BAD WOLVES LANÇA VERSÃO METAL DE ‘JOLENE’ EM TRIBUTO A DOLLY

Releitura aprovada pela cantora seria gravada com sua participação; renda será destinada ao projeto de incentivo à leitura criado pela artista
Bad Wolves lança versão metal de Jolene em tributo a Dolly

O Bad Wolves lançou na segunda-feira (31) uma versão heavy metal de “Jolene”, um dos maiores clássicos de Dolly Parton. A faixa chega como homenagem à cantora, que morreu na semana anterior, aos 80 anos. Antes de sua morte, a artista havia escutado o arranjo, aprovado a releitura e demonstrado interesse em acrescentar seus próprios vocais à gravação. O encontro entre a estrela do country e o grupo norte-americano, no entanto, não pôde ser concluído. A edição preserva somente os registros feitos pela banda, embora a participação planejada tenha orientado a apresentação do projeto ao público.

Com a participação inviabilizada, a banda e sua equipe decidiram manter o lançamento e direcionar os lucros obtidos com a música à Dolly Parton’s Imagination Library. Fundada pela própria cantora, a iniciativa distribui gratuitamente livros a crianças e trabalha para ampliar o acesso à leitura. Dessa forma, o cover preserva a proposta de colaboração entre artistas de universos diferentes e associa a homenagem a uma das ações filantrópicas mais conhecidas de Dolly. A iniciativa também recupera um procedimento adotado pelo Bad Wolves no sucesso “Zombie”, lançado depois da morte de Dolores O’Riordan, quando uma contribuição igualmente esperada ficou sem ser registrada.

Um clássico ganha peso

Lançada em 1973, “Jolene” se tornou uma das composições mais reconhecidas de Dolly Parton. A letra traz o apelo de uma mulher a outra, vista como ameaça ao relacionamento, e une uma narrativa direta a uma melodia identificável. Desde então, a canção recebeu versões no pop, rock, universo alternativo e formatos acústicos.

Na leitura do Bad Wolves, a faixa é transportada para o heavy metal. Guitarras densas, bateria marcada e interpretação vocal intensa alteram a atmosfera original sem abandonar sua linha melódica. A escolha reforça uma prática do grupo, acostumado a adaptar canções populares ao peso de sua sonoridade e apresentá-las ao público do metal contemporâneo.

A ideia surgiu do interesse da vocalista da banda pela obra de Dolly. O grupo preparou o arranjo para um próximo álbum, e a gravação chegou ao empresário Danny Nozell. Segundo a equipe, Dolly ouviu o material semanas antes de morrer, autorizou a versão e ficou animada com a possibilidade de registrar uma participação especial.

Os arquivos foram enviados aos profissionais da sessão de Dolly, mas os vocais não chegaram a ser gravados. A aprovação da compositora passou então a ocupar lugar central na divulgação. Em vez de ser somente uma releitura póstuma, o lançamento documenta uma colaboração planejada e interrompida antes que os dois lados finalizassem o encontro em estúdio.

Bad Wolves leva “Jolene” ao heavy metal em tributo aprovado por Dolly Parton. (Foto: Reprodução)

Homenagem ligada à leitura

Após a morte de Dolly, o Bad Wolves lançou a faixa como tributo e anunciou a doação dos lucros à Imagination Library, projeto criado pela artista em 1995. A instituição envia livros gratuitos a crianças pequenas, independentemente da renda familiar, e expandiu sua atuação dos Estados Unidos para outros países nas últimas décadas.

O trabalho nasceu no condado de Sevier, no Tennessee, onde Dolly cresceu, e foi inspirado pela dificuldade de seu pai para ler e escrever. A proposta começou com famílias locais e ganhou escala internacional. Ao vincular “Jolene” ao programa, banda e gravadora direcionam a repercussão a uma iniciativa ligada à história pessoal e ao legado da cantora.

Danny Nozell afirmou que Dolly apoiava artistas dispostos a atravessar fronteiras musicais. Segundo o empresário, ela aprovou completamente o arranjo e estava empolgada para colaborar. Ele também sustentou que a publicação como homenagem, com renda destinada à instituição, correspondia ao desejo da artista e de sua equipe antes da morte.

A medida acrescenta uma dimensão prática à lembrança. Além de recolocar o clássico em circulação entre ouvintes de rock pesado, o lançamento pode contribuir para a distribuição mundial de livros. O resultado dependerá do desempenho nas plataformas, mas o compromisso transforma reproduções e vendas em apoio a um projeto ativo após a morte da fundadora.

Um precedente com Zombie

O lançamento recupera um episódio decisivo na trajetória do Bad Wolves. Em 2018, o grupo ganhou repercussão com uma versão de “Zombie”, do The Cranberries. Dolores O’Riordan participaria da gravação, mas morreu antes da sessão. Com autorização da família, a banda publicou a faixa e destinou parte dos ganhos aos filhos da cantora irlandesa.

A releitura projetou o Bad Wolves internacionalmente e se tornou um de seus trabalhos mais conhecidos. A ausência de Dolores deu à gravação um caráter memorial semelhante ao de “Jolene”. Nos dois casos, havia uma participação vocal planejada, a morte da artista impediu sua realização e o grupo associou os rendimentos a uma ação solidária.

Embora as circunstâncias se aproximem, as canções carregam identidades distintas. “Zombie” já possuía guitarras e uma carga de protesto favoráveis à adaptação ao metal. “Jolene” nasce do country e de uma tensão íntima. A nova leitura explora o contraste, preserva o reconhecimento da composição, amplia o peso instrumental e modifica a apresentação do drama.

Para o Bad Wolves, o cover reafirma uma estratégia que conecta repertórios populares ao metal. Para o público de Dolly, a gravação oferece uma leitura distante da estética original, mas aprovada pela compositora. O lançamento não substitui a colaboração imaginada, porém registra a aproximação organizada e mantém parte de seu propósito por meio do apoio à leitura infantil.

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