JOHN CARMACK COMENTA DEMISSÕES NA ID SOFTWARE APÓS CORTES DA XBOX

Cofundador da id Software lamenta as demissões promovidas pela reestruturação da Xbox, mas avalia que fatores econômicos podem ter pesado na decisão da Microsoft.
John Carmack comenta demissões na id Software

John Carmack, um dos fundadores da histórica id Software, se manifestou sobre a onda de demissões que atingiu o estúdio após a ampla reestruturação promovida pela divisão Xbox da Microsoft. A empresa confirmou milhares de desligamentos em diferentes equipes, incluindo desenvolvedoras de peso como Bethesda, Blizzard, Activision e King. Entre os estúdios mais afetados está justamente a id Software, responsável por franquias que ajudaram a definir o gênero de tiro em primeira pessoa, como Doom e Quake.

Em uma publicação nas redes sociais, Carmack afirmou estar entristecido com a situação, embora tenha evitado direcionar críticas diretas à administração da Microsoft. O desenvolvedor reconheceu que não conhece os números internos da companhia, mas ponderou que decisões desse porte normalmente são motivadas por questões financeiras. As declarações surgem poucos dias depois de John Romero, também cofundador da id Software, demonstrar solidariedade aos profissionais dispensados e defender a importância histórica do estúdio para a indústria dos videogames.

O impacto na id Software

A reestruturação anunciada pela nova liderança da Xbox prevê milhares de demissões distribuídas ao longo dos próximos meses. Além dos cortes de pessoal, algumas desenvolvedoras deverão seguir caminhos independentes ou passar para outras estruturas de administração fora da divisão Xbox.

Os efeitos também chegaram aos principais estúdios ligados à marca. Equipes pertencentes à Activision, Bethesda/ZeniMax, Blizzard, King e Xbox Game Studios foram incluídas no processo de reorganização. No caso da id Software, os números chamaram atenção por causa da proporção das dispensas.

Segundo informações divulgadas em um aviso oficial de desligamentos, 136 profissionais perderam seus empregos na empresa, sendo 96 funcionários do escritório no Texas e outros 40 colaboradores em regime remoto. Considerando que a desenvolvedora contava com aproximadamente 185 empregados no fim de 2025, restariam cerca de 49 pessoas na equipe.

A dimensão das demissões levou ex-integrantes da empresa a classificarem a situação como um verdadeiro “banho de sangue”, expressão que rapidamente repercutiu entre profissionais da indústria e comunidades de jogadores. O cenário também levantou dúvidas sobre o futuro da desenvolvedora, considerada uma das empresas mais influentes da história dos games.

As demissões ocorreram praticamente ao mesmo tempo em que a id Software disponibilizou Revelations, expansão de Doom: The Dark Ages, título lançado no ano anterior e recebido de forma positiva pela crítica e pelo público.

John Carmack comentou os cortes na id Software e defendeu uma análise baseada também nos desafios econômicos da indústria de games. (Foto: Reprodução)

Carmack evita ataques

Após a repercussão das declarações de John Romero, foi a vez de John Carmack comentar publicamente o assunto. O programador revelou que teve dificuldade para encontrar palavras que representassem sua visão sobre os acontecimentos.

“Tenho tentado encontrar algo significativo para dizer sobre as demissões na id Software”, escreveu.

Em seguida, fez referência a uma declaração antiga sobre a compra da desenvolvedora pela Microsoft.

“Minha afirmação de que ‘a Microsoft provavelmente seria uma boa guardiã da marca’ não está envelhecendo bem, e isso certamente vai diminuir o clima do reencontro dos fundadores na QuakeCon no próximo mês.”

Apesar da frustração demonstrada, Carmack afirmou que sua reação não é de revolta.

“Estou triste, mas não consigo sentir raiva ou indignação por causa disso.”

Segundo ele, é difícil avaliar a decisão sem conhecer os dados financeiros internos da empresa. O desenvolvedor acredita que a id Software talvez representasse apenas uma operação de importância limitada dentro da estrutura da Microsoft.

Carmack também citou relatos de que a receita gerada por Minecraft ajudaria a sustentar diversos outros estúdios da companhia, reforçando a ideia de que resultados comerciais continuam sendo determinantes para investimentos em grandes empresas do setor.

Economia pesa no futuro

Ao aprofundar sua análise, Carmack destacou que qualidade e reconhecimento por parte do público nem sempre garantem a sustentabilidade financeira de um estúdio. Para ele, a indústria de jogos enfrenta uma competição intensa pela atenção e pelo dinheiro dos consumidores.

“Para continuarem sendo produzidos no longo prazo, os jogos precisam ter sucesso, não apenas serem amados.”

Na sequência, ele ponderou que é sempre possível imaginar erros de gestão, mas alertou contra conclusões precipitadas.

“Você não pode descartar a possibilidade de que executivos sejam incompetentes, mas essa não deveria ser sua crença padrão.”

O desenvolvedor afirmou ainda que não enxerga uma solução evidente capaz de dobrar a receita gerada pelos títulos da id Software. Em sua avaliação, diversas perguntas permanecem sem resposta: uma estratégia diferente de preços poderia ter aumentado as vendas? Haveria produtos adicionais capazes de ampliar a receita junto aos fãs? Seria possível investir em marketing mais eficiente para alcançar novos jogadores? Ou até adaptar parte do design dos jogos para atrair um público maior sem afastar os fãs tradicionais?

Sobre essas possibilidades, Carmack reconheceu que não possui elementos suficientes para responder.

“Eu realmente não sei.”

Mesmo diante do cenário delicado, o cofundador preferiu encerrar sua mensagem com uma visão menos pessimista sobre o futuro da empresa.

“O jogo ainda não acabou, e espero que o estúdio consiga se recuperar.”

A declaração resume um sentimento compartilhado por muitos profissionais da indústria: embora a reestruturação represente um momento difícil para a id Software, o legado construído pelo estúdio ao longo de décadas permanece como uma das referências mais importantes da história dos videogames.

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