A Superfuzzy apresentou nesta quarta-feira (30) “Sem Direção”, segundo single de sua trajetória. Formado em 2025, o grupo paulista usa a nova faixa para reforçar uma identidade musical ligada ao peso e à crueza do rock alternativo dos anos 1990, ao mesmo tempo em que aborda um tema delicado: a saúde mental. O lançamento sucede “Só Você” e amplia o primeiro conjunto de músicas autorais da banda, que reúne integrantes com uma convivência musical iniciada muito antes do surgimento do projeto atual.
A gravação aconteceu no estúdio Toca do Lobo e teve produção de Paulo Anhaia, profissional que acumula trabalhos com artistas como Charlie Brown Jr., CPM 22 e NX Zero. Segundo o baixista Samir Natali, o ambiente encontrado durante as sessões ajudou o grupo a desenvolver a faixa sem amarras. “Foi ótimo, o Paulo nos deixou bastante confortáveis e trouxe ideias incríveis.” Além do lançamento nas plataformas digitais, “Sem Direção” ganhou um videoclipe dirigido por Lucas Shtorache e Dani Buarque. A faixa chega pelo selo Alcateia STDK Records, iniciativa criada pela Superfuzzy em parceria com o empresário Júlio Stodiek, e ajuda a apresentar com mais clareza a direção escolhida pelo quarteto para seus primeiros lançamentos autorais. O resultado conecta a estreia recente da banda às referências que moldaram seus integrantes.
Uma letra sobre saúde mental
Para a Superfuzzy, o peso das guitarras em “Sem Direção” funciona ao lado de uma letra voltada a questões emocionais. O vocalista e guitarrista Betto Zanchi explica que a composição nasceu de uma abordagem sobre depressão e sobre as dificuldades envolvidas no reconhecimento dos próprios sentimentos. “É sobre lidar com a depressão, sobre como essa doença afeta as pessoas e como saber lidar com suas próprias emoções.”
A escolha do assunto coloca a letra no centro da proposta apresentada pela banda. Em vez de tratar a sonoridade pesada apenas como referência estética, o quarteto procura aproximar a energia instrumental de temas que considera relevantes.
Essa característica já havia aparecido no single anterior, “Só Você”. De acordo com Betto, a música aborda a violência contra a mulher e representou um “acerto total, pois a banda já mostrou para o que veio”.
O próprio vocalista resume essa combinação como parte essencial da identidade do grupo. “Uma banda de rock energética com uma explosão de sentimentos, com riffs de guitarra e letras pensadas e bem elaboradas. Fazendo as pessoas pensarem. Não somos e não queremos fazer parte da moda.” A declaração situa “Sem Direção” dentro de uma proposta que busca dialogar com referências conhecidas sem seguir tendências passageiras.

Uma parceria de longa data
Embora a Superfuzzy tenha sido oficialmente formada em 2025, a história entre seus integrantes é bem mais antiga. Betto Zanchi, na guitarra e voz, Nando Antonietti, na guitarra, Samir Natali, no baixo, e Gabê Almeida, na bateria, já haviam dividido outros projetos ao longo de quase duas décadas.
Nando descreve a criação do grupo como a abertura de uma nova fase. “No ano passado resolvemos escrever um novo capítulo dessa história, e esse capítulo se chama Superfuzzy, uma banda de verdade, com amigos de verdade, que fazem a música que gostam, sentem e acreditam. Sem firulas, eufemismos ou atenuações”. A fala reforça o caráter pessoal atribuído ao projeto.
Essa convivência anterior também aparece na maneira como a banda apresenta seu repertório. A Superfuzzy se apoia na familiaridade entre músicos que já conheciam suas respectivas formas de tocar. “Sem Direção” chega nesse momento de consolidação, quando o grupo ainda apresenta ao público os elementos que pretende desenvolver nos próximos trabalhos.
O lançamento também marca a atuação do selo Alcateia STDK Records, criado pela própria banda em parceria com o empresário Júlio Stodiek. Com essa estrutura, a Superfuzzy dá sequência aos primeiros passos de sua discografia. O videoclipe dirigido por Lucas Shtorache e Dani Buarque complementa essa apresentação e amplia a presença da faixa para além das plataformas de áudio.
O grunge como referência
Musicalmente, a Superfuzzy assume a influência do grunge, do post-grunge e do rock alternativo produzido entre os anos 1990 e o começo dos anos 2000. Foo Fighters, Alice in Chains, Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam aparecem entre as referências citadas pelo grupo, um recorte que ajuda a explicar as guitarras densas e a energia buscada em “Sem Direção”.
Para os integrantes, essa aproximação não acontece apenas como tentativa de reproduzir uma época. A relação com aquele repertório passa pela experiência dos músicos, que acompanharam esse período e carregaram suas referências ao longo dos anos.
Nando Antonietti traduz essa postura em uma declaração enfática sobre o rock que o quarteto pretende fazer. “Nós tocamos grunge dos anos 90 porque nós vivemos isso. Nós viemos pra enfiar um chute na bunda dessa galera, trazendo o rock como ele era e nunca deveria ter deixado de ser: direto, verdadeiro, cru e alto!”
Com “Sem Direção”, a Superfuzzy dá mais um passo para transformar essas referências em linguagem própria. O single mantém a combinação de peso e letras temáticas indicada no trabalho anterior, enquanto a produção de Paulo Anhaia ajuda a apresentar essa proposta em estúdio. No começo de sua trajetória, a banda aposta na experiência acumulada pelos integrantes para construir um repertório que olha para os anos 1990 sem esconder sua origem contemporânea.













