VELUDO AZUL LANÇA PARATEMPOS, SEU PRIMEIRO ÁLBUM DE MÚSICAS AUTORAIS

Banda reúne influências do rock dos anos 60 e composições narrativas em um trabalho que aborda memória, cotidiano e passagem do tempo.
Veludo Azul lança Paratempos, seu primeiro álbum autoral

A banda Veludo Azul apresenta Paratempos, seu primeiro álbum dedicado inteiramente a composições autorais. O trabalho dá continuidade à proposta musical desenvolvida no EP Cinco Contos, lançado em 2024, e reúne canções que exploram diferentes percepções sobre o tempo, a memória e as experiências cotidianas. Com referências ao rock dos anos 1960, o grupo aposta em uma sonoridade que combina elementos clássicos do gênero com arranjos construídos coletivamente. As letras seguem uma abordagem narrativa, utilizando pequenas histórias, situações e descrições para desenvolver reflexões sobre permanências, mudanças e relações humanas. Essa característica aproxima as músicas de relatos que, embora partam de experiências particulares, também encontram espaço em situações comuns à vida de diferentes ouvintes. O resultado é um repertório que procura estabelecer conexões entre lembranças, acontecimentos presentes e as transformações que acompanham a passagem dos anos, sem abandonar a identidade musical apresentada anteriormente pela banda.

Em Paratempos, a Veludo Azul trabalha com diferentes atmosferas musicais, alternando momentos introspectivos e passagens de maior intensidade. Essa dinâmica acompanha o conteúdo das composições, que utilizam acontecimentos aparentemente simples como ponto de partida para observar questões relacionadas à memória e ao cotidiano. A influência do rock sessentista aparece como uma das principais referências estéticas do disco, mas não limita a construção dos arranjos, que também incorporam contribuições dos músicos envolvidos na gravação. A proposta mantém uma ligação com o caráter narrativo de Cinco Contos, ao mesmo tempo em que amplia o espaço para novas possibilidades de interpretação e desenvolvimento instrumental. Dessa maneira, o álbum representa uma nova etapa na trajetória autoral do grupo, reunindo ideias que dialogam entre si sem necessariamente seguir uma história única. A passagem do tempo funciona como elemento de conexão entre as faixas e ajuda a organizar o conceito apresentado no lançamento.

Veludo Azul explora memória e passagem do tempo em seu primeiro álbum autoral, Paratempos. (Foto: Divulgação)

Rock, memória e identidade

A formação da Veludo Azul reúne Emil Kopaz, Felipe Fretin e Sérgio Hime, responsáveis pela identidade artística do projeto. Para a realização de Paratempos, o trio contou com a colaboração de outros músicos, ampliando as possibilidades de instrumentação e construção sonora. Kaneo Ramos participou da produção e assumiu o baixo, enquanto Clayton Martin ficou responsável pela bateria. O trabalho também inclui Renan Cacossi na flauta e Gustavo Santiago na cítar, instrumentos que acrescentam diferentes texturas aos arranjos e contribuem para a diversidade musical presente na proposta do disco.

A presença desses colaboradores permite que o repertório explore combinações instrumentais que vão além da formação tradicional do rock. A flauta e a cítar, por exemplo, oferecem possibilidades de contraste com os elementos elétricos associados ao gênero, criando espaço para diferentes camadas sonoras. Essa escolha dialoga com a variedade de influências que marcaram o rock dos anos 1960, período em que artistas e bandas passaram a experimentar instrumentos, estruturas e referências de outras tradições musicais. No caso da Veludo Azul, essas contribuições integram a construção coletiva das canções.

Outro aspecto central de Paratempos está na maneira como as letras apresentam suas histórias. Em vez de depender exclusivamente de declarações diretas, as composições recorrem a anedotas e descrições para desenvolver seus temas. A abordagem permite tratar assuntos como lembranças, transformações pessoais e passagem do tempo a partir de acontecimentos cotidianos. O recurso já estava presente em Cinco Contos e permanece como uma característica da escrita do grupo. Assim, o novo álbum estabelece uma continuidade entre os dois lançamentos, preservando elementos da proposta anterior.

Com seu primeiro disco autoral, a Veludo Azul amplia o repertório apresentado desde o EP de 2024 e organiza suas referências em torno de um conceito comum. O álbum reúne diferentes formas de observar o tempo, seja pelas lembranças que permanecem, seja pelas mudanças que surgem ao longo da vida. Entre momentos de introspecção e arranjos mais intensos, Paratempos apresenta uma proposta musical sustentada pela interação entre seus integrantes e convidados. O lançamento também marca um novo capítulo na discografia da banda, agora com um trabalho completo dedicado às próprias composições.

Leia Também:

Deixe um comentário