JUDAS PRIEST: RICHIE FAULKNER DEFENDE TURNÊS SEM FORMAÇÃO CLÁSSICA

Guitarrista afirma que público decide o sucesso de bandas em atividade sem integrantes originais
Judas Priest e Richie Faulkner defendem turnês atuais

A discussão sobre bandas clássicas que seguem em turnê mesmo sem sua formação original continua gerando debates entre fãs de rock e metal. Em meio a esse cenário, Judas Priest volta ao centro das atenções após declarações recentes de seu guitarrista, Richie Faulkner. Durante uma entrevista ao podcast Metal Forever Music Defenders Of Metal, o músico comentou sobre críticas direcionadas a grupos históricos que optam por continuar se apresentando sem todos os membros clássicos.

A fala surge em um momento em que diversas bandas veteranas seguem ativas, mesmo após décadas de mudanças em suas formações. Para Faulkner, o fator decisivo não é a nostalgia, mas sim a resposta do público. O guitarrista defendeu uma visão pragmática: se há demanda, há razão para continuar.

a visão de richie faulkner sobre o público e as turnês

Ao abordar o tema, Richie Faulkner adotou um tom direto e sem rodeios. Ele destacou que a decisão de continuar ou não em atividade deve ser guiada tanto pela vontade dos músicos quanto pela resposta dos fãs.

Segundo o guitarrista, eu acho que, desde que os caras queiram fazer isso, eles devem fazer. Se as pessoas não quiserem ir, então não vão. E as pessoas meio que votam com o ingresso, não é?. A declaração reforça a ideia de que o mercado musical funciona, em grande parte, pela adesão do público.

Faulkner ainda utilizou o exemplo da banda Rush para ilustrar seu ponto de vista. Ele explicou: se o RUSH subir ao palco e tiver 20 mil pessoas em um auditório e os caras quiserem fazer isso, façam. Mas se o RUSH aparecer e tiver cinco pessoas lá, então há um problema. Talvez as pessoas não queiram ver isso.

A lógica apresentada pelo músico se estende a outras bandas longevas. Para ele, a presença massiva de fãs legitima a continuidade das turnês, independentemente da formação. Se os caras querem fazer isso e as pessoas estão aparecendo aos milhares para ver, então por que não fazer? Se as pessoas não quiserem ir, então não vão. Simples assim. É o que eu diria, completou.

Guitarrista do Judas Priest se apresenta sob luzes quentes e atmosfera carregada de fumaça durante show ao vivo. (Foto: Gustavo Diakov)

mudanças na formação do judas priest ao longo das décadas

A trajetória do Judas Priest é um exemplo claro de como bandas clássicas passam por transformações inevitáveis ao longo do tempo. Atualmente, apenas dois integrantes da chamada formação clássica seguem ativos na banda: o vocalista Rob Halford e o baixista Ian Hill.

Hill, inclusive, é o único membro original remanescente do grupo, fundado em 1969. Halford entrou em 1973, enquanto o guitarrista Glenn Tipton passou a integrar a banda em 1974. Ao longo dos anos, o Priest enfrentou diversas mudanças importantes, incluindo a saída temporária de Halford nos anos 1990, quando decidiu seguir carreira solo, retornando apenas em 2003.

Outro momento marcante foi a saída do guitarrista K.K. Downing em 2011, substituído justamente por Richie Faulkner. Downing deixou a banda em meio a alegações de conflitos internos, problemas de gestão e insatisfação com o desempenho ao vivo.

Mais recentemente, o grupo também precisou lidar com a ausência de Glenn Tipton nas turnês. Diagnosticado com doença de Parkinson há mais de 15 anos, o guitarrista anunciou em 2018 que se afastaria das atividades ao vivo. Para suprir essa lacuna, o produtor e guitarrista Andy Sneap assumiu seu posto nos palcos.

continuidade, legado e adaptação no heavy metal

A permanência do Judas Priest na ativa também passa por decisões estratégicas ao longo de sua história. Em 2010, a banda chegou a anunciar a turnê “Epitaph” como sua despedida oficial dos palcos. No entanto, essa decisão acabou sendo revista pouco tempo depois.

Com a entrada de Richie Faulkner, o grupo encontrou um novo fôlego criativo e operacional. O próprio Rob Halford explicou, na época, que a banda havia “engrenado novamente” após a reformulação da formação, indicando que o fim não era definitivo.

Além disso, o baterista Scott Travis, que entrou para o grupo em 1989, também se tornou peça importante na consolidação da fase moderna do Priest. Ele participou da gravação do álbum Painkiller (1990), considerado um dos marcos da discografia da banda.

O caso do Judas Priest reflete um fenômeno comum no rock e no metal: a necessidade de adaptação para sobreviver ao tempo. Mudanças de integrantes, questões de saúde e conflitos internos fazem parte da trajetória de grupos que atravessam décadas de atividade.

Nesse contexto, a fala de Richie Faulkner resume uma visão pragmática sobre o assunto. Para ele, o julgamento final não está na formação original, mas sim na conexão entre banda e público. Se há público disposto a comparecer, a música continua — independentemente de quem esteja no palco.

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