A Papangu encerrou uma sequência de 16 apresentações pela Europa e já tem data marcada para reencontrar o público brasileiro. O grupo paraibano sobe ao palco do Circo Voador, no Rio de Janeiro, em 26 de setembro, dividindo a programação com o Ave Sangria. A apresentação acontece depois de uma temporada internacional dedicada à divulgação de “Celestial”, terceiro álbum da banda, lançado em 2026 pela Deck. O giro passou por festivais e casas de shows em diferentes países e ampliou a circulação do quinteto fora do Brasil, dando continuidade à primeira experiência internacional realizada em 2025.
Formada em João Pessoa em 2012, a Papangu construiu sua identidade aproximando metal, rock progressivo e elementos ligados a ritmos e harmonias nordestinas. Depois da estreia com “Holoceno”, em 2021, e de “Lampião Rei”, em 2024, o grupo atravessa uma fase de maior exposição. Neste ano, além do novo disco e da turnê europeia, a banda também estreou no Lollapalooza Brasil. A repercussão de “Celestial” em veículos estrangeiros ajudou a colocar o trabalho diante de novos ouvintes, enquanto o retorno ao Circo Voador recoloca o grupo em um dos palcos mais conhecidos do circuito carioca. O momento também aproxima a produção mais recente de uma agenda nacional que volta a ganhar espaço logo após o encerramento do giro.
Público cresce na Europa
A passagem pela Europa serviu como termômetro para a expansão do público da Papangu fora do país. Segundo os músicos, algumas cidades receberam uma presença maior do que na turnê anterior. “Foi incrível perceber que o público dobrou ou triplicou nos países que tocamos em 2025. Encontrar rostos conhecidos e também novos no além-mar é sempre incrível!”, conta Hector Ruslan, um dos guitarristas e vocalistas.
Outro ponto destacado pelo grupo foi a resposta às músicas em português. Mesmo diante de plateias estrangeiras, algumas letras foram acompanhadas pelo público. “Ficamos lisonjeados de ver pessoas cantando nossas letras em português mesmo sem este ser seu idioma nativo. Inesquecível!”, relembra o tecladista e vocalista Rodolfo Salgueiro sobre a recepção durante os shows.
A circulação também aproximou a Papangu de quem ainda não conhecia sua discografia. Marco Mayer afirma que parte do público chegou às apresentações por indicação ou curiosidade. “Pessoas que nunca ouviram a banda vieram ao show por acaso ou aconselhados por amigos, e saíram de lá dizendo que foi um dos melhores shows que viram no ano!”, afirma o baixista.
As 16 datas reforçaram uma frente internacional iniciada em 2025. Desta vez, a banda viajou com um disco recém-lançado e maior cobertura da imprensa especializada. O crescimento relatado pelos músicos amplia o alcance de um grupo que mantém letras em português e referências brasileiras mesmo quando se apresenta fora do país.

Celestial ganha repercussão
Parte dessa atenção está ligada à produção de “Celestial”. O álbum foi gravado inteiramente em fita magnética, sem computadores ou ferramentas digitais, escolha que chamou atenção antes mesmo do lançamento. Em um cenário dominado por recursos digitais, a Papangu adotou um método analógico como elemento central da construção sonora do trabalho.
A decisão apareceu nas leituras da imprensa especializada. O Bandcamp Daily destacou a opção do grupo por abandonar atalhos digitais e trabalhar de maneira analógica. Já o jornal britânico The Guardian definiu a sonoridade da Papangu como um “prog-metal-folk virtuoso”, expressão voltada à mistura de peso, estruturas progressivas e referências presentes no disco.
No Brasil, a Rolling Stone Brasil apontou “Celestial” como um trabalho que reúne elementos do passado da banda enquanto abre espaço para novas direções. O site Veil of Sound foi mais enfático e classificou o disco como “um dos melhores lançamentos de 2026”. As avaliações vêm de veículos com linhas editoriais e públicos distintos.
O álbum também apareceu em Pitchfork, Loudersound, The Progressive Subway, Your Last Rites e The Elite Extremophile. A variedade de publicações mostra como “Celestial” circulou por diferentes segmentos da crítica ligada ao rock, metal e música alternativa. A exposição acompanha uma fase em que a Papangu amplia sua presença internacional sem abandonar características dos trabalhos anteriores.
Encontro no Circo Voador
Depois da agenda europeia, a próxima parada anunciada pela Papangu será no Circo Voador, em 26 de setembro. Marco Mayer, Hector Ruslan, Pedro Francisco, Rodolfo Salgueiro e George Alexandria apresentam o repertório atual no Rio de Janeiro. A formação reúne baixo, guitarras, teclados, flauta e percussões, combinação ligada à proposta híbrida desenvolvida pela banda.
A noite terá ainda o Ave Sangria, grupo pernambucano de longa trajetória na música brasileira. A origem nordestina e a disposição das duas bandas em trabalhar fora de classificações rígidas aproximam a programação. “A Papangu sente enorme honra e orgulho por dividir a noite com o Ave Sangria, nossos vizinhos nordestinos, que há muito já desafiam os rótulos convencionais na música e nas artes.”
O show marca a retomada da agenda nacional depois de meses movimentados. Entre o lançamento de “Celestial”, a estreia no Lollapalooza Brasil e os 16 compromissos europeus, 2026 concentrou atividades importantes da carreira recente da Papangu. A apresentação carioca permite que o novo repertório retorne ao circuito brasileiro depois da sequência de datas no exterior.
Papangu e Ave Sangria se apresentam no sábado, 26 de setembro, no Circo Voador, na Rua dos Arcos, Lapa, Rio de Janeiro. A abertura está prevista para 20h, e os ingressos estão disponíveis pela Eventim. A data reúne duas bandas nordestinas de gerações diferentes em uma programação atravessada por psicodelia, rock progressivo, metal e referências brasileiras.
SERVIÇO
Papangu + Ave Sangria
Data: 26/09/2026 (sábado)
Local: Circo Voador — Rua dos Arcos, s/nº, Lapa, Rio de Janeiro
Horário: 20h
Ingressos: Eventim













