade e do interesse conjunto de Zack de la Rocha, Tim Commerford, Morello e Wilk.

A situação também evidencia como os integrantes seguiram caminhos próprios após os períodos de atividade do Rage Against the Machine. Sem uma agenda conjunta anunciada, cada músico passou a concentrar atenção em outros projetos. Dessa forma, manifestações individuais favoráveis a uma reunião mantêm a curiosidade dos fãs, mas não significam necessariamente que existam negociações ou planos para colocar novamente a banda na estrada.

Uma reunião interrompida

A última fase do Rage Against the Machine terminou de maneira diferente do planejado. Em 2022, o grupo estava realizando a turnê de reunião “Public Service Announcement” quando Zack de la Rocha sofreu uma grave lesão no tendão de Aquiles. Mesmo lesionado, o vocalista continuou algumas apresentações sentado, mas posteriormente a banda cancelou os demais compromissos e decidiu não remarcar as datas que haviam sido suspensas.

Nos meses seguintes, as declarações públicas dos integrantes passaram a indicar poucas perspectivas de retomada. No início de 2024, Brad Wilk afirmou que a banda não voltaria aos palcos. Tim Commerford, por outro lado, disse não saber responder sobre o futuro do grupo. Morello adotou uma postura cautelosa e afirmou que “se houver alguma notícia sobre o Rage Against the Machine, você ouvirá de todos os quatro membros da banda”.

Em entrevista concedida à rádio Q101 em 2025, Morello definiu a situação do Rage Against the Machine como “volátil”. O guitarrista também destacou a importância dos últimos shows, especialmente as cinco apresentações esgotadas no Madison Square Garden, em Nova York, considerando que aquela sequência poderia funcionar como uma despedida digna caso o quarteto nunca mais dividisse o palco.

“Da forma como eu vejo, o Rage Against the Machine sempre esteve numa situação meio volátil. O fato de termos feito quatro discos incríveis, de termos tocado em 2022 e de uma nova geração ter tido a chance de nos ver… Mesmo quando Zack estava cantando sentado, foram alguns dos melhores shows do Rage que já fizemos e que realmente geraram conexão com o público. Terminamos com cinco noites esgotadas no Madison Square Garden. Então, se nunca houver outro show, foi uma ótima despedida. Mas, enquanto isso, prometo que eu estarei carregando a tocha de todos aqueles riffs e todo o significado dessas músicas, assim como de outras coisas nas quais estive envolvido. Essa música significa muito para mim e o que ela representa também.”

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