AIRTO MOREIRA LANÇA “MARACANÓS” E RETOMA PARCERIA COM BACELAR

Percussionista brasileiro apresenta novo álbum autoral gravado em Fortaleza e prepara outro projeto ao lado de Flora Purim
Airto Moreira lança Maracanós com Ricardo Bacelar

Aos 85 anos — idade que será celebrada em agosto de 2026 — o percussionista e baterista Airto Moreira mantém uma agenda criativa ativa e produtiva. Entre 2024 e 2025, o músico registrou dois álbuns em parceria com o pianista cearense Ricardo Bacelar, em sessões realizadas no estúdio do artista em Fortaleza (CE). Um desses trabalhos já tem data para chegar ao público: trata-se de “Maracanós”, disco autoral que marca o reencontro de Airto com o processo de composição colaborativa e reforça sua relevância no cenário da música instrumental contemporânea.

O lançamento está previsto para o dia 24 de abril, pelo selo Jasmin Music, com distribuição internacional que inclui mercados estratégicos como Estados Unidos, Europa, China e Japão. Além das plataformas digitais, o álbum também contará com edição física em CD, reafirmando a presença do músico em diferentes formatos de consumo musical.

dois álbuns, duas propostas distintas

Os registros feitos por Airto Moreira e Ricardo Bacelar resultaram em dois projetos com abordagens diferentes. O primeiro deles, ainda inédito, é um disco de intérprete que reúne Airto ao lado da cantora Flora Purim, sua parceira artística e pessoal de longa data. Nesse trabalho, o foco recai sobre releituras de composições brasileiras, como “Dona Olímpia”, de Toninho Horta e Ronaldo Bastos, e “Esquinas”, de Djavan.

Já “Maracanós” segue outro caminho, sendo um álbum integralmente autoral. O repertório é composto por oito faixas assinadas em parceria por Airto Moreira e Ricardo Bacelar, evidenciando uma conexão criativa construída ao longo das sessões em estúdio. O contraste entre os dois discos evidencia a versatilidade do percussionista, que transita entre interpretação e criação com naturalidade.

Gravado em duas etapas, o projeto reflete o ambiente colaborativo entre os músicos e a proposta de explorar novas texturas sonoras. A produção mantém o diálogo entre a percussão característica de Airto e o piano de Bacelar, resultando em um trabalho que mescla influências brasileiras com elementos do jazz contemporâneo.

Capa de ‘Maracanós’, de Airto Moreira e Ricardo Bacelar. (Foto: Pintura de Fernando França. Design: MZK)

repertório autoral e colaborações

O álbum “Maracanós” apresenta composições inéditas como “Pé no chão”, “Bumbo meu boi”, “Submersivos”, “Pau rolou”, “3 minutos de paz” e “Mestre novo da Guiné”. As faixas destacam a assinatura rítmica de Airto, combinada à construção harmônica desenvolvida em parceria com Bacelar.

Entre os momentos de destaque do disco está a participação de Flora Purim na faixa “Voo da tarde”. A música ganha uma camada adicional com a presença do Kalimera String Quartet, responsável pelos arranjos de cordas que ampliam a dimensão sonora da gravação. A finalização dessa faixa ocorreu em 2025, no estúdio Visom, no Rio de Janeiro, complementando o material captado inicialmente em Fortaleza.

O projeto também chama atenção pela capa, que traz uma obra do artista plástico acreano Fernando França. A escolha reforça o diálogo entre música e artes visuais, contribuindo para a identidade estética do álbum.

trajetória internacional e legado no jazz

A nova fase de lançamentos de Airto Moreira se insere em uma trajetória consolidada ao longo de décadas. O músico ganhou projeção internacional a partir dos anos 1970, quando se estabeleceu nos Estados Unidos e passou a atuar no cenário do jazz, especialmente na vertente fusion.

Um dos marcos dessa trajetória foi sua participação no álbum “Bitches Brew” (1970), de Miles Davis, considerado um dos discos mais influentes da história do jazz. A colaboração abriu portas para o percussionista brasileiro em um mercado altamente competitivo, permitindo que ele trabalhasse com diversos nomes relevantes da música internacional.

Desde então, Airto construiu uma discografia extensa, tanto em projetos solo quanto em colaborações, acumulando reconhecimento e prêmios ao longo do caminho. Sua atuação também contribuiu para ampliar a presença de músicos brasileiros no circuito internacional, especialmente no universo do jazz e da música instrumental.

Antes de “Maracanós”, seu último lançamento havia sido “Eu canto assim” (2021), um trabalho que chamou atenção por apresentar o músico em uma função menos comum: a de cantor. O disco resgatou memórias de sua juventude, quando se apresentava como crooner em casas noturnas no Paraná, ainda na década de 1950.

Com o novo álbum, Airto retoma o protagonismo como percussionista e compositor, reafirmando sua identidade artística. Ao mesmo tempo, mantém viva a conexão com diferentes fases de sua carreira, transitando entre passado e presente sem abrir mão da experimentação.

O lançamento de “Maracanós” reforça a permanência de Airto Moreira como um dos nomes mais influentes da música brasileira no exterior. Mesmo após décadas de atuação, o músico segue produzindo com consistência e explorando novas possibilidades sonoras, dialogando com diferentes gerações e públicos.

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