NOTHING CONFIRMA RETORNO AO BRASIL EM 2027 COM SHOW EM SÃO PAULO

Banda norte-americana retorna ao Fabrique Club em março para apresentar o álbum a short history of decay, trabalho que amplia suas experimentações dentro do shoegaze.
Nothing volta ao Brasil em 2027 para show em São Paulo

O Nothing já tem data marcada para reencontrar o público brasileiro. A banda norte-americana de shoegaze retorna a São Paulo no dia 6 de março de 2027, para uma apresentação única no Fabrique Club, na Barra Funda. O show integra uma turnê pela América Latina e marca a segunda passagem do grupo pelo país, quatro anos depois de sua estreia brasileira, realizada no mesmo espaço. A produção fica novamente sob responsabilidade da Powerline Music & Books, desta vez em parceria com a ND Productions.

Formado na Filadélfia, o Nothing ganhou espaço na cena alternativa ao combinar guitarras distorcidas, atmosferas melancólicas e elementos herdados do hardcore. O retorno acontece durante a divulgação de a short history of decay, quinto álbum de estúdio do grupo, lançado em fevereiro de 2026. O disco recebeu avaliações positivas da imprensa especializada e apresenta novas possibilidades sonoras para uma banda frequentemente associada ao ressurgimento do shoegaze contemporâneo. Os ingressos para a apresentação paulista já estão disponíveis pela plataforma Fastix.

Um novo capítulo sonoro

Lançado em 27 de fevereiro de 2026 pelo selo Run For Cover Records, a short history of decay representa uma nova etapa na discografia do Nothing. O trabalho foi composto e produzido pelo vocalista Domenic “Nicky” Palermo em parceria com Nicholas Bassett, guitarrista do Whirr e antigo baixista do grupo. As gravações aconteceram no Sonic Ranch, complexo de estúdios localizado no Texas, próximo à fronteira mexicana, enquanto a mixagem contou com a participação de Sonny Diperri, conhecido por trabalhos com o DIIV.

O álbum apresenta uma abordagem menos previsível das características que consolidaram a identidade musical da banda. Embora as camadas de guitarra continuem presentes, as composições incorporam recursos eletrônicos, instrumentação acústica e arranjos que modificam a dinâmica tradicional do grupo. Para Palermo, o lançamento representa o encerramento de um ciclo iniciado com Guilty of Everything, estreia de 2014. A temática do desgaste emocional e da passagem do tempo atravessa as músicas, estabelecendo conexões entre diferentes momentos de sua trajetória.

A recepção internacional destacou justamente essa variedade. A revista britânica Kerrang! descreveu o lançamento como o conjunto de composições mais diversificado da carreira do Nothing, enquanto a DIY atribuiu quatro estrelas ao disco. Já a Dork apontou o projeto como o trabalho mais ambicioso do grupo. A Apple Music relacionou a abertura, “Never Come Never Morning”, à grandiosidade sonora encontrada em determinadas gravações do U2 e do Smashing Pumpkins, ressaltando a dimensão dos arranjos.

Essa diversidade aparece nas próprias faixas. “Cannibal World” e “Toothless Coal” combinam programações eletrônicas derivadas da bateria de Zachary Jones com guitarras associadas à tradição do My Bloody Valentine. Em contrapartida, “Purple Strings” apresenta cordas e participação da harpista Mary Lattimore, enquanto “The Rain Don’t Care” aposta no violão. “Nerve Scales”, por sua vez, aproxima a banda de referências ligadas ao Radiohead. São escolhas que ajudam a explicar a direção musical apresentada nesta fase.

O Nothing retorna ao Brasil em uma nova fase da carreira, marcada pela experimentação sonora e pelo lançamento de a short history of decay. (Foto: Ben Rayner)

Do hardcore ao shoegaze

A história do Nothing começou como um projeto individual de Domenic Palermo, anteriormente vocalista da banda de hardcore Horror Show. A mudança de direção musical não significou o abandono completo das influências anteriores. Desde o primeiro álbum, Guilty of Everything, lançado em 2014 pela Relapse Records, o músico desenvolveu uma sonoridade que aproximava a densidade do hardcore das texturas características do shoegaze, gênero marcado pelo uso intenso de efeitos e sobreposições instrumentais.

Com Tired of Tomorrow, de 2016, o grupo ampliou sua circulação no cenário independente e passou a alcançar públicos de diferentes vertentes do rock alternativo. Dois anos depois, Dance on the Blacktop consolidou essa expansão, acompanhada por apresentações internacionais e uma turnê ao lado do Basement. Nesse período, a banda também participou da abertura de um show do My Chemical Romance, experiência que contribuiu para aumentar sua exposição fora dos circuitos tradicionais do gênero.

Em 2020, o Nothing lançou The Great Dismal durante a pandemia de Covid-19. O disco manteve a abordagem introspectiva de trabalhos anteriores, enquanto suas atividades ao vivo foram retomadas posteriormente com passagens pela Europa e pela Ásia. Em 2023, a banda colaborou com o Full of Hell, representante do metal extremo, no álbum When No Birds Sang. A parceria explorou pontos de contato entre estilos aparentemente distantes e recebeu destaque do site norte-americano Stereogum.

A ligação de Palermo com o shoegaze também se estendeu à organização de eventos. Em 2024, o músico criou o festival Slide Away, nos Estados Unidos, reunindo artistas contemporâneos e nomes históricos do gênero. Entre os participantes estiveram Hum, Chapterhouse e The Pains of Being Pure at Heart. A iniciativa acompanhou o interesse renovado por essa estética musical, especialmente entre ouvintes mais jovens, sem restringir sua programação às bandas surgidas recentemente.

O reencontro com o Brasil

A apresentação de março de 2027 será a segunda visita do Nothing ao Brasil. A estreia aconteceu em abril de 2023, também no Fabrique Club, com organização da Powerline Music & Books. A escolha do mesmo espaço estabelece uma continuidade entre as duas passagens, embora o repertório atual apresente diferenças importantes em relação ao material executado anteriormente. Desta vez, o grupo chega com um álbum que amplia suas possibilidades de arranjo e produção.

A formação anunciada reúne Domenic Palermo nos vocais e guitarra, Doyle Martin e Cam Smith nas guitarras, Bobb Bruno no baixo e Zachary Jones na bateria. Martin e Smith também integram o Cloakroom, enquanto Bruno possui passagem pelo Best Coast. Essas experiências paralelas ajudam a contextualizar a diversidade de referências presente na formação, que reúne músicos ligados a diferentes segmentos da música independente norte-americana.

O retorno brasileiro acontece após um período movimentado na agenda internacional do Nothing. Durante 2026, a banda realizou apresentações no Japão, nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros países europeus. Também participou de uma sessão para a rádio KEXP, de Seattle, conhecida por registrar performances ao vivo de artistas independentes. Para o encerramento do ano, o grupo tem prevista sua participação como atração de abertura na turnê norte-americana do Turnover.

Com a passagem por São Paulo confirmada, o Nothing acrescenta o Brasil ao itinerário latino-americano de 2027. A apresentação oferece ao público a oportunidade de acompanhar ao vivo as composições recentes e revisitar diferentes fases de sua discografia. Para a cena local, o show também representa a continuidade da circulação de artistas internacionais ligados ao shoegaze, estilo que voltou a conquistar espaço nas discussões sobre os rumos do rock alternativo contemporâneo.


SERVIÇO

Nothing em São Paulo

Data: 6 de março de 2027 (sábado)
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda, 1.075, Barra Funda, São Paulo (SP)
Ingressos: https://fastix.com.br/events/nothing-em-sao-paulo
Realização: Powerline Music & Books e ND Productions

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