BANDA OÁZ RESGATA A FORÇA DAS VOZES FEMININAS NA HISTÓRIA DO ROCK

Grupo criado em Indaiatuba, no interior paulista, tem Janis Joplin entre suas principais referências e aposta na interpretação de clássicos para construir sua identidade musical.
Banda OÁZ resgata a influência das mulheres no rock

Criada em maio de 2025, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, a banda OÁZ tem como ponto de partida a influência de mulheres que ajudaram a construir diferentes capítulos da história do rock. Com a vocalista Débora Alvarenga à frente do projeto, o grupo reúne referências de artistas brasileiras e internacionais, incluindo Janis Joplin, Tina Turner, Amy Winehouse, Pitty e Cássia Eller. A escolha dessas cantoras revela uma proposta musical ligada à interpretação e à preservação de repertórios que continuam presentes na cultura popular. Embora tenham desenvolvido carreiras em contextos distintos, todas compartilham uma característica importante: a capacidade de estabelecer uma identidade artística reconhecível por meio da voz, da presença e das escolhas musicais. É justamente nessa relação entre influência e expressão individual que a OÁZ procura desenvolver seu trabalho, sem se restringir à reprodução das gravações que servem de referência para o grupo.

A relação de Débora com a música começou dentro de casa, por influência familiar, antes de ganhar novos caminhos durante a adolescência. Foi nessa fase que o rock passou a ocupar um espaço importante em suas preferências, aproximando a cantora de intérpretes conhecidas pela intensidade de suas performances. Entre essas referências, Janis Joplin assumiu um papel central. A artista norte-americana, cuja carreira ganhou projeção na segunda metade dos anos 1960, ficou conhecida pela maneira visceral de interpretar canções que transitavam entre o blues, o soul e o rock psicodélico. Essa identificação ajudou a orientar o caminho musical de Débora e, posteriormente, a proposta da OÁZ. A banda nasceu desse interesse por diferentes vozes femininas e pela possibilidade de trabalhar suas influências sem abrir mão das características da própria vocalista.

A influência de Janis Joplin

Um momento importante dessa trajetória aconteceu em janeiro de 2026, quando Débora Alvarenga interpretou espontaneamente “Mercedes Benz”, uma das músicas associadas ao repertório de Janis Joplin. O registro alcançou repercussão nas redes sociais e colocou a interpretação da cantora em circulação entre novos públicos. A canção, conhecida por sua estrutura vocal praticamente desacompanhada, exige uma abordagem diferente daquela encontrada em gravações tradicionais de rock. Sua força está concentrada na voz, na articulação das palavras e na personalidade de quem a interpreta. Para uma artista que reconhece Janis como referência, trabalhar esse repertório também significa lidar com uma obra cuja identidade permanece fortemente associada à intérprete original.

A presença de Janis na formação musical de Débora dialoga com outras artistas que compõem o universo da OÁZ. Tina Turner, por exemplo, construiu uma carreira marcada pela combinação de rock, soul e rhythm and blues, enquanto Amy Winehouse ganhou reconhecimento por uma abordagem que incorporava jazz e influências da música negra norte-americana. No Brasil, Pitty e Cássia Eller representam caminhos diferentes dentro da música popular, com trabalhos que aproximaram o rock de públicos e gerações distintos. Ao reunir essas referências, a banda estabelece uma ligação entre estilos, épocas e formas de expressão que nem sempre são colocados lado a lado.

Essa diversidade também levanta uma questão recorrente entre músicos que trabalham com repertórios consagrados: como interpretar uma canção conhecida sem perder a própria personalidade? No caso da OÁZ, a proposta passa pela valorização das características vocais de Débora, em vez da tentativa de reproduzir integralmente as artistas homenageadas. A distinção é relevante porque cada uma dessas cantoras desenvolveu recursos expressivos particulares, relacionados tanto à técnica quanto às experiências e aos contextos culturais de suas carreiras. Reconhecer essas diferenças permite compreender o repertório como um conjunto de influências, e não como um modelo único de interpretação.

Ainda recente, a trajetória da OÁZ acompanha uma prática presente na cena musical brasileira: a formação de projetos dedicados à releitura de artistas que marcaram diferentes períodos da música. No caso do grupo paulista, o recorte feminino oferece uma linha de continuidade entre referências internacionais e nacionais. A repercussão da interpretação de “Mercedes Benz” acrescentou um episódio de visibilidade a esse percurso, mas a construção de uma identidade própria permanece como elemento central da proposta. A partir dessas influências, a banda busca estabelecer seu espaço na cena musical, tendo como referência o legado de cantoras que continuam despertando interesse entre músicos e ouvintes.

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