A cantora e compositora Marina Iris atravessa um dos momentos mais movimentados de sua trajetória artística. Entre apresentações em unidades do Sesc, circulação de um projeto voltado ao público infantil e uma nova parceria musical no circuito de samba carioca, a sambista vem consolidando sua presença em diferentes frentes da cultura popular no Rio de Janeiro. Com repertórios que dialogam entre tradição, crítica social e afetividade, Marina amplia o alcance de seu trabalho enquanto prepara novos lançamentos para os próximos meses.
A agenda recente da artista inclui novas apresentações do espetáculo “Voz Bandeira”, inspirado no álbum lançado em 2019 em homenagem à vereadora Marielle Franco. Além disso, a sambista participa da circulação teatralizada de “É Pretinha”, livro-disco infantil criado em parceria com outras artistas do samba, e divide o palco com Marcelle Motta no projeto “Samba que dá”, que mistura clássicos do gênero e repertório autoral. Em paralelo, Marina também prepara um disco dedicado ao compositor Wilson Moreira, previsto para este ano.
Voz Bandeira ganha nova circulação pelo Sesc
O espetáculo “Voz Bandeira” voltou à estrada em uma nova configuração e vem passando por diferentes unidades do Sesc no estado do Rio de Janeiro. Após apresentações na Tijuca e em São Gonçalo, o show segue agora para Petrópolis e Copacabana, levando ao palco um repertório que mistura composições do disco original com releituras de músicas marcantes da música brasileira.
Entre as canções escolhidas para a nova temporada estão “Rodo Cotidiano”, dos integrantes d’O Rappa, “Zé do Caroço”, de Leci Brandão, além de obras como “Bloco na Rua”, de Sérgio Sampaio, e “Andar com Fé”, de Gilberto Gil. A proposta do espetáculo busca aproximar diferentes linguagens urbanas e reforçar o diálogo entre samba, poesia e manifestações populares contemporâneas.
Com direção musical de Alaan Monteiro, o show reúne ainda participações femininas ligadas à cultura popular e ao samba carioca. Dividem o palco com Marina artistas como Ana Costa, Marcelle Motta, Camilla Monteiro, Luiza Dionízio, Luiza Loroza e a poeta Laura Conceição. A presença coletiva dessas vozes fortalece a ideia de um espetáculo construído como manifestação artística e política.
“A defesa das pautas relevantes para a construção de uma sociedade igualitária vem das canções, mas também está nos textos de Carolina Maria de Jesus, Ana Maria Gonçalves e Elisa Lucinda. O espetáculo é, assim, um manifesto de resistência”, explica Marina.
Além da nova circulação, o projeto ganhou ainda mais alcance após o lançamento da versão em vinil do álbum “Voz Bandeira”, lançado originalmente em 2019. O disco se tornou um dos trabalhos mais reconhecidos da carreira da cantora por unir samba contemporâneo, reflexão social e homenagens à resistência negra e periférica brasileira.

Projeto infantil aproxima crianças do samba
Outro braço importante da agenda de Marina Iris em 2026 é o projeto infantil “É Pretinha”. O livro-disco, criado por Marina ao lado das sambistas Ana Costa e Manu da Cuíca, vem circulando por feiras literárias e eventos culturais desde seu lançamento em 2024. Agora, a obra ganha também uma adaptação teatralizada dentro da programação do Sesc Pulsar.
A apresentação é protagonizada pela atriz e sambista Camilla Monteiro e propõe uma experiência interativa para o público infantil. Com cerca de 30 minutos de duração, a montagem recria o universo da personagem Flor de Maria, conhecida como Maria Aventureira, em um ambiente inspirado nos quintais suburbanos cariocas e nas tradicionais rodas de samba familiares.
A narrativa acompanha a personagem enquanto ela observa os encontros musicais dos adultos e descobre, por meio dos sons e ritmos, formas de pertencimento e identidade. Durante a encenação, as crianças são convidadas a participar ativamente da história, cantando, dançando e acompanhando as músicas executadas ao vivo.
O projeto passou por cidades como Barra Mansa, Duque de Caxias, Botafogo e Cocotá, e segue em circulação até outubro. A iniciativa reforça a intenção das artistas de aproximar crianças da cultura popular brasileira desde cedo, utilizando o samba como ferramenta de imaginação, memória afetiva e construção de identidade.
Além da boa recepção do público, “É Pretinha” também vem chamando atenção em eventos literários importantes, incluindo a Flip, a Flupp, a Flist e a Bienal do Livro. A combinação entre música, literatura e oralidade ajudou a transformar o projeto em uma das experiências infantis recentes mais comentadas dentro do circuito cultural ligado ao samba.
Samba que dá fortalece parceria com Marcelle Motta
Enquanto circula com seus outros projetos, Marina Iris também encontrou espaço para uma nova parceria artística com Marcelle Motta. As duas cantoras criaram o projeto “Samba que dá”, uma roda de samba realizada na Casa Savana, no Centro do Rio de Janeiro. Após a estreia bem recebida pelo público, a dupla já confirmou uma segunda edição para o início de junho.
A proposta do projeto mistura canções autorais, clássicos do samba e releituras que marcaram a trajetória das artistas. O repertório também inclui o single “Nossa Brincadeira”, lançado recentemente, além de músicas do EP romântico que será divulgado em junho.
Segundo Marina, a ideia do projeto é refletir sobre as diferentes relações emocionais que o público constrói com o samba ao longo da vida. “O projeto vem observar e jogar luz às diferentes conexões que o público tem com o samba. Existe um tipo de samba pra cada situação da vida? Uma música pra cada momento? O que o samba te dá? Essas são algumas das provocações que trazemos nesse nosso primeiro trabalho em dupla”, explica a cantora.
Com banda completa e clima intimista, a roda busca criar uma experiência sensorial mais próxima do público. A proposta reforça também a força de uma nova geração do samba carioca, formada por artistas que transitam entre tradição, experimentação e diálogo com outras linguagens musicais contemporâneas.
Paralelamente aos projetos em circulação, Marina Iris também prepara novos passos importantes na carreira. A artista lançará ainda este ano, pela gravadora Biscoito Fino, um álbum em homenagem ao compositor Wilson Moreira, com participações de nomes como Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e Chico César. Em 2026, a cantora também estreou no Carnaval de Salvador como residente do tradicional camarote Expresso 2222.



