A NAIMACULADA lança na próxima segunda-feira, 14 de setembro, o EP “ACROMATOPSIA”, novo trabalho de estúdio que chega pela gravadora Deck. Com quatro faixas, o projeto amplia a proposta musical apresentada pela banda em “A Cor Mais Próxima do Cinza” (Deck / 2025), seu primeiro disco, mas desloca o olhar da experiência urbana para questões ligadas à percepção, à rotina e às relações construídas em sociedade. O repertório também aposta em encontros com artistas de diferentes cenas e gerações, reunindo BNegão, Thalin, Nabru, Kiko Dinucci e Sol entre os convidados.
O título faz referência à acromatopsia, distúrbio visual raro e não progressivo caracterizado pela ausência da percepção de cores, fazendo com que o mundo seja enxergado em preto, branco e tons de cinza. A ideia funciona como ponto de partida para a abordagem conceitual do EP e dialoga com a maneira como o grupo observa a vida cotidiana. “O primeiro intuito do título era inspirado por a gente andando por São Paulo e ver tudo preto e branco, é tudo diferente, mas seguindo um padrão”, explica o vocalista Ricardo Paes. A partir dessa imagem, a banda constrói quatro recortes sobre comportamento, trabalho artístico, conformidade e movimentos coletivos. Em vez de repetir diretamente o ponto de partida do álbum anterior, o lançamento concentra sua narrativa na forma como indivíduos interpretam aquilo que os cerca.
A mudança de foco preserva a ligação com São Paulo, mas transforma a paisagem da cidade em referência para uma discussão mais ampla sobre padrões, percepção e vida coletiva. A proposta aparece tanto no conceito escolhido para o título quanto nos temas distribuídos pelas quatro músicas. O formato curto permite que cada participação ocupe um espaço específico no repertório, sem transformar o EP em uma simples sequência de convidados. As colaborações são apresentadas como parte das histórias desenvolvidas em cada faixa e ajudam a diferenciar os quatro recortes propostos pelo grupo.

Quatro retratos do cotidiano
Em “Pecado Tem Medo”, a NAIMACULADA recebe BNegão e Thalin, integrante do projeto “Maria Esmeralda”, para abordar a experiência contemporânea de um artista diante da rotina. Já “Shangrilá” conta com a participação da rapper Nabru e parte dos dissabores relacionados à vida artística. As duas faixas colocam diferentes vozes dentro da proposta do EP, reforçando o caráter colaborativo de um trabalho que procura observar situações comuns por perspectivas distintas.
As outras duas músicas seguem por caminhos próprios. “Terminal Bandeira” traz Kiko Dinucci na guitarra e aborda a conformidade distópica presente no cotidiano, enquanto “O Que É Que Será”, feita em parceria com Sol, da banda Ímola, trata da paralisia dos movimentos coletivos. Assim, as quatro composições funcionam como pequenos retratos de questões sociais e pessoais, conectadas pelo conceito que dá nome ao lançamento e pela leitura da banda sobre comportamentos repetidos no dia a dia.
O projeto também ultrapassou as fronteiras brasileiras durante sua produção. Parte de “ACROMATOPSIA” foi gravada em Shijiazhuang, na China, com a participação de músicos locais e instrumentos ligados à cultura chinesa. A escolha acrescenta novas texturas ao repertório e amplia o conjunto de colaborações presentes no EP, que aproxima artistas do rap, da música independente brasileira e músicos chineses dentro de uma mesma produção. A combinação acompanha a identidade que a própria NAIMACULADA define como antropofágica.
A formação atual reúne Ricardo Paes nos vocais, Luiz Viegas no baixo, Samuel Xavier na guitarra, Gabriel Gadelha nos sopros, Pietro Benedan na bateria e Duda Freitas na guitarra. Nova integrante do grupo, Duda participou do desenvolvimento dos arranjos e das composições e passa a formar uma dupla de guitarras com Xavier. Com lançamento marcado para 14 de setembro pela Deck, “ACROMATOPSIA” apresenta uma nova etapa da banda após o álbum de estreia, mantendo a experimentação e as colaborações como elementos centrais de sua proposta musical.
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