A Horney apresenta um novo momento de sua trajetória com o lançamento de Anti-Raso, EP que chega às plataformas digitais pela Algohits e marca a primeira obra completa da banda escrita integralmente em português. Formado por quatro músicas, o trabalho amplia a identidade artística do grupo, que nasceu em Joinville (SC) e hoje está baseado em São Paulo. As composições exploram questões ligadas à saúde mental, relações humanas, excesso de estímulos e à busca por uma vida menos automática.
O conceito do disco parte da ideia de enfrentar a superficialidade presente nas relações e no cotidiano. A proposta aparece tanto nas letras quanto na construção musical, que combina guitarras pesadas, mudanças de intensidade e influências do rock alternativo com elementos do pop eletrônico. Para a vocalista Duda Maiolini, o EP representa um posicionamento artístico e pessoal diante da forma como a sociedade se relaciona consigo mesma e com o mundo.
mergulho contra o raso
O conceito de Anti-Raso gira em torno da necessidade de aprofundar sentimentos, escolhas e conexões em uma época marcada pela velocidade e pela hiperconectividade. As quatro músicas abordam diferentes situações, mas todas convergem para a mesma reflexão: como preservar a individualidade em meio à pressão constante por respostas rápidas, consumo e produtividade.
Ao explicar a proposta do EP, Duda Maiolini resume o pensamento que orienta toda a obra. “Ser anti-raso é ser profundo ao ponto de não ser tão fácil de controlar”, afirma. Para ela, compreender melhor os próprios desejos também significa desenvolver senso crítico e autonomia diante das pressões do cotidiano.
A cantora amplia esse raciocínio ao comentar o significado do título do trabalho. “Anti-Raso é literalmente o que a gente não é, o que a gente debocha e aquilo contra o qual luta: a superficialidade. Mergulhar mais fundo nos desejos faz com que você entenda melhor os seus porquês e também os dos outros. Assim, fica mais capacitado para formular opiniões, pensar e existir como indivíduo, em vez de ser apenas um dado que responde a comandos. Essa é a base do rock para mim: ser contra o sistema”, afirma.
Essa ideia também aparece na construção sonora do EP. A banda utiliza o contraste entre momentos pesados e passagens mais delicadas para representar o equilíbrio entre força e vulnerabilidade. Guitarras distorcidas, bateria intensa e baixo marcante convivem com atmosferas contemplativas, criando uma identidade que evita estruturas previsíveis e reforça o discurso apresentado nas letras.

quatro histórias pessoais
Cada faixa desenvolve um aspecto diferente do conceito de Anti-Raso. A abertura fica por conta de “Off!”, primeiro single em português da Horney. A música aborda o impacto da conexão permanente sobre a saúde física e emocional, propondo o desligamento como forma de recuperar tempo, criatividade e autonomia diante da rotina acelerada.
Na sequência aparece “Quebra-Cabeça”, que conta com a participação de Dani Buarque, da The Mönic. A canção trata da forma como padrões estéticos, redes sociais e expectativas externas moldam a percepção sobre quem somos. O espelho representa a imagem construída pelos outros, enquanto a água simboliza um olhar mais natural e menos condicionado.
Sobre essa faixa, Duda explica: “A ideia é dar voz a sentimentos e questões dos quais muitas vezes a gente prefere fugir. O herói que esperamos está preso em nosso próprio reflexo. Somos reféns dos nossos medos e da escolha de escapar, em vez de encarar que nós somos aqueles que podem e devem nos salvar”, explica Duda.
Já “Mergulhar” leva a proposta do EP para o universo afetivo, tratando da coragem necessária para viver uma relação mesmo diante das incertezas. O encerramento fica com “Romântica”, descrita pela cantora como o momento mais leve do trabalho. A música ironiza a lógica dos aplicativos de relacionamento e critica a facilidade com que vínculos são descartados atualmente. “Quero ser romântica no século da putaria. Vamos nos amar e construir histórias para que a gente não se arrependa de não ter vivido. Talvez a gente se arrependa apenas de alguns detalhes, de algumas vírgulas ou de alguns parênteses”, diz a cantora.
identidade e próximos passos
A sonoridade da Horney nasce da combinação entre referências clássicas do rock alternativo dos anos 1990 e 2000 com elementos do pop contemporâneo. Entre as influências citadas por Duda estão Nirvana, Linkin Park, Foo Fighters, Queens of the Stone Age, The Strokes, Charli XCX, Billie Eilish, Rita Lee, Os Mutantes, Beatles e Paul McCartney.
A própria vocalista resume essa mistura de forma bem-humorada. “Eu diria que é como se Nirvana e Linkin Park tivessem um bebê”, resume Duda ao falar sobre a forma como a Horney transita entre peso, vulnerabilidade e apelo melódico.
As gravações aconteceram no Estúdio El Rocha, em São Paulo, sob produção de Fernando Sanches. Durante uma das sessões, a banda viveu um encontro inesperado com Criolo, que passava pelo estúdio ao lado de Rael e Mano Brown. Depois de ouvir “Quebra-Cabeça”, o artista conversou sobre os arranjos, incentivou o grupo a preservar sua identidade e ainda sugeriu registrar aquele momento em uma fotografia analógica, que deverá ser entregue futuramente. Ao lembrar da promessa, Duda comenta: “quem sabe muito em breve!”.
Criada em Joinville em 2018 e estabelecida em São Paulo desde 2025, a Horney agora prepara seu primeiro álbum completo desenvolvido pela formação atual, composta por Duda Maiolini, Rafael Bello, Duda Freitas e Gabriel Santolin. Ainda sem título ou data de lançamento, o disco deverá expandir temas apresentados em Anti-Raso, aprofundando discussões sobre identidade, relações humanas, desejos e as diferentes máscaras assumidas na vida em sociedade.












