BRASÍLIA RECEBE SEMINÁRIO INTERNACIONAL PARA DEBATER O FUTURO DO ROCK

Evento gratuito reúne artistas, pesquisadores, gestores culturais e profissionais do setor para discutir o rock como patrimônio cultural, desenvolvimento econômico, inclusão social e integração latino-americana entre os dias 10 e 12 de julho.
Seminário Mercosul do Rock acontece em Brasília

Brasília será palco de um importante encontro dedicado à reflexão sobre o papel do rock na cultura latino-americana. Entre os dias 10 e 12 de julho, o Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, recebe a primeira edição do Seminário Mercosul do Rock: Patrimônio, Resistência e Arte na América Latina, iniciativa que busca ampliar o debate sobre o gênero para além da música, abordando sua relevância histórica, social, econômica e cultural.

Realizado pelo coletivo Setorial Cultura Rock, em parceria com a Associação de Arte e Cultura de Ceilândia (AACUC), o evento reunirá músicos, pesquisadores, produtores culturais, gestores públicos e representantes da cena independente para discutir caminhos que fortaleçam o reconhecimento institucional do rock em diferentes países da América Latina. A programação inclui palestras, painéis, oficinas de capacitação, exposições e apresentações musicais, com atividades presenciais e transmissão online, permitindo a participação de interessados de diversas regiões.

O rock além dos palcos

Mais do que celebrar um gênero musical, o seminário pretende estimular discussões sobre o papel do rock como patrimônio cultural e elemento de transformação social. A proposta é construir estratégias capazes de fortalecer políticas públicas, incentivar a economia criativa e ampliar o reconhecimento do segmento em âmbito nacional e latino-americano.

O encontro é resultado de um trabalho desenvolvido pelo Setorial Cultura Rock, movimento que atua nacionalmente em defesa da valorização do gênero por meio de iniciativas voltadas à preservação de sua memória e ao fortalecimento de sua cadeia produtiva. Entre os projetos desenvolvidos pelo coletivo estão a Conferência Livre Nacional do Rock, o Inventário Participativo do Rock, o Mapa do Rock Brasil e a websérie Setorial Rock Shots.

A realização do seminário também ocorre em um momento considerado importante para o reconhecimento institucional do rock. No Distrito Federal, o gênero já foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial por meio da Lei nº 5.615/2016. Mais recentemente, a Lei nº 7.386/2024 instituiu oficialmente o Dia do Rock Brasiliense, celebrado em 27 de março.

Em âmbito nacional, o Projeto de Lei nº 4.354/2024, apresentado pela deputada federal Erika Kokay e elaborado a partir de estudos técnicos conduzidos pelo Setorial Cultura Rock, propõe o reconhecimento oficial do rock como manifestação da cultura brasileira.

Para João Mancha, diretor-presidente do Setorial Cultura Rock e coordenador-geral do seminário, a discussão ultrapassa os limites do entretenimento.

“Já passou da hora de pensarmos o Rock para além da música. Ao longo de sua história nas Américas, o Rock consolidou-se como uma expressão de identidade, liberdade e resistência, conectando diferentes povos, culturas e gerações. Trata-se de uma cultura viva, transversal e transformadora, capaz de fortalecer identidades, inspirar comportamentos, impulsionar a economia criativa e contribuir para o desenvolvimento econômico, humano e social.”

Painéis e debates reúnem especialistas, artistas e gestores para discutir o papel do rock como patrimônio cultural e ferramenta de transformação social.

Debates e qualificação

A programação foi estruturada em três grandes eixos temáticos. O primeiro aborda o rock como manifestação de resistência política durante os períodos de ditadura militar vividos por diversos países latino-americanos entre as décadas de 1960 e 1980, analisando como artistas utilizaram a música como instrumento de contestação, liberdade de expressão e mobilização social.

O segundo eixo volta a atenção para a contemporaneidade, discutindo diversidade cultural, inclusão social, profissionalização do mercado musical, representatividade, ancestralidade indígena, negritude e novas possibilidades para a economia criativa ligada ao rock.

Já o terceiro propõe um diálogo entre Brasil e os demais países do Mercosul, incentivando o intercâmbio de experiências entre músicos, pesquisadores, historiadores e produtores culturais, fortalecendo redes de cooperação internacional.

Além das mesas de debate, o seminário oferecerá oficinas presenciais voltadas à capacitação de artistas e profissionais da música. Cada atividade contará com 45 vagas preenchidas por ordem de inscrição.

Entre os temas estão Gestão de Redes Sociais e Tráfego Pago para Bandas e Produtores, Estratégias de Comunicação e Imprensa para Bandas e Festivais, Boas Práticas de Palco para Músicos e Técnicos e Economia Criativa aplicada ao mercado musical.

A proposta é fornecer ferramentas práticas para fortalecer a atuação profissional dos participantes em diferentes áreas da cadeia produtiva da música.

Programação reúne shows

A abertura oficial acontece na sexta-feira, 10 de julho, com uma mesa de debates e a exibição do vídeo temático Mostra Rock Mercosul. Nos dois dias seguintes, a programação será ampliada com painéis, workshops, exposições e atividades culturais distribuídas pelos diferentes espaços do complexo cultural.

Durante as tardes, a Sala Multiuso receberá apresentações de DJs e performances artísticas que funcionarão como intervalos culturais entre as atividades acadêmicas e técnicas. Já à noite, o Galpão Hugo Rodas será palco de apresentações de bandas representativas da cena independente.

Entre os nomes confirmados estão Mitsein, Amazing, Podrera, Evil Corpse, Faces dos Caos e Detrito Federal, reforçando a proposta de integrar reflexão, formação profissional e apresentações ao vivo dentro de um mesmo evento.

Toda a programação será gratuita, tanto para o público presencial quanto para quem optar por acompanhar parte das atividades pela internet.

O seminário também busca ampliar o diálogo entre diferentes gerações da cena rock, aproximando pesquisadores, artistas, produtores, estudantes e gestores públicos em torno de debates sobre memória, preservação cultural e desenvolvimento sustentável da música.

Como resume o lema escolhido para esta primeira edição do encontro:

“O Rock une fronteiras. A cultura constrói pontes.”

A programação completa, horários das atividades e inscrições para palestras e oficinas estão disponíveis nos canais oficiais do Setorial Cultura Rock.


SERVIÇO

Evento: 1º Seminário Mercosul do Rock: Patrimônio, Resistência e Arte na América Latina

Datas: 10, 11 e 12 de julho de 2026

Local: Espaço Cultural Renato Russo – CLS 508 Sul, Brasília (DF)

Entrada: Gratuita

Realização: Setorial Cultura Rock e Associação de Arte e Cultura de Ceilândia (AACUC)

Inscrições: palestras presenciais, online e oficinas disponíveis nos canais oficiais do evento.

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