O Slipknot lançou nesta quarta-feira, 9 de setembro, “Arsenal”, primeira composição inédita do grupo desde o álbum “The End, So Far”, de 2022. O single também representa a estreia oficial de Eloy Casagrande em estúdio com a banda norte-americana, dois anos depois de o brasileiro assumir a bateria nos shows. Disponível nas principais plataformas digitais, a música abre um novo capítulo para o conjunto de Iowa após um período marcado por mudanças internas, apresentações comemorativas e poucas indicações concretas sobre o rumo do próximo trabalho. A chegada sem uma longa campanha prévia reforçou o caráter de surpresa e rapidamente mobilizou a atenção do público nas redes.
O lançamento veio acompanhado de um videoclipe dirigido por M. Shawn Crahan, o Clown, percussionista e integrante fundador do Slipknot. A produção traz o ator Jackson White no centro de uma narrativa sombria, alinhada à estética visual construída pelo grupo desde o fim dos anos 1990. Embora “Arsenal” naturalmente alimente expectativas sobre um futuro álbum, a banda ainda não informou título, data ou formato de um novo disco. Por enquanto, a faixa funciona como um registro isolado e como a primeira amostra da formação renovada em material autoral. Sua divulgação também recoloca o grupo no circuito de novidades depois de um período concentrado na agenda ao vivo e em revisitas ao catálogo.
Eloy estreia em estúdio
Eloy Casagrande passou a integrar o Slipknot em 2024, ocupando a vaga deixada por Jay Weinberg, desligado no ano anterior. Antes da confirmação oficial, a identidade do novo baterista foi cercada por especulações, encerradas depois das primeiras apresentações do grupo com o brasileiro. Desde então, sua presença ganhou destaque pela precisão, força e velocidade demonstradas ao vivo.
O músico havia permanecido no Sepultura desde 2011 e saiu pouco antes do início da turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”. A mudança teve forte repercussão entre fãs de metal, sobretudo no Brasil. No Slipknot, ele encontrou um repertório fisicamente exigente, construído sobre viradas rápidas, acentos quebrados e a interação constante entre bateria e percussões.
“Arsenal” leva essa parceria ao ambiente de estúdio pela primeira vez. A faixa combina riffs pesados, intervenções eletrônicas, mudanças de dinâmica e os vocais agressivos de Corey Taylor. A bateria ocupa posição evidente no arranjo, mas sem transformar a composição em mera vitrine técnica: o desempenho de Eloy aparece integrado ao ataque coletivo que caracteriza a banda.
A gravação tem peso simbólico porque documenta uma formação que o público conhecia principalmente nos palcos. Ela também permite observar como o baterista participa do processo criativo, algo diferente de executar músicas consolidadas do catálogo. Ainda não foram divulgados créditos detalhados sobre composição e gravação capazes de esclarecer a extensão de sua participação na criação do single.

Um período de mudanças
Desde “The End, So Far”, lançado em setembro de 2022, o Slipknot atravessou uma sequência de alterações. Craig Jones deixou o conjunto em 2023, após quase três décadas ligado aos samples e teclados. No mesmo ano, Jay Weinberg também saiu, encerrando uma passagem iniciada em 2014 como sucessor do baterista fundador Joey Jordison.
A formação mudou novamente com a saída de Sid Wilson, anunciada em 2026. O DJ integrava a banda desde os primeiros anos de projeção internacional e contribuía para a camada eletrônica do som. Até o momento, não foi esclarecido publicamente se ele participou de “Arsenal”, cuja produção preserva elementos digitais associados à identidade do Slipknot.
Nesse intervalo, a banda não ficou totalmente distante dos lançamentos. Em 2023, apresentou o EP “Adderall”, que reuniu versões alternativas, interlúdios e peças instrumentais relacionadas ao ciclo do disco anterior. Também lançou “Bone Church”, música desenvolvida durante anos, mas nenhum desses projetos inaugurava uma etapa autoral construída com Eloy na bateria.
Por isso, “Arsenal” ocupa um lugar específico na discografia recente. É a primeira composição efetivamente nova divulgada depois de “The End, So Far” e surge quando o grupo reorganiza funções importantes de sua formação. A canção não resolve todas as dúvidas sobre essa fase, porém oferece a primeira referência concreta de como o Slipknot pretende soar após as mudanças.
O que vem depois
O single também chama atenção por inaugurar o selo (sic)est Records, associado à Roadrunner e à Atlantic. A novidade indica uma alteração na forma de apresentar os próximos trabalhos depois do encerramento do contrato de longa duração com a Roadrunner. Ainda assim, a banda não detalhou como a nova estrutura funcionará nem quais projetos serão lançados por ela.
As informações disponíveis sobre o oitavo álbum continuam limitadas. Integrantes já comentaram em entrevistas que estavam trabalhando em ideias e experimentando em estúdio, mas não há anúncio formal de repertório, produtor, cronograma ou turnê ligada ao disco. Dessa maneira, tratar “Arsenal” como confirmação de um álbum próximo ainda exige cautela.
O videoclipe amplia o lançamento sem entregar respostas diretas. Sob a direção de Clown, Jackson White interpreta um homem que tenta registrar secretamente um ritual e acaba envolvido pela situação. A abordagem recupera o interesse recorrente do Slipknot por imagens desconfortáveis, personagens mascarados e cenas abertas a interpretações, funcionando como extensão do clima tenso da música.
Para Eloy Casagrande, o lançamento consolida uma etapa iniciada nos palcos e agora registrada oficialmente na discografia do grupo. Para o Slipknot, representa a oportunidade de testar uma formação reformulada e retomar a produção inédita após quatro anos. Se “Arsenal” será um single avulso ou a porta de entrada para um álbum, a banda ainda não revelou.












