Maria Bethânia segue inspirando diferentes formas de expressão artística. Para celebrar os 80 anos da cantora, completados em 18 de junho, Salvador receberá a exposição “Abelha rainha – Vida, música, amor e poesia”, projeto idealizado pelo fotógrafo e curador Mário Edson. A mostra reúne fotografias, pinturas, desenhos e cerâmicas produzidos por 25 artistas visuais, em sua maioria baianos, que buscaram retratar a força estética e simbólica da intérprete ao longo de mais de seis décadas de carreira.
A abertura oficial acontece em 22 de julho, durante uma vernissage na galeria Me Ateliê da Fotografia, localizada no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, um dos pontos históricos da capital baiana. A proposta vai além de apresentar retratos da artista: o objetivo é traduzir em imagens aspectos que marcaram sua trajetória, como a espiritualidade, a ancestralidade, a poesia e a relação profunda com a cultura brasileira. A exposição também reforça a importância de Bethânia para diferentes gerações de artistas e evidencia como sua obra continua influenciando a produção cultural do país.
A homenagem em imagens
A exposição reúne trabalhos desenvolvidos especialmente para homenagear Maria Bethânia. Entre pinturas, fotografias, desenhos e peças em cerâmica, cada artista apresenta uma interpretação própria da cantora, destacando diferentes momentos e características de sua trajetória artística.
A obra utilizada como destaque da divulgação da mostra é assinada pelo artista visual Wagner Lacerda, que apresenta uma leitura marcada pela força da presença cênica da intérprete. O conjunto da exposição, entretanto, procura mostrar que Bethânia ultrapassa a condição de cantora para ocupar um espaço de referência na cultura brasileira.
Segundo os organizadores, a intenção foi transformar em linguagem visual elementos que acompanham a artista desde o início da carreira. Sua relação com a poesia, a religiosidade, as tradições afro-brasileiras e a literatura aparece como ponto de partida para diversas criações.
A proposta também evidencia como diferentes linguagens artísticas dialogam com a obra da cantora. Em vez de reproduzir apenas retratos fiéis, muitos trabalhos optam por interpretações simbólicas que remetem ao universo construído por Bethânia em seus espetáculos e discos.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, a artista consolidou uma identidade própria dentro da música brasileira. Seu modo de interpretar canções e poemas, aliado à presença marcante nos palcos, tornou-se uma das inspirações centrais da exposição, que busca apresentar esse legado por meio das artes visuais.

Artistas celebram Bethânia
Ao todo, 25 artistas visuais participam da mostra. A maioria possui ligação com a Bahia, estado natal de Maria Bethânia e também palco de boa parte das referências culturais presentes em sua obra.
Participam da exposição Ana Kruschewsky, Bernardo Tochilowisky, Bianca Branco, Cláudio das Virgens, Franklin Jazz Viana, Izabel Andion, Jacy Gordinho, Juli Gomes, Juray Castro, Leo Furtado, Luiz Bhering, Marianna Pedreira, Mário Edson, Manuela Hereda, Neia de Taiobeiras, Pablo Araújo, Patricia Dieder Dalmas, Preta, Reinaldo Giarola, Rejane Alice, Roberto Faria, Rodrigo Nery, Rogério Silva, Suy Andrade e Wagner Lacerda.
Cada participante contribui com uma obra que procura dialogar com diferentes aspectos da personalidade artística de Bethânia. Em alguns casos, a inspiração vem da intensidade de suas apresentações; em outros, da relação entre música, literatura e espiritualidade presente em sua produção.
Os organizadores destacam que a diversidade de técnicas também faz parte da proposta da exposição. Ao reunir linguagens distintas, a mostra pretende demonstrar como a influência da cantora alcança diferentes campos da arte contemporânea.
A iniciativa reforça ainda o papel de Maria Bethânia como figura central da cultura nacional. Sua produção musical continua sendo estudada, reinterpretada e utilizada como fonte de inspiração por artistas de várias gerações, o que ajuda a explicar a amplitude do projeto desenvolvido para celebrar seus 80 anos.
Visitação já tem datas
Depois da abertura oficial em 22 de julho, a exposição permanecerá aberta ao público entre 24 de julho e 24 de setembro. Durante esse período, a visitação acontecerá de sexta-feira a domingo, sempre das 16h às 19h, na galeria Me Ateliê da Fotografia, em Salvador.
A entrada será gratuita, permitindo que moradores e turistas tenham acesso às obras produzidas especialmente para a homenagem. A expectativa dos organizadores é receber visitantes interessados tanto na carreira de Maria Bethânia quanto na produção artística contemporânea desenvolvida na Bahia.
Além da comemoração pelos 80 anos da cantora, a iniciativa também valoriza o trabalho de artistas visuais que encontram na música brasileira uma importante fonte de inspiração. A reunião de diferentes estilos e técnicas amplia as possibilidades de leitura da trajetória da homenageada.
A proposta da exposição dialoga diretamente com a importância que Bethânia conquistou desde a década de 1960. Reconhecida por unir música, poesia e interpretação de forma singular, ela permanece como uma das artistas mais influentes do país, mantendo uma produção respeitada e uma presença constante na memória cultural brasileira.
Ao transformar essa trajetória em pinturas, fotografias, desenhos e esculturas em cerâmica, “Abelha rainha – Vida, música, amor e poesia” oferece ao público uma oportunidade de observar a artista sob novos pontos de vista. Mais do que celebrar um aniversário marcante, a mostra destaca como Maria Bethânia continua despertando interesse, inspiração e novas leituras dentro e fora da música, reafirmando seu espaço entre os grandes nomes da cultura brasileira.



