COM ELOY CASAGRANDE, SLIPKNOT RETOMA ESPÍRITO DE GARAGEM

Jim Root revelou que o grupo vem desenvolvendo novas músicas em sessões de improviso ao lado de Eloy Casagrande, resgatando um método de criação mais espontâneo para o próximo trabalho de estúdio.
Slipknot retoma espírito de garagem com Eloy Casagrande

O Slipknot parece disposto a revisitar parte da essência que marcou seus primeiros anos de carreira. Em vez de concentrar o processo de composição em arquivos trocados entre computadores e gravações individuais, a banda voltou a apostar em encontros presenciais, improvisações prolongadas e experimentação coletiva. A mudança coincide com a entrada do brasileiro Eloy Casagrande, ex-Sepultura, cuja participação já influencia diretamente a maneira como o grupo constrói seu próximo repertório.

Em entrevista ao podcast Ride Bynd, o guitarrista Jim Root explicou que o novo método tem aproximado os integrantes da dinâmica que existia antes da consolidação do Slipknot como uma das maiores bandas do metal contemporâneo. Segundo ele, as sessões são baseadas em longas jams, nas quais os músicos simplesmente tocam juntos antes de analisar o material registrado. O objetivo é permitir que as ideias apareçam de forma natural, sem a pressão de chegar ao estúdio com composições praticamente finalizadas.

O impacto de Eloy

Desde que assumiu a bateria do Slipknot, Eloy Casagrande vem despertando expectativas entre fãs e músicos. Conhecido pela técnica apurada, potência e precisão desenvolvidas durante sua passagem pelo Sepultura, o brasileiro agora também participa ativamente da construção das novas composições da banda norte-americana.

Jim Root destacou que trabalhar ao lado do baterista tem sido uma experiência motivadora e afirmou que a presença de Eloy ajudou a transformar o ambiente criativo do grupo.

“Ter o Eloy na banda… cara, é uma honra tocar com esse cara.”

Na sequência, o guitarrista explicou como as sessões vêm acontecendo atualmente.

“Estamos montando o equipamento, improvisando por duas horas, e depois voltamos para ouvir o que aconteceu. É tão orgânico, tão honesto e aberto à interpretação.”

A declaração mostra que a banda está privilegiando um processo baseado na interação entre os músicos. Em vez de desenvolver cada faixa de maneira isolada, o Slipknot prefere registrar horas de improvisação para identificar trechos, riffs, ritmos e estruturas que possam evoluir para músicas completas.

Esse formato também amplia a influência individual de cada integrante durante a criação. Com Eloy participando desde as primeiras ideias, a bateria deixa de ser apenas um elemento que acompanha composições prontas e passa a fazer parte da construção das músicas desde sua origem.

Eloy Casagrande participa ativamente da nova fase criativa do Slipknot, que aposta em improvisos para desenvolver seu próximo álbum. (Foto: Anderson Carvalho)

Processo mais espontâneo

Segundo Jim Root, o grupo percebeu que esse retorno às sessões presenciais trouxe um resultado diferente daquele obtido nos últimos anos. A proposta é recuperar parte da espontaneidade que marcou o início da trajetória da banda, quando as composições surgiam naturalmente durante os ensaios.

O guitarrista acredita que esse ambiente favorece descobertas inesperadas e evita que as músicas cheguem excessivamente planejadas antes do contato entre os integrantes.

Ao comentar essa mudança de abordagem, Root comparou o momento atual aos primeiros passos do Slipknot.

“A forma como estamos abordando isso é semelhante à abordagem inicial, com uma vibe meio de banda de garagem.”

Embora a estrutura da banda hoje seja muito diferente daquela do final dos anos 1990, a intenção é recuperar justamente a liberdade criativa daquela época. A ideia não é reproduzir o som antigo, mas permitir que as novas músicas nasçam de maneira menos controlada e mais colaborativa.

Essa escolha também representa uma mudança em relação ao período em que boa parte do material era construída por meio de arquivos digitais compartilhados entre os integrantes. Agora, o foco está na interação direta, nas respostas imediatas entre guitarra, bateria, baixo e demais instrumentos, algo que Jim Root considera fundamental para encontrar novas possibilidades sonoras.

O resultado, segundo o músico, é um processo que privilegia a criatividade coletiva em vez da simples montagem de ideias previamente organizadas.

Novo álbum ganha forma

Além de revelar detalhes sobre a dinâmica das gravações, Jim Root confirmou que o Slipknot já acumulou uma quantidade significativa de material para seu próximo trabalho de estúdio. Ainda sem título ou previsão oficial de lançamento, o projeto vem sendo desenvolvido ao lado do produtor Matt Wallace.

Wallace possui uma carreira consolidada na indústria musical e ficou conhecido por produzir trabalhos de artistas como Faith No More e Maroon 5. Sua experiência com diferentes estilos musicais pode contribuir para uma fase em que o Slipknot busca equilibrar peso, criatividade e liberdade de experimentação.

Segundo Root, a intenção não é apenas registrar novas músicas, mas capturar a sensação de uma banda criando em tempo real. Em vez de seguir fórmulas previamente definidas, o grupo pretende preservar a energia que surge durante as improvisações, aproveitando momentos espontâneos que dificilmente seriam planejados em uma composição convencional.

A presença de Eloy Casagrande reforça esse cenário. Desde sua estreia no Slipknot, o baterista brasileiro recebeu elogios tanto do público quanto dos próprios colegas de banda, principalmente pela intensidade de sua execução ao vivo e pela capacidade de adaptação ao repertório do grupo.

Agora, sua participação ultrapassa os palcos e passa a influenciar diretamente o desenvolvimento do próximo álbum. Embora ainda existam poucas informações sobre o conteúdo das futuras músicas, as declarações de Jim Root indicam que o Slipknot pretende unir a experiência acumulada ao longo de décadas com um método de criação que privilegia improvisação, interação e liberdade artística, elementos que ajudaram a definir a identidade da banda em seus primeiros anos.

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