SLIPKNOT SURPREENDE AO EMBALAR CAMPANHA DA GUCCI COM CLÁSSICO DE 1999

Marca italiana aposta em faixa pesada para trilha de campanha de luxo dirigida por cineasta renomado
Slipknot entra em campanha da Gucci com clássico de 1999

A relação entre moda de luxo e música sempre foi marcada por escolhas cuidadosamente alinhadas ao posicionamento estético das marcas. No entanto, a mais recente campanha da Gucci chamou atenção por quebrar expectativas ao incluir uma faixa de metal extremo em sua trilha sonora. O comercial, que integra a coleção pré-outono da grife, apresenta o clássico “(sic)”, da banda Slipknot, originalmente lançado em 1999.

A decisão inusitada rapidamente gerou repercussão entre fãs de música e moda, ampliando o alcance da campanha e reforçando a tendência de cruzamento entre universos culturais distintos. Dirigido pelo cineasta Jonathan Glazer, o vídeo aposta em uma estética onírica e cinematográfica para criar uma narrativa que dialoga com o inesperado — tanto visual quanto sonoramente.

campanha aposta em contraste estético e narrativo

O comercial apresenta uma sequência de cenas que se desenrolam em um ambiente sofisticado, com modelos que despertam em um hotel após serem convocadas para um suposto compromisso profissional. A atmosfera construída é marcada por um clima de mistério e deslocamento, características frequentemente exploradas nas campanhas recentes da marca italiana.

Em um dos momentos mais marcantes, duas modelos aparecem em um carro suspenso no ar, iluminadas pela luz da lua, criando uma composição visual surreal. É nesse ponto que “(sic)” entra como trilha sonora, intensificando o contraste entre a estética refinada da campanha e a agressividade sonora do metal.

A escolha da música não parece aleatória. A sonoridade crua e visceral da faixa adiciona uma camada de tensão e energia à narrativa, rompendo com a previsibilidade que muitas vezes caracteriza campanhas de moda de alto padrão. Ao final do vídeo, as personagens se reúnem para um momento de celebração noturna, com passos iluminados por holofotes em uma rua escura, mantendo o clima cinematográfico até o encerramento.

clássico do slipknot ganha novo contexto cultural

Lançada no álbum de estreia homônimo do Slipknot, em 1999, “(sic)” nunca foi oficialmente trabalhada como single. Ainda assim, a faixa se consolidou como uma das mais reconhecidas da banda ao longo dos anos, especialmente entre os fãs do metal alternativo e do nu metal.

A inclusão da música em uma campanha de uma marca como a Gucci demonstra como determinadas obras musicais podem transcender seu contexto original e alcançar novos públicos. O uso de “(sic)” reforça a ideia de que o metal, frequentemente associado a nichos específicos, possui potencial de diálogo com outros segmentos culturais.

Esse tipo de movimento também evidencia uma mudança na forma como a indústria da moda se relaciona com a música. Em vez de recorrer apenas a trilhas sonoras tradicionais ou previsíveis, marcas têm buscado elementos que causem impacto e gerem discussão, ampliando sua relevância em ambientes digitais e redes sociais.

trilha sonora mistura metal com referências clássicas

Além da faixa do Slipknot, a campanha incorpora outras duas músicas que seguem uma linha estética mais convencional. Entre elas está “Un bacio e troppo poco”, da cantora italiana Mina, conhecida por sua longa trajetória na música europeia.

Também integra a trilha a canção “Hier encore”, do artista franco-armênio Charles Aznavour, cuja obra é amplamente reconhecida no cenário internacional. A combinação dessas músicas cria um contraste sonoro que reforça a proposta conceitual da campanha, equilibrando tradição e ruptura.

A presença dessas três faixas distintas sugere uma curadoria pensada para dialogar com diferentes públicos e sensibilidades. Enquanto Mina e Aznavour representam uma estética mais clássica e sofisticada, “(sic)” introduz um elemento disruptivo, capaz de chamar atenção e gerar engajamento.

Esse tipo de abordagem evidencia como campanhas publicitárias contemporâneas têm se tornado espaços de experimentação artística, onde música, cinema e moda se encontram de maneira cada vez mais integrada. No caso da Gucci, a aposta parece ter atingido o objetivo de provocar e surpreender, ampliando o alcance da marca para além de seus consumidores tradicionais.

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