BOB MARLEY NO BRASIL: NELSON MOTTA REVELA HISTÓRIAS DA VISITA EM 1980

Jornalista e produtor musical relembra momentos marcantes da passagem do rei do reggae pelo Rio de Janeiro e sua convivência com artistas brasileiros.
Nelson Motta relembra visita histórica de Bob Marley

A breve passagem de Bob Marley pelo Brasil em 1980 continua despertando interesse entre fãs de música e pesquisadores da cultura popular. Mais de quatro décadas depois, novos registros fotográficos e relatos de pessoas que estiveram ao lado do artista ajudam a reconstruir um dos episódios mais curiosos da história da música internacional em território brasileiro.

Entre aqueles que acompanharam de perto a visita está o jornalista, produtor musical e escritor Nelson Motta. Em publicação recente nas redes sociais, ele compartilhou lembranças dos dias em que recebeu o astro jamaicano durante a chegada da gravadora Ariola ao mercado brasileiro. O depoimento trouxe detalhes pouco conhecidos sobre a estadia de Marley no Rio de Janeiro e reforçou a dimensão histórica daquele encontro entre o reggae e alguns dos maiores nomes da música brasileira.

A presença de Bob Marley no país ocorreu em um momento importante de sua carreira. Já reconhecido mundialmente como um dos artistas mais influentes da música popular do século XX, ele desembarcou no Brasil para participar de ações promocionais ligadas à gravadora alemã Ariola, que iniciava suas operações no mercado nacional.

Nelson Motta relembra encontro com o astro jamaicano

Ao comentar a recente repercussão das fotografias inéditas divulgadas da visita, Nelson Motta recordou que teve papel importante na recepção ao cantor durante os eventos organizados pela gravadora.

Segundo o jornalista, o principal encontro aconteceu durante uma festa de lançamento realizada no tradicional Noites Cariocas, no Morro da Urca, um dos pontos culturais mais conhecidos da cidade do Rio de Janeiro.

Relembrando aquele momento, Motta declarou:

“Bob Marley veio ao Brasil contratado da gravadora Ariola, que estava chegando no Brasil, fez uma festa de lançamento da gravadora. Aonde? No Noites Carioca, no Morro da Urca, minha casa. Fui o host do Bob Marley.”

O relato oferece uma perspectiva privilegiada sobre a visita do cantor, mostrando que sua passagem pelo país foi acompanhada de perto por figuras influentes do meio artístico brasileiro. Embora a presença de Marley tenha gerado enorme expectativa, ele não chegou a realizar uma apresentação musical durante o evento.

De acordo com Nelson Motta, questões burocráticas impediram qualquer performance oficial do artista em solo brasileiro naquele momento. Ainda assim, sua simples presença foi suficiente para transformar a inauguração da gravadora em um acontecimento histórico.

Registro histórico da visita de Bob Marley ao Brasil em 1980, durante encontro que reuniu músicos brasileiros e o ícone do reggae. (Foto: Reprodução)

A festa que reuniu nomes históricos da música brasileira

Um dos aspectos mais impressionantes da visita de Bob Marley ao Brasil foi o encontro entre o jamaicano e alguns dos maiores representantes da música nacional.

As fotografias divulgadas recentemente revelam um ambiente repleto de artistas que marcaram época na MPB. Entre os convidados estavam nomes consagrados como Chico Buarque, Milton Nascimento, Clara Nunes, Moraes Moreira e Ney Matogrosso, além de outros músicos e personalidades importantes do cenário cultural brasileiro.

A reunião acabou se transformando em um raro registro histórico. Afinal, não era comum que um artista internacional do porte de Bob Marley circulasse de forma tão próxima entre figuras centrais da música brasileira.

Durante seu relato, Nelson Motta explicou por que Marley não subiu ao palco naquela ocasião:

“Ficou só dando pinta lá, [com o] pessoal em volta”.

A ausência de um visto de trabalho impediu qualquer apresentação oficial. Mesmo assim, a visita teve grande repercussão e deixou registros que hoje ajudam a compreender melhor o impacto cultural do reggae no Brasil.

A presença do cantor também reforçou os laços entre a música jamaicana e diversos artistas brasileiros que, ao longo das décadas seguintes, passariam a incorporar elementos do reggae em seus trabalhos. Embora rápida, a passagem de Marley pelo país contribuiu para fortalecer uma conexão musical que permanece viva até hoje.

Futebol, simpatia e uma lembrança que atravessa gerações

Além da festa promovida pela gravadora, Bob Marley viveu outro momento que se tornou quase lendário entre os relatos sobre sua estadia no Brasil: uma partida de futebol ao lado de músicos brasileiros.

Apaixonado pelo esporte, o cantor aproveitou sua passagem pelo Rio de Janeiro para participar de uma tradicional pelada organizada por Chico Buarque. O encontro reuniu artistas e amigos que compartilhavam o gosto pelo futebol, uma das grandes paixões nacionais.

Nelson Motta recordou o episódio com entusiasmo e destacou a postura amigável do cantor durante a atividade:

“Depois o Bob Marley foi numa pelada lá no campinho do Chico Buarque. O Marley jogou bola com um monte de artistas que jogavam. Super simpático!”

O comentário reforça uma característica frequentemente associada ao músico jamaicano. Apesar do status de estrela internacional, Marley era lembrado por muitos contemporâneos como uma pessoa acessível, simples e próxima das pessoas ao seu redor.

Essas pequenas histórias ajudam a humanizar uma figura frequentemente tratada apenas como ícone cultural. Mais do que um símbolo do reggae, Bob Marley foi alguém capaz de criar conexões espontâneas em diferentes partes do mundo, inclusive durante sua breve passagem pelo Brasil.

Décadas depois, fotografias inéditas e depoimentos como o de Nelson Motta continuam despertando curiosidade sobre aqueles dias. Eles servem não apenas como memória afetiva para quem viveu a época, mas também como documentos importantes para compreender a relação entre a música brasileira e um dos artistas mais influentes de todos os tempos.

A cada novo registro revelado, a visita de Bob Marley ao Brasil ganha novos detalhes, mostrando que mesmo uma estadia curta pode deixar marcas duradouras na história da cultura e da música.

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