MIKE HELLER APRENDE REPERTÓRIO DO ANTHRAX EM 4 HORAS E FAZ SHOW HISTÓRICO

Baterista substituiu Charlie Benante de última hora e encarou uma plateia de aproximadamente 56 mil pessoas durante apresentação no Texas.
Mike Heller aprende músicas do Anthrax em 4 horas e faz show

O baterista Mike Heller, conhecido por suas passagens pelo Fear Factory e pelo Raven, viveu uma situação pouco comum até mesmo para músicos experientes. Convocado às pressas para substituir Charlie Benante no Anthrax, ele teve aproximadamente quatro horas para estudar o repertório e subir ao palco do Alamodome, em San Antonio, no Texas, diante de cerca de 56 mil espectadores. A apresentação aconteceu em 29 de setembro, durante a passagem da turnê “Run for Your Lives”, do Iron Maiden, pelos Estados Unidos.

A substituição foi necessária porque Benante não pôde participar do compromisso, por motivos que não foram divulgados. Sem muito tempo para reorganizar a apresentação, o Anthrax encontrou uma alternativa por intermédio de Dirk Verbeuren, baterista do Megadeth, que também integrava a programação da noite. Heller aceitou o convite mesmo sem conhecer, na prática, as partes de bateria das músicas que precisaria executar. O resultado foi uma corrida contra o relógio que acabou se transformando em uma experiência marcante para o músico.

Uma ligação inesperada

Tudo começou por volta das 14h, quando Heller recebeu uma ligação de Dirk Verbeuren. O integrante do Megadeth queria saber se o colega estava disponível naquela noite e se conseguiria assumir a bateria do Anthrax às 18h30. A pergunta surgiu em um momento no qual Heller não tinha qualquer compromisso semelhante planejado. Segundo seu próprio relato, a expectativa era aproveitar um dia tranquilo em casa, longe da movimentação de uma grande turnê internacional.

Apesar de já possuir experiência em bandas importantes do metal, o baterista enfrentava uma dificuldade específica: nunca havia executado as músicas do Anthrax. Isso significava aprender estruturas, viradas, mudanças de andamento e detalhes de execução em um intervalo extremamente curto. Para complicar, não bastava reproduzir as gravações de estúdio, já que determinados arranjos apresentavam diferenças nas versões utilizadas pela banda durante os shows.

Heller começou anotando a estrutura de duas músicas antes de seguir para o Alamodome. O deslocamento também trouxe imprevistos, incluindo trânsito e orientações equivocadas sobre o estacionamento. Quando finalmente conseguiu entrar no local, restava pouco tempo para conversar com os integrantes do Anthrax. O encontro durou menos de uma hora e serviu para esclarecer as principais alterações do repertório, enquanto o baterista continuava preparando suas anotações.

O episódio mostra como situações emergenciais podem exigir soluções rápidas mesmo em produções de grande porte. Além da execução musical, havia questões relacionadas ao equipamento, à comunicação com os demais integrantes e à dinâmica do espetáculo. Heller precisou lidar com tudo isso praticamente sem ensaio, contando com sua experiência profissional e com as informações recebidas da banda para acompanhar a apresentação diante de milhares de pessoas.

Com Mike Heller na bateria, o Anthrax manteve sua apresentação mesmo diante de um imprevisto de última hora.

O desafio diante do público

Depois da apresentação, Mike Heller publicou um relato no Facebook, reproduzido pelo site Consequence, descrevendo a sequência de acontecimentos. O músico destacou o contraste entre os planos que tinha para aquele dia e a responsabilidade assumida poucas horas depois. Também deixou claro que, embora estivesse acostumado aos palcos, a situação estava longe de ser confortável ou previsível.

“Acordei hoje achando que passaria um dia tranquilo com meus gatos e meu drumpad… aí, do nada, às 14h, recebo uma ligação do meu amigo Dirk Verbeuren… ele pergunta se estou na cidade hoje à noite, se conheço alguma música do Anthrax e se posso substituir o Charlie Benante às 18h30 na turnê do Maiden/Megadeth/Anthrax…

Bom… eu não sabia tocar nenhuma música do Anthrax na bateria, mas rapidamente anotei as estruturas de duas delas, corri para o Alamodome… peguei trânsito e fui direcionado para o lugar errado de estacionar… finalmente entrei, sentei com o pessoal do Anthrax por menos de uma hora… anotei as outras músicas enquanto eles me explicavam como as versões que tocam ao vivo diferem das do álbum… e então subi no palco diante de 56 mil pessoas, ou algo assim, e dei o meu melhor… Caramba! Como diabos eu vim parar aqui?!?!”

A publicação também trouxe agradecimentos aos músicos e profissionais envolvidos na substituição. Heller mencionou Jon Donais, Frank Bello, Scott Ian e Joey Belladonna, além de Armando Aguirre e Paul Collis. O baterista reconheceu especialmente a participação de Dirk Verbeuren e Chris Jericho, responsáveis por indicá-lo para a oportunidade. Para ele, a confiança depositada pela equipe foi fundamental para que aceitasse um compromisso com tão pouca preparação.

“Tenho que agradecer a Jon Donais, Frank Bello, Scott Ian, Joey Belladonna, Armando Aguirre, Paul Collis e a toda a equipe do Anthrax por confiarem que eu daria conta do recado… e, claro, a Dirk e Chris Jericho por me indicarem!!

Ainda não faço ideia do que aconteceu! Da próxima vez, espero ter mais do que algumas horas para tentar aprender as músicas… e, quem sabe, conseguir ajustar a bateria para uma posição confortável para mim… mas essa é uma noite que jamais esquecerei!”

Anthrax segue com a turnê

A apresentação aconteceu durante uma fase movimentada para o Anthrax, que acompanha o Iron Maiden em compromissos da turnê “Run for Your Lives”. A programação também inclui o Megadeth, reunindo três nomes de grande importância para diferentes gerações do heavy metal. Nesse contexto, a ausência de Benante representou um desafio adicional para a banda, especialmente considerando a dimensão do evento realizado no Texas.

O grupo também atravessa um período de expectativa em torno de seu próximo trabalho de estúdio, apresentado como Cursum Perficio. O projeto representa a perspectiva de encerrar um longo intervalo sem lançamentos completos de material inédito. Paralelamente, os compromissos ao vivo mantêm o Anthrax em contato com grandes públicos, enquanto a banda administra os imprevistos naturais de uma agenda internacional.

A ausência de Charlie Benante não ficou restrita à apresentação de San Antonio. Em 2 de outubro, durante outro compromisso da turnê, desta vez na Cidade do México, o músico novamente não esteve disponível. Para essa apresentação, o Anthrax contou com Derek Roddy na bateria. Até o momento dos relatos divulgados, não havia uma explicação pública detalhada sobre os motivos das substituições.

Para Mike Heller, a noite no Alamodome terminou como uma experiência difícil de repetir. Sem ensaios completos, com anotações feitas às pressas e utilizando uma bateria que sequer estava ajustada às suas preferências, ele conseguiu participar de uma apresentação de grande porte. O episódio também evidenciou a colaboração entre músicos de diferentes bandas, algo que pode fazer a diferença quando uma turnê enfrenta situações inesperadas.

Leia Também:

Deixe um comentário