GENE HOGLAN COMENTA SEMELHANÇA ENTRE METALLICA E DARK ANGEL EM MÚSICAS

Baterista relembra a criação da levada de bumbo duplo de “Darkness Descends”, lançada em 1986, e comenta sua possível influência sobre “One”, do Metallica.
Gene Hoglan comenta semelhança entre Metallica e Dark Angel

O baterista Gene Hoglan, conhecido por seus trabalhos com Death, Dark Angel, Testament e Strapping Young Lad, comentou uma possível ligação entre duas músicas importantes da história do Thrash Metal. Durante uma entrevista conduzida por Craig Reynolds, o músico foi questionado sobre as semelhanças entre “Darkness Descends”, lançada pelo Dark Angel em 1986, e “One”, apresentada pelo Metallica dois anos depois. A discussão surgiu a partir de uma característica rítmica presente nas duas composições: o uso do bumbo duplo acompanhando diretamente os riffs de guitarra.

Reynolds levantou a hipótese de que Hoglan teria desenvolvido uma das primeiras versões do breakdown moderno, recurso posteriormente associado ao Metalcore e a outras vertentes do Metal extremo. Embora tenha reconhecido a possibilidade, o baterista evitou alimentar qualquer acusação de plágio contra o Metallica. Em vez disso, destacou a importância da banda para sua geração e explicou como chegou à estrutura de bateria utilizada em “Darkness Descends”. A conversa também trouxe referências ao Metal Church e ao falecido baterista Kirk Arrington, cuja abordagem rítmica ajudou a inspirar aquela composição.

A comparação com Metallica

A discussão começou quando Craig Reynolds apresentou sua interpretação sobre a importância de “Darkness Descends” para a evolução das estruturas rítmicas do Metal. Segundo o entrevistador, a maneira como Gene Hoglan sincronizou os bumbos com a guitarra antecipou uma característica que se tornaria recorrente em bandas de Metalcore. Reynolds resumiu sua opinião com uma declaração direta: “Vou mandar a real: acho que você criou o primeiro breakdown moderno.”

A resposta de Hoglan foi breve e demonstrou que o assunto não representa uma preocupação em sua trajetória. “Na verdade, sim, mas não dou muita importância a isso.” A declaração abriu espaço para uma comparação com “One”, faixa do álbum “…And Justice for All”, de 1988. A música do Metallica apresenta uma passagem marcada pela combinação entre guitarras e bateria, especialmente em sua parte final, frequentemente lembrada pela intensidade do bumbo duplo.

Apesar da proximidade apontada por Reynolds, Hoglan preferiu reconhecer a contribuição dos músicos que ajudaram a estabelecer o Thrash Metal. O baterista citou Lars Ulrich e Dave Mustaine como figuras fundamentais para o gênero, deixando claro que sua percepção sobre o Metallica não estava ligada a uma disputa por reconhecimento. Para ele, a influência exercida por esses artistas teve importância direta no desenvolvimento de toda uma geração.

“Sem o Metallica, nenhum de nós estaria aqui; e sem o Lars, nenhum de nós estaria fazendo o que faz. Digo, ele é o padrinho da bateria no Thrash Metal, e o Metallica, junto com o Dave Mustaine, é o padrinho do Thrash Metal. Lembro de quando ‘One’ tocava muito no rádio. Meus amigos me ligavam e diziam: ‘Cara, você ouviu a música nova do Metallica? Caramba, é… nossa, você precisa ouvir isso’. Eu ouvi e pensei: ‘Entendido. Beleza’, sabe?”

Gene Hoglan relembrou a criação da levada de “Darkness Descends” e evitou alimentar uma polêmica sobre a possível influência no Metallica. (Foto: Reprodução)

A criação de Darkness Descends

Ao explicar a origem da levada, Hoglan contou que estava experimentando padrões de bateria mais elaborados durante o processo de composição do Dark Angel. Naquele período, seu objetivo era encontrar maneiras diferentes de acompanhar os riffs, utilizando o bumbo duplo para criar movimentações rítmicas que fugissem das estruturas convencionais. A ideia surgiu de experiências realizadas com o guitarrista Jim Durkin, um dos principais responsáveis pela identidade musical da banda.

Uma das referências mencionadas pelo baterista foi “Metal Church”, música da banda homônima, lançada em seu álbum de estreia, de 1984. Hoglan recordou a execução de Kirk Arrington, que utilizava uma batida relativamente simples durante a composição. Ao ouvir aquela estrutura, começou a imaginar como o resultado poderia mudar caso o bumbo acompanhasse determinados movimentos da guitarra. Essa observação acabou contribuindo para o desenvolvimento de sua própria abordagem.

“Era algo que eu mesmo estava começando a desenvolver naquela época, porque nunca tinha ouvido ninguém fazer isso. Eu estava compondo várias coisas que usavam uns padrões de bumbo mais elaborados, bem mais complexos do que apenas o básico. Toda aquela levada de bateria veio de… não sei se você conhece a música ‘Metal Church’, da banda Metal Church. E o Kirk Arrington, o baterista deles, manteve um groove… eles faziam algo como… ele manteve uma base, uma batida bem simples durante a música toda. Então, o Jim e eu tocávamos o riff, e eu encaixava o bumbo duplo ali. É aquele tipo de coisa em que a gente pensa: ‘Poxa, bem que ele poderia ter feito isso’. E aí, aquela batida simplesmente… sabe? Então, quando começamos a compor a música ‘Darkness Descends’, inserimos essa batida nela, e eu, com certeza, trabalhei bastante nisso.”

O relato mostra que a construção da bateria de “Darkness Descends” ocorreu por meio de experimentações e referências musicais anteriores. Lançado em 1986, o álbum consolidou a proposta agressiva do Dark Angel, caracterizada pela velocidade e pela complexidade de suas composições. A faixa-título acabou se tornando um exemplo da abordagem desenvolvida por Hoglan, especialmente pela interação entre guitarra e bateria.

A influência no Metal moderno

A associação entre “Darkness Descends” e “One” também chama atenção para as transformações ocorridas na linguagem do Metal durante os anos 1980. Naquela década, diferentes bandas começaram a explorar mudanças bruscas de andamento, passagens cadenciadas e padrões de bateria cada vez mais elaborados. Esses elementos seriam incorporados posteriormente por grupos ligados ao Death Metal, ao Groove Metal e ao Metalcore, embora cada estilo tenha desenvolvido características próprias.

No caso dos breakdowns, a expressão costuma identificar trechos em que a composição ganha uma abordagem rítmica mais marcada, frequentemente acompanhada por riffs pesados e mudanças na dinâmica instrumental. A sincronização entre bumbo duplo e guitarra é uma das possibilidades utilizadas nesse contexto, mas não constitui uma definição exclusiva do recurso. Por isso, estabelecer quem criou o primeiro breakdown moderno depende dos critérios adotados para analisar essas estruturas.

A comparação apresentada por Reynolds também não comprova que o Metallica tenha copiado deliberadamente o Dark Angel. Embora “Darkness Descends” tenha chegado ao público antes de “One”, a semelhança entre determinados padrões rítmicos não demonstra, isoladamente, uma relação direta de influência. O próprio Hoglan não apresentou a questão como uma acusação e preferiu destacar as contribuições de outros bateristas para sua formação musical.

Com passagens por Death, Testament, Strapping Young Lad e Dethklok, Gene Hoglan construiu uma carreira associada à precisão técnica e à utilização de estruturas complexas na bateria. Sua explicação sobre “Darkness Descends” acrescenta contexto à discussão sobre a evolução do Metal extremo e mostra como ideias musicais podem surgir da adaptação de referências anteriores. A entrevista deixa aberta a discussão sobre a origem dos breakdowns modernos, sem estabelecer uma conclusão definitiva sobre a autoria desse recurso.

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