FESTIVAL INTERNACIONAL DE REGGAE REÚNE GERAÇÕES NO GUARÁ, NO DF

Evento organizado pela FYAH ocupou o Teatro de Arena do Guará durante dois dias, com nomes brasileiros e jamaicanos e Israel Vibration fechando a programação
Festival de Reggae reúne lendas jamaicanas no Guará

O Teatro de Arena do Guará se transformou em ponto de encontro para diferentes gerações do reggae no último fim de semana. Realizado nos dias 29 e 30 de agosto, o Festival Internacional de Reggae de Brasília reuniu artistas brasileiros e jamaicanos em uma programação organizada pela FYAH e marcada pelo diálogo entre vertentes distintas do gênero.

Durante os dois dias, o festival passou pelo reggae nacional, dub, experimentações e pela tradição jamaicana. Ganjerana e convidados, Cidade Verde, Ponto de Equilíbrio, Duane Stephenson, Experimental Dub, Reggae Town, Mato Seco e Israel Vibration formaram o elenco da edição. Entre tantos nomes, dois momentos ganharam atenção especial: a apresentação de Duane Stephenson na primeira noite e o encerramento de Israel Vibration no domingo.

Mais do que concentrar atrações conhecidas em um mesmo palco, o evento mostrou como o reggae continua circulando entre épocas, propostas e públicos diferentes. No Guará, essa diversidade apareceu tanto nas bandas brasileiras quanto nos convidados internacionais, construindo dois dias em que Brasília voltou a receber alguns dos nomes importantes ligados à música jamaicana.

Reggae abre o fim de semana

A programação de sábado (29) começou com Ganjerana e convidados, abrindo os trabalhos no Teatro de Arena e preparando o terreno para uma noite que avançaria gradualmente até chegar às atrações mais aguardadas. A presença de artistas locais e nacionais antes dos convidados internacionais também ajudou a colocar a produção brasileira dentro da mesma programação, sem tratar o reggae feito por aqui apenas como complemento.

Cidade Verde deu sequência à noite, trazendo uma abordagem que conversa com uma geração mais recente do reggae brasileiro. O grupo ajudou a ampliar o espectro musical do primeiro dia, que ainda teria pela frente um dos nomes mais conhecidos do gênero no país. A construção da programação permitiu justamente essa passagem entre diferentes momentos da cena, algo que se repetiria também no domingo.

Quando o Ponto de Equilíbrio assumiu o palco, o público encontrou um repertório ligado diretamente à consolidação do reggae brasileiro nas últimas décadas. Com uma trajetória iniciada no Rio de Janeiro e músicas que se tornaram referências para quem acompanha o gênero no país, a banda apareceu como um dos pontos fortes da programação nacional. O show reforçou uma característica que acompanha o grupo: a capacidade de manter uma identidade própria sem abandonar as bases do roots reggae.

O grande destaque internacional do sábado, entretanto, ficou por conta do jamaicano Duane Stephenson. Conhecido por sua passagem pelo To-Isis e pela carreira solo, o cantor trouxe ao Guará uma interpretação marcada pelo lado melódico do reggae jamaicano. Stephenson fechou a primeira noite dando ao festival uma conexão direta com a Jamaica contemporânea e mostrando uma vertente que preserva elementos clássicos do gênero sem depender exclusivamente da nostalgia.

Domingo entre dub e roots

Se o sábado caminhou em direção ao show de Duane Stephenson, o domingo (30) começou explorando outros caminhos. Experimental Dub, projeto de Renato Matos com Lirys Catharina, abriu a segunda jornada com uma proposta que já carregava no próprio nome a intenção de mexer com estruturas tradicionais. A apresentação colocou a experimentação dentro de um festival fortemente associado ao roots, ampliando a leitura sobre o reggae e suas possibilidades.

Na sequência, o Reggae Town manteve a programação em movimento antes da chegada do Mato Seco. Com mais de duas décadas de estrada, a banda paulista ocupa uma posição consolidada no reggae nacional e levou ao palco uma trajetória construída de maneira independente. O grupo também serviu como uma espécie de ponte entre a produção brasileira apresentada ao longo do fim de semana e aquilo que estava reservado para o encerramento.

A expectativa crescia porque a última atração era Israel Vibration, um dos nomes históricos do reggae jamaicano. Formado originalmente na década de 1970, o grupo atravessou diferentes fases e se tornou referência internacional do roots reggae. Sua presença em Brasília, portanto, não representava somente mais um show estrangeiro na programação, mas o encontro do público do Distrito Federal com uma banda diretamente ligada à história do gênero.

Essa dimensão histórica ficou evidente quando Israel Vibration chegou ao palco. Era o momento em que décadas de reggae jamaicano encontravam uma plateia reunida no Guará, encerrando um fim de semana que havia começado com artistas locais e passado por diferentes gerações brasileiras. O festival reservou justamente para seu último show a apresentação com maior peso histórico de toda a escalação.

Israel Vibration no Guará

Israel Vibration encerrou o Festival Internacional de Reggae de Brasília ocupando naturalmente o posto de principal atração do domingo. A banda faz parte de uma geração responsável por transformar o roots reggae em uma linguagem internacional e mantém uma ligação direta com um período fundamental da música jamaicana. Ver esse repertório apresentado no Teatro de Arena do Guará deu ao encerramento uma dimensão particular.

Um detalhe ainda aproximou a apresentação do lugar onde ela acontecia. O lendário baixista Errol “Flabba” Holt apareceu usando uma camisa do time do Guará. Figura histórica do reggae jamaicano e músico associado a incontáveis gravações do gênero, Flabba transformou uma escolha aparentemente simples em uma das imagens mais simbólicas do festival. Jamaica e Guará acabaram dividindo o mesmo palco também visualmente.

A cena sintetizou bem o espírito dos dois dias. O Festival Internacional de Reggae de Brasília trouxe artistas de trajetórias e origens distintas para um espaço tradicional do Distrito Federal, aproximando o reggae produzido no Brasil de músicos diretamente ligados à história jamaicana. Duane Stephenson havia cumprido esse papel na noite anterior; Israel Vibration levou a proposta ainda mais longe no encerramento.

Ao final do domingo, ficaram dois dias de reggae passando por Brasília sem se limitar a uma única geração ou vertente. Da experimentação de Renato Matos e Lirys Catharina ao repertório do Ponto de Equilíbrio, do reggae brasileiro do Mato Seco à voz de Duane Stephenson e à história carregada por Israel Vibration, a edição organizada pela FYAH mostrou que o gênero ainda encontra espaço para reunir tradição, renovação e identidade local — inclusive com camisa do Guará no palco.

Dia 29.08.2026

 

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