VICTOR BIGLIONE RESGATA SHOW HISTÓRICO EM MONTREUX APÓS 30 ANOS

Guitarrista celebra cinco décadas de carreira com o relançamento de álbum gravado no festival suíço em 1995, em apresentação coproduzida por Quincy Jones.
Victor Biglione relança show histórico no Montreux Jazz

O guitarrista Victor Biglione comemora seus 50 anos de carreira com o relançamento de um registro importante de sua trajetória internacional. O álbum “29º Montreux Jazz Festival (Ao Vivo)”, gravado durante sua apresentação no tradicional festival suíço em 1995, chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, 25 de setembro. Remasterizado por Carlos Mills e disponibilizado pela Mills Records, o trabalho recupera uma apresentação que reuniu jazz, música brasileira e improvisação diante do público europeu, oferecendo uma nova oportunidade de conhecer um capítulo da carreira do instrumentista.

A gravação também chama atenção pela participação de Quincy Jones na coprodução do espetáculo, ao lado de Claude Nobs, fundador do Montreux Jazz Festival, e do próprio Biglione. Três décadas depois da apresentação original, o lançamento permite revisitar o repertório executado pelo guitarrista e seus músicos, agora com tratamento sonoro atualizado. A iniciativa integra as comemorações de seus 50 anos de atividade musical e coloca novamente em circulação um material que documenta a presença da música instrumental brasileira em um dos eventos internacionais mais conhecidos do gênero.

Uma noite histórica em Montreux

Realizado anualmente na Suíça, o Montreux Jazz Festival construiu sua identidade ao receber artistas de diferentes vertentes musicais, ampliando gradualmente sua programação para além do jazz tradicional. Foi nesse ambiente que Victor Biglione se apresentou em 1995, levando ao palco uma proposta instrumental marcada pelo diálogo entre ritmos brasileiros e elementos da linguagem jazzística. A gravação daquela noite deu origem ao álbum que agora retorna ao catálogo digital, preservando um encontro musical ocorrido em um período importante da projeção internacional do guitarrista.

A apresentação contou com uma formação composta por Zé Lourenço nos teclados, João Batista no baixo e Magno Alcântara na bateria. Ao lado de Biglione, os três músicos desenvolveram um repertório que abriu espaço para diferentes combinações rítmicas e intervenções instrumentais. A presença dessa formação é um dos elementos centrais do registro, já que a interação entre guitarra, teclados, baixo e bateria sustenta a proposta musical apresentada ao público do festival.

Outro aspecto do espetáculo foi sua coprodução, assinada por Quincy Jones, Claude Nobs e Victor Biglione. Jones, conhecido por sua atuação como produtor, arranjador e compositor, participou da realização do projeto ao lado do fundador do festival suíço. A colaboração colocou o músico brasileiro em contato com profissionais ligados à história da música internacional, em uma apresentação que passou a integrar sua discografia e sua trajetória nos palcos.

A edição de 1995 também teve uma particularidade fora dos palcos: o pôster oficial daquele ano foi criado por David Bowie. A participação do artista britânico na identidade visual do evento acrescenta outro elemento cultural ao contexto em que o show aconteceu. Embora não esteja diretamente relacionada à gravação de Biglione, a informação ajuda a situar a apresentação dentro de uma edição que reuniu diferentes nomes e expressões artísticas.

Victor Biglione e sua banda nos bastidores de uma apresentação que marcou a presença da música instrumental brasileira no cenário internacional. (Foto: Reprodução)

Repertório entre jazz e Brasil

O álbum reúne interpretações de composições brasileiras e internacionais, além de músicas autorais do guitarrista. Entre as faixas presentes no repertório estão “Cai Dentro” e “Canto de Ossanha”, associadas à obra de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. A escolha dessas composições evidencia a presença da música brasileira no espetáculo, especialmente pela maneira como suas estruturas melódicas e rítmicas permitem diferentes abordagens instrumentais dentro de uma apresentação de jazz.

O repertório também inclui “What Are You Doing the Rest of Your Life?”, composição de Michel Legrand que apresenta uma atmosfera diferente das faixas brasileiras. Sua presença amplia o percurso musical do espetáculo e demonstra a variedade de referências utilizadas por Biglione na construção da apresentação. Ao reunir obras de diferentes origens, o guitarrista desenvolve uma proposta que não se limita a um único estilo, explorando possibilidades de interpretação dentro da formação instrumental.

Entre as composições próprias, “Baião Rio/Montreux” ocupa um espaço significativo no registro. O título estabelece uma ligação entre a tradição rítmica brasileira e o local onde a apresentação aconteceu. Musicalmente, a proposta combina referências do baião com recursos harmônicos associados ao jazz, aproximando duas linguagens presentes na trajetória do guitarrista. A faixa também representa a intenção de apresentar elementos da música brasileira em um contexto internacional, sem abandonar suas características originais.

A combinação entre composições autorais, repertório brasileiro e obras internacionais oferece um panorama das referências que orientaram aquela apresentação. Mais do que registrar a execução de determinadas músicas, o álbum documenta a interação entre instrumentistas diante do público. Esse aspecto ganha relevância em gravações ao vivo, nas quais a interpretação pode assumir caminhos diferentes daqueles encontrados em versões de estúdio, especialmente quando a improvisação faz parte da proposta artística.

Remasterização e lançamento

O relançamento de “29º Montreux Jazz Festival (Ao Vivo)” recebeu um novo trabalho de masterização realizado por Carlos Mills. O processo buscou atualizar a apresentação sonora do material original, permitindo que a gravação de 1995 chegasse às plataformas digitais com tratamento técnico contemporâneo. A iniciativa recupera um registro de três décadas atrás e o disponibiliza em um formato mais acessível ao público atual, incluindo ouvintes que não tiveram contato com o lançamento anteriormente.

Para Biglione, a oportunidade de revisitar o espetáculo também representa uma lembrança da experiência de apresentar música brasileira em um festival internacional. O guitarrista destacou a participação de Quincy Jones na realização do projeto e comentou o resultado do trabalho desenvolvido por Carlos Mills para esta nova edição do álbum.

“Foi uma aventura maravilhosa poder levar o jazz brasileiro para um dos maiores festivais do mundo e ainda com a coprodução do Quincy Jones. E essa remasterização está espetacular, com o que tem de melhor em tecnologia de hoje em dia, feita pelo Carlos Mills com a Mills Records”, conta Biglione.

O álbum chega às plataformas digitais em 25 de setembro, pela Mills Records, integrando as celebrações dos 50 anos de carreira do guitarrista. O lançamento permite que uma apresentação realizada em 1995 volte a circular entre diferentes gerações de ouvintes, preservando um registro da música instrumental brasileira no exterior. Para ouvir “29º Montreux Jazz Festival (Ao Vivo)”, o público pode acessar o endereço https://mills-records.lnk.to/MontreuxIN. Informações sobre o músico e suas atividades também estão disponíveis em seu perfil oficial no Instagram, @victorbiglione.

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