Adonai, vocalista do Cidade Verde Sounds, abre um novo capítulo de sua carreira solo com “Originais”, parceria com Alborosie lançada em 4 de setembro nas plataformas digitais. Produzida por DJ Gustah, integrante da 2050 e colaborador de longa data do artista brasileiro, a música também ganhou um videoclipe. O encontro reúne dois nomes que construíram suas trajetórias sob forte influência da cultura jamaicana, mas seguiram caminhos particulares dentro do reggae contemporâneo.
A colaboração começou a tomar forma depois que Adonai e Alborosie dividiram uma turnê pelo Brasil em 2025. A convivência nos bastidores e nos palcos fortaleceu uma aproximação que agora chega ao público em formato de single. Mais do que registrar uma participação internacional na discografia do brasileiro, “Originais” aborda a importância de preservar referências, reconhecer a história do gênero e, ao mesmo tempo, desenvolver uma identidade própria sem transformar a tradição em simples repetição.
Um encontro após a turnê
A ideia central da faixa parte das experiências acumuladas pelos dois músicos em contextos diferentes. Adonai encontrou no reggae uma base para dialogar com rap, música urbana e elementos da realidade brasileira. Alborosie, por sua vez, saiu da Itália e estabeleceu sua carreira na Jamaica, onde passou a conviver diretamente com a cultura que inspirava sua produção artística desde os primeiros trabalhos.
Para Adonai, dividir uma gravação com um nome de alcance internacional também representa o reconhecimento de uma caminhada construída durante anos com o Cidade Verde Sounds e em seus lançamentos individuais. “‘Originais’ é a realização de um sonho. Gravar com alguém como o Alborosie simboliza que estamos fazendo as coisas do jeito certo”, resume o cantor sobre o significado pessoal da colaboração.
Apesar de chegar creditada apenas como Adonai, a música não indica uma separação do Cidade Verde Sounds. O cantor mantém seu trabalho com o grupo enquanto amplia uma discografia paralela, iniciada formalmente com o álbum “Quimera”, de 2019. O projeto contou com convidados como Sizzla, Negra Li, Luccas Carlos e Fábio Brazza, antecipando o interesse do músico por encontros entre diferentes cenas.
“Apesar da música sair como Adonai, o Cidade Verde continua firme e forte! Neste momento estou focando um pouco na minha carreira solo, mas a banda continua com sua missão”, explica o artista. A declaração posiciona “Originais” como parte de uma frente autoral complementar, capaz de abrir espaço para novas experiências sem interromper a trajetória coletiva que tornou seu trabalho conhecido no país.

A trajetória de Adonai
À frente do Cidade Verde Sounds, Adonai participou da consolidação de um dos projetos mais populares do reggae brasileiro recente. O grupo acumula mais de 60 milhões de reproduções no Spotify, além de outros 60 milhões de visualizações no YouTube e aproximadamente 240 mil inscritos em seu canal. Os números refletem uma conexão especialmente forte com ouvintes que transitam entre reggae e música urbana.
A projeção nacional começou a crescer com discos como “Reggae Presidente”, lançado em 2011, e “Missão de Paz”, apresentado em 2013. Nesses trabalhos, o Cidade Verde Sounds desenvolveu uma sonoridade baseada no reggae, mas aberta a diálogos com outros gêneros. Essa combinação ajudou a banda a circular por festivais, casas de shows e diferentes regiões brasileiras sem abandonar sua proposta original.
Outro momento importante ocorreu quando o grupo viajou à Jamaica para gravar “In Jamaica” no Tuff Gong Studios, espaço fundado por Bob Marley. A experiência colocou os músicos dentro de um ambiente diretamente relacionado à história do gênero que orientou sua formação. Em vez de funcionar apenas como referência simbólica, a Jamaica passou a integrar concretamente o percurso artístico e fonográfico da banda.
Em 2024, o Cidade Verde Sounds revisitou uma etapa central dessa caminhada com o audiovisual “10 Anos de Missão de Paz”. Produzido por Daniel Ganjaman, o registro reuniu 18 faixas e participações de Planta e Raiz, Rael, Marina Peralta, Fábio Brazza e MC Kako. O projeto recuperou músicas conhecidas e apresentou a continuidade de um repertório que permanece ativo junto ao público.
Alborosie e a produção
Alborosie é o nome artístico de Alberto D’Ascola, cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista nascido na Sicília. Radicado na Jamaica desde o início dos anos 2000, ele se tornou um dos representantes internacionais mais reconhecidos do reggae de sua geração. Sua presença na ilha contribuiu para uma obra conectada às tradições locais, ainda que marcada pela experiência de um artista europeu.
Faixas como “Kingston Town”, “Herbalist”, “Still Blazing” e “Rastafari Anthem” ampliaram sua circulação fora da Jamaica. Durante a carreira, Alborosie também trabalhou com Buju Banton, Chronixx, Beres Hammond, Kabaka Pyramid, Jo Mersa Marley e The Wailers. Em 2011, recebeu o prêmio de Melhor Artista de Reggae no MOBO Awards, uma das principais premiações britânicas voltadas à música negra.
A produção de DJ Gustah funciona como ligação entre os universos dos dois cantores. Parceiro histórico de Adonai e integrante da 2050, o produtor possui experiência em trabalhos que aproximam reggae, rap e outras vertentes urbanas. Em “Originais”, ele preserva elementos associados à tradição do gênero, enquanto organiza a faixa a partir de uma abordagem atual e acessível a diferentes públicos.
Com o lançamento, Adonai fortalece sua produção individual sem colocar em segundo plano o Cidade Verde Sounds. A parceria com Alborosie transforma a relação iniciada durante a turnê brasileira em um registro permanente e amplia o alcance dessa fase solo. “Originais” apresenta, assim, dois artistas ligados pela influência jamaicana e pela intenção de manter suas raízes presentes enquanto procuram novas possibilidades para o reggae.











