A sensação de perceber que uma nova geração já ocupa espaços importantes costuma causar certo impacto — seja no trabalho, no esporte ou na cultura. Na música, esse fenômeno também se manifesta de forma cada vez mais evidente. Bandas formadas por adolescentes não apenas surgem, como passam a disputar atenção com artistas experientes. Um dos exemplos mais recentes vem de Los Angeles, onde o grupo XCOMM começa a chamar atenção por sua proposta direta e pela idade de seus integrantes.
Formado por jovens músicos da região de Venice Beach, o quinteto reúne integrantes com idades entre 14 e 20 anos. O destaque inicial recai sobre o baterista Revel Ian, de apenas 14 anos, apontado como líder da banda. Ao lado dele estão Jay Vargas, guitarrista de 15 anos, o baixista Adan Escoto, de 16, o vocalista Michael Gatto, de 19, e o DJ Hunter Grogan, de 20.
Apesar da pouca idade média, o grupo demonstra ambição e já se prepara para lançar seu primeiro álbum completo, “Time to Burn”, previsto para o dia 22 de maio. O título, que pode ser traduzido livremente como “Hora de Botar Fogo”, sintetiza a proposta sonora do conjunto: intensidade, urgência e energia crua.
juventude e formação acelerada na cena hardcore
O XCOMM foi criado em 2023 e, até o momento, lançou cinco singles que ajudaram a consolidar sua presença inicial na cena underground norte-americana. Mesmo com uma discografia ainda enxuta, a banda já começa a ser tratada como uma promessa dentro do hardcore contemporâneo.
A trajetória acelerada chama atenção não apenas pelo volume de lançamentos em pouco tempo, mas também pela consistência estética. Nas músicas divulgadas até agora, é possível identificar elementos clássicos do hardcore dos Estados Unidos, com riffs diretos, bateria agressiva e vocais intensos.
Em entrevistas, os integrantes demonstram familiaridade com referências históricas do gênero, citando nomes como Black Flag, Misfits, Circle Jerks e Fugazi como influências fundamentais. Essa conexão com o passado do hardcore ajuda a contextualizar o som do grupo, que busca dialogar com tradições estabelecidas ao mesmo tempo em que incorpora a energia da nova geração.
A juventude dos músicos também se reflete na abordagem criativa. A urgência típica da adolescência aparece tanto na execução quanto na construção das músicas, criando uma identidade marcada por velocidade e impacto imediato.

influências modernas e conexões familiares
Além das referências clássicas, o XCOMM também demonstra sintonia com bandas mais recentes. Um dos nomes citados como influência direta é o Turnstile, grupo que ganhou projeção global ao expandir as fronteiras do hardcore nos últimos anos.
Segundo relatos da própria banda, foi após assistir a um show do Turnstile, em 2022, que Revel Ian decidiu formar o XCOMM. O momento acabou se tornando um marco na trajetória do jovem baterista, que então tinha cerca de 10 anos.
Outro elemento que chama atenção é o contexto familiar de Revel. Ele é filho de Scott Ian, guitarrista do Anthrax e figura histórica do thrash metal. A ligação inevitavelmente gera curiosidade, mas a recepção inicial ao XCOMM sugere que a banda busca se afirmar por mérito próprio.
A influência de Scott Ian, somada ao impacto de bandas contemporâneas, ajuda a explicar a fusão de referências presente no som do grupo. Há uma base sólida no hardcore tradicional, mas também uma abertura para abordagens mais modernas e dinâmicas.
álbum de estreia e expectativa crescente
O lançamento de “Time to Burn” marca um ponto decisivo na trajetória do XCOMM. Com previsão para 22 de maio, o disco será o primeiro trabalho completo da banda e chega cercado por expectativa dentro da cena alternativa.
Recentemente, o grupo divulgou o single “Borrowed Happiness”, última prévia antes do álbum. A faixa mantém a linha agressiva já apresentada nos lançamentos anteriores, reforçando a identidade sonora construída desde o início do projeto.
A produção do disco fica por conta de Ross Robinson, conhecido por trabalhos com bandas que ajudaram a redefinir o rock pesado no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. Sua assinatura já pode ser percebida na sonoridade do novo single, que apresenta peso e intensidade comparáveis a produções marcantes de sua carreira.
O álbum será lançado pela Blowed Out Records, selo que reúne nomes de diferentes vertentes da música alternativa, incluindo o rapper Ghostemane e o veterano da indústria Bill Armstrong. A escolha do selo indica uma estratégia de posicionamento que busca dialogar com públicos diversos dentro do universo alternativo.
Apesar das conexões e do contexto que envolve seus integrantes, a recepção ao XCOMM tem se concentrado principalmente na energia das apresentações e na força das composições. Os shows da banda têm sido descritos como intensos, refletindo a disposição típica de artistas em início de carreira.
Com poucos lançamentos até agora, mas uma resposta crescente do público, o grupo entra em uma fase decisiva. O desempenho de “Time to Burn” deve indicar se o XCOMM conseguirá consolidar sua posição como uma das novas forças do hardcore norte-americano.



