O cantor e compositor catarinense Carmino lançou o single “Tristes Olhos Verdes”, faixa que aborda as inseguranças dos relacionamentos amorosos por meio de uma narrativa inspirada em batalhas medievais. A composição utiliza armaduras como metáfora para os mecanismos de defesa construídos por duas pessoas que, apesar do envolvimento afetivo, compartilham o receio de sofrer. Musicalmente, a novidade combina elementos do indie rock com sintetizadores e referências à música dos anos 1980, criando um contraste entre a atmosfera dançante dos arranjos e o conteúdo introspectivo da letra. O lançamento também representa uma nova etapa na trajetória do artista, que desenvolve seu trabalho autoral na cena independente catarinense desde 2018.
“Tristes Olhos Verdes” encerra uma sequência de três singles iniciada com “Querido Querubim” e continuada por “Pégaso”. As músicas integram a preparação para o próximo EP de Carmino, com lançamento previsto para os últimos meses de 2026. Entre as referências sonoras da nova composição está “Take on Me”, sucesso do grupo norueguês A-ha, especialmente pela combinação de melodias marcantes e elementos eletrônicos. A proposta também dialoga com diferentes vertentes do indie contemporâneo, mantendo guitarras, baixo e bateria próximos de uma estética pop alternativa. Na letra, a tentativa de compreender uma pessoa emocionalmente distante conduz a uma reflexão sobre idealização, expectativas e a dificuldade de distinguir sentimentos reais das imagens criadas durante uma relação.
Entre armaduras e sintetizadores
A narrativa de “Tristes Olhos Verdes” acompanha um personagem que procura entender os sentimentos de alguém que evita demonstrar vulnerabilidade. Conforme a composição avança, a perspectiva muda e o próprio narrador passa a questionar suas motivações. A dúvida deixa de estar concentrada no comportamento da outra pessoa e se volta para a possibilidade de que o relacionamento tenha sido construído sobre uma imagem idealizada. Essa mudança de interpretação sustenta o conceito da faixa, que utiliza referências medievais para representar conflitos emocionais presentes nas relações contemporâneas. Segundo Carmino, o processo de escrita aconteceu durante um período de transformações pessoais e mudanças na estrutura do estúdio.
“Essa foi uma das letras mais difíceis de escrever até hoje, talvez por considerá-la muito pessoal. Fui escrevendo imaginando o romance como um campo de batalha medieval, em que cada um usa suas armaduras por medo de se machucar. A gente produziu esse som sob essa mesma sensação, já que o estúdio estava em processo de mudança e eu passando por vários processos pessoais”, conta o artista. A declaração ajuda a contextualizar a construção da música, que apresenta uma temática emocionalmente carregada sem abandonar uma estrutura instrumental voltada para melodias acessíveis e ritmos movimentados. A oposição entre esses elementos é uma das características centrais do lançamento.
Na produção musical, Carmino reuniu influências de artistas como Terno Rei, The 1975, Fontaines D.C. e Christian Leave, referências que transitam entre diferentes abordagens do rock alternativo. A gravação foi desenvolvida no Estúdio Euphonia, com produção e arranjos assinados por Demis Kohler e pelo próprio cantor. O trabalho também contou com Ruan Mueller na bateria, Joaquim Roxo no contrabaixo e Elieser de Jesus nos arranjos vocais. A participação desses músicos contribuiu para a construção de uma sonoridade que alterna passagens instrumentais intensas e momentos mais melódicos, acompanhando as mudanças de perspectiva apresentadas ao longo da composição.
Viabilizado com apoio do Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Guabiruba, em Santa Catarina, o single integra a continuidade da produção independente de Carmino. Atuante na região Sul desde meados de 2018, o músico estreou oficialmente nas plataformas digitais com o álbum “Casa de Badalação & Tédio”, lançado em 2024. Ao longo de sua trajetória, também dividiu o palco com Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo, Paira e Cidade Dormitório. Com “Tristes Olhos Verdes”, o artista conclui a apresentação das três faixas que antecedem seu novo EP, ampliando um repertório que combina experiências pessoais, referências do rock alternativo e diferentes possibilidades de produção musical.













