A franquia Star Wars voltará aos cinemas em grande escala nos próximos meses, mas a nova produção da saga terá também um rosto brasileiro nos bastidores — ou melhor, por trás da armadura do protagonista. O ator e dublê Lateef Crowder dos Santos foi confirmado como responsável pelas cenas de ação de Din Djarin em “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, personagem interpretado por Pedro Pascal.
O novo longa marca o retorno oficial da franquia às telonas após sete anos desde “Star Wars: A Ascensão Skywalker”, lançado em 2019. A expectativa em torno do projeto já era alta entre os fãs da série derivada do Disney+, mas a presença de um brasileiro na equipe chamou atenção especialmente entre admiradores de cinema de ação e artes marciais.
Natural de Salvador, na Bahia, Lateef Crowder construiu uma carreira sólida em Hollywood ao unir capoeira, artes marciais e atuação física. Mesmo sem aparecer constantemente em destaque diante das câmeras, seu trabalho se tornou conhecido em diversas produções internacionais ao longo das últimas décadas. Agora, sua participação em uma das maiores franquias do entretenimento mundial reforça também a relevância de profissionais brasileiros no mercado audiovisual global.
Da capoeira em Salvador aos sets de Hollywood
Nascido em 1977, Lateef Crowder se mudou ainda criança para os Estados Unidos, mas manteve contato próximo com a cultura brasileira dentro de casa. A capoeira já fazia parte de sua rotina familiar, embora ele próprio admita que o envolvimento profissional com a prática veio mais tarde.
“Eu treinava com a minha família, mas não era nada muito especial. Mas em 1991, eu comecei a treinar com o mestre Vaguinho, em San Jose, Califórnia. Ele redefiniu a maneira como pratico capoeira, que é o que as pessoas veem hoje”, contou o ator em entrevista a Scott Adkins.
O domínio corporal e a agilidade chamaram atenção rapidamente dentro do circuito de filmes independentes de ação. Em uma época em que vídeos de coreografias e lutas começavam a circular pela internet, Lateef passou a ganhar visibilidade entre produtores internacionais interessados em estilos de combate mais dinâmicos e diferentes das artes marciais tradicionais vistas no cinema americano.
Seu estilo mesclando movimentos acrobáticos, velocidade e fluidez acabou se tornando um diferencial importante. Ao longo dos anos, ele participou de produções ligadas tanto ao cinema quanto aos videogames e à televisão, frequentemente associado a personagens fisicamente exigentes e cenas de combate mais elaboradas.
A entrada em Star Wars representa mais um passo de peso em uma trajetória construída longe dos holofotes convencionais, mas muito respeitada entre profissionais da indústria de ação. Para muitos fãs, a notícia também reforça como produções atuais dependem cada vez mais de especialistas em performance física para ampliar o realismo das cenas.

O encontro com Tony Jaa mudou sua carreira
Lateef Crowder revelou que sua entrada definitiva no cinema aconteceu quase por acaso. Após passar um período no Brasil, ele retornou aos Estados Unidos no início dos anos 2000 procurando maneiras de se sustentar. Foi nesse momento que começou a integrar pequenos grupos de dublês e artistas marciais ligados a produções independentes na Costa Leste norte-americana.
Segundo ele, muitos desses trabalhos eram divulgados online, algo ainda relativamente novo naquele período. Essa exposição acabou abrindo portas inesperadas.
“Na época, os filmes de que eu participava eram publicados na internet. Um dia, um produtor da Tailândia me ligou, falando que viu meu trabalho e perguntando se eu estava disponível para um filme com Tony Jaa. Era ‘O Protetor’.”
O convite mudou completamente sua trajetória profissional. O filme estrelado por Tony Jaa, astro tailandês conhecido internacionalmente por suas coreografias intensas e uso do Muay Thai, ajudou Lateef a ganhar projeção no mercado global de ação.
A partir dali, o brasileiro passou a ser chamado para trabalhos cada vez maiores dentro da indústria cinematográfica. Sua experiência com capoeira ajudava a criar movimentos mais fluidos e visualmente impactantes, algo muito valorizado em produções modernas de ação e fantasia.
Com o crescimento das franquias voltadas à cultura pop e ao streaming, profissionais especializados em movimentos corporais passaram a ter ainda mais espaço. Isso inclui desde captura de movimento até cenas complexas com armaduras, máscaras e personagens digitais, exatamente o tipo de trabalho exigido em Star Wars.
Star Wars reforça aposta em ação física e realista
A escolha de Lateef Crowder para atuar como dublê de Din Djarin também revela uma tendência cada vez mais presente em Hollywood: equilibrar efeitos digitais com performances físicas reais. Mesmo em universos altamente tecnológicos como Star Wars, a presença de atores e dublês especializados continua sendo essencial para dar autenticidade às cenas.
Pedro Pascal segue como principal rosto do personagem, mas grande parte das sequências de ação exige movimentos extremamente técnicos, principalmente por conta da armadura pesada do mandaloriano. Nesses momentos, profissionais como Lateef assumem papel fundamental na construção visual do personagem.
“O Mandaloriano e Grogu” será o primeiro longa derivado diretamente da série “The Mandalorian”, um dos maiores sucessos da era Disney dentro da franquia criada por George Lucas. O projeto também representa um novo momento para Star Wars nos cinemas após anos focados principalmente em produções para streaming.
Além do peso comercial da saga, a produção também aumenta a visibilidade de profissionais latino-americanos dentro do cinema internacional. Embora atores brasileiros já tenham conquistado espaço em Hollywood em diferentes épocas, a área de dublês e performers físicos ainda costuma receber menos atenção pública.
Para fãs brasileiros de Star Wars, a presença de Lateef Crowder adiciona um elemento extra de identificação ao novo filme. Já para o próprio artista, o projeto consolida uma carreira construída ao longo de décadas dentro de um setor extremamente competitivo e exigente fisicamente.
Enquanto a estreia de “O Mandaloriano e Grogu” segue cercada de expectativa, a confirmação do brasileiro no elenco técnico mostra que a influência nacional continua chegando a produções gigantescas da cultura pop mundial — muitas vezes em posições fundamentais para o resultado final que o público vê nas telas.



