MISS MUNDO CHILE REVELA COMO O SYSTEM OF A DOWN MUDOU SUA VIDA

Ignacia Fernández contou que a banda foi decisiva para despertar seu interesse pelo metal extremo e influenciou a trajetória que a levou ao death metal progressivo.
Miss Mundo Chile revela influência do System Of A Down

À primeira vista, Ignacia Fernández pode ser associada ao universo dos concursos de beleza. Atual Miss Mundo Chile 2025, a modelo de 28 anos também constrói uma carreira na música como vocalista da banda chilena de death metal progressivo Decessus. Em entrevista à revista Chaoszine, ela revelou que sua relação com o metal começou ainda na infância e teve um ponto de virada ao conhecer o System Of A Down. Segundo a cantora, foi a partir da descoberta da banda que ela passou a explorar estilos cada vez mais pesados, iniciando uma jornada que mais tarde culminaria em sua atuação como vocalista. A história mostra como referências musicais podem influenciar escolhas de vida e derrubar estereótipos sobre quem faz parte da cena do metal.

O início da descoberta

Antes de mergulhar definitivamente no metal extremo, Ignacia Fernández teve contato com artistas mais conhecidos do rock. Ela contou que uma de suas primeiras referências foi o Guns N’ Roses, mas explicou que foi outra banda que realmente despertou sua curiosidade por sonoridades mais intensas. O impacto causado pelo System Of A Down mudou completamente a maneira como ela passou a consumir música.

Em entrevista à Chaoszine, a chilena relembrou o momento em que começou a ampliar seus horizontes musicais ainda aos 11 anos de idade.

“Antes eu tinha conhecido o Guns N’ Roses, mas quando descobri o System Of A Down comecei a procurar músicas cada vez mais pesadas. Eu amo a banda” (via Blabbermouth).

A partir desse primeiro contato, Ignacia passou a buscar artistas que exploravam diferentes vertentes do metal. Esse processo de descoberta aconteceu de forma gradual e abriu espaço para o conhecimento de bandas que utilizavam técnicas vocais bastante diferentes daquelas presentes no rock tradicional.

Entre essas influências apareceu o Epica, grupo responsável por apresentar à futura cantora os vocais guturais. Pouco tempo depois, outra experiência teria papel ainda mais importante em sua formação artística: assistir a uma apresentação do Arch Enemy.

Segundo Ignacia, aquele vídeo mudou sua percepção sobre o que era possível fazer dentro do metal extremo, especialmente por ver uma mulher ocupando a posição de vocalista em uma banda do gênero.

Ignacia Fernández encontrou no metal extremo a inspiração para construir sua trajetória como vocalista da Decessus. (Foto: Reprodução/Youtube)

O caminho até os guturais

A descoberta do Arch Enemy representou um divisor de águas na trajetória de Ignacia Fernández. Ao assistir à performance da banda, ela encontrou uma referência que influenciaria diretamente sua decisão de cantar death metal.

“Foi a primeira vez que vi uma mulher cantando death metal. Fiquei realmente impressionada e pensei: ‘É isso que eu quero fazer’.”

A partir desse momento, ela decidiu desenvolver a própria técnica vocal. Sem professores no início da jornada, começou a praticar sozinha em casa, recorrendo a vídeos disponíveis na internet para entender como funcionavam os guturais e tentando reproduzir os exercícios por conta própria.

O processo exigiu dedicação e muitas horas de treino. Ao recordar essa fase, Ignacia também compartilhou uma lembrança bem-humorada envolvendo sua família.

“Minha mãe provavelmente ficou muito assustada”, brincou.

Entre suas maiores inspirações está Alissa White-Gluz, especialmente pelo trabalho realizado durante o período em que integrou o The Agonist. A vocalista canadense se tornou uma das principais referências para Ignacia tanto pela técnica quanto pela presença de palco, reforçando a importância da representatividade feminina dentro de um segmento historicamente dominado por homens.

Mesmo com a motivação trazida por essas influências, o caminho não aconteceu sem obstáculos. Em determinado momento, problemas pessoais fizeram com que ela se afastasse temporariamente da música. Depois desse período, decidiu investir na formação vocal, estudando canto durante dois anos antes de dar início a um novo projeto musical.

Música e concursos

Após retomar os estudos e recuperar a confiança, Ignacia Fernández fundou a banda Decessus, marcando oficialmente sua entrada no cenário do death metal progressivo chileno. O projeto passou a representar uma nova fase artística e permitiu que ela colocasse em prática tudo o que havia desenvolvido desde os primeiros contatos com o metal extremo.

Apesar da preparação, a estreia ao vivo foi marcada por ansiedade. A cantora revelou que o nervosismo foi tão intenso que chegou a cogitar desistir da apresentação momentos antes de subir ao palco.

“Eu estava sentada em um parque pensando se seria tão ruim simplesmente voltar para casa. Tremia tanto que precisei segurar o microfone com as duas mãos.”

Mesmo diante da insegurança, Ignacia decidiu seguir em frente. O show aconteceu com casa cheia e acabou se tornando um marco importante em sua trajetória como vocalista.

Hoje, ela concilia a carreira musical com os compromissos ligados ao concurso Miss Mundo Chile, reunindo duas atividades que costumam ser vistas como universos bastante diferentes. A própria história da artista demonstra que o interesse pelo metal extremo pode surgir em qualquer contexto e que estereótipos nem sempre correspondem à realidade.

Ao compartilhar suas experiências, Ignacia também evidencia o papel que bandas como System Of A Down tiveram na formação de uma nova geração de músicos ao redor do mundo. No seu caso, a curiosidade despertada por um álbum levou à descoberta de novos estilos, ao aprendizado de técnicas vocais e, posteriormente, à criação de uma banda própria.

A combinação entre o universo dos concursos de beleza e a música pesada chama atenção justamente por romper expectativas, mas para Ignacia ambos fazem parte da mesma trajetória construída ao longo dos anos. Tudo começou com a curiosidade despertada por uma banda que continua figurando entre suas favoritas e que, segundo ela, abriu as portas para um caminho que a levaria ao death metal.

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