A banda Drenna vive um momento estratégico de sua trajetória ao confirmar presença na edição 2026 do João Rock, em Ribeirão Preto (SP), poucos dias antes de apresentar ao público seu próximo lançamento. O power trio carioca se apresenta em 1º de agosto, das 16h às 17h, no palco Eisen Rock Station, espaço dedicado ao rock independente dentro do festival. A performance acontece apenas 13 dias antes da chegada de “Levante”, novo single que será disponibilizado nas plataformas digitais em 14 de agosto e reúne participações de Yasmin Amaral (Eskröta), Dani Buarque (The Mönic), Ada Bellatrix (FLORET) e MC Taya.
Com ingressos esgotados e expectativa de receber mais de 65 mil pessoas no Parque Permanente de Exposições, o João Rock consolida mais uma edição como um dos maiores festivais do gênero no país. Em 2026, o evento contará com cinco palcos, incluindo o Eisen Rock Station, incorporado oficialmente à programação para ampliar a visibilidade de artistas da cena independente. A Drenna garantiu sua vaga por meio do projeto Olheiros do Rock, iniciativa que envolveu votação do público e avaliação de uma curadoria especializada.
A participação no festival também marca uma nova etapa da banda, que trabalha na divulgação do álbum “Interregno – O Mundo depois da certeza”, previsto para o fim de 2026. O show servirá como uma prévia da identidade sonora e temática do novo repertório, caracterizado por composições mais intensas, críticas e voltadas para questões sociais.
Levante reúne vozes
O próximo single da Drenna chega carregado de significado ao reunir cinco artistas em torno de uma mesma proposta. “Levante” aborda situações em que práticas de controle são apresentadas como gestos de proteção, trazendo como eixo da campanha a frase: “Disseram que era cuidado. Mas era controle”.
A construção da música aconteceu de forma coletiva desde seus primeiros passos. Yasmin Amaral, vocalista e guitarrista da Eskröta, foi a primeira convidada anunciada e participou diretamente do nascimento da composição, contribuindo para transformar uma ideia inicialmente individual em uma obra construída por diferentes perspectivas femininas.
Ao lado dela está Dani Buarque, conhecida pelo trabalho na The Mönic, banda que mistura punk e rock alternativo enquanto fortalece a presença feminina na cena independente brasileira. Também integra o projeto Ada Bellatrix, cantora e compositora da FLORET, cuja atuação artística dialoga com experimentação sonora, diversidade e liberdade criativa.
Fechando o grupo de convidadas aparece MC Taya, artista da Baixada Fluminense que transita entre rap, funk, trap e nu metal. Sua participação amplia ainda mais o alcance da faixa ao aproximar linguagens musicais distintas e diferentes contextos culturais.
A combinação dessas artistas faz de “Levante” um encontro entre estilos variados, unindo o crossover da Eskröta, o rock alternativo da The Mönic, a proposta experimental da FLORET e a fusão entre rock, funk e rap desenvolvida por MC Taya.
Ao apresentar oficialmente o projeto, Drenna resumiu a essência da música: “Levante é um grito coletivo. E um grito coletivo não poderia existir em uma voz só”.

Novo disco da banda
O lançamento de “Levante” integra o próximo álbum da banda, “Interregno – O Mundo depois da certeza”, previsto para chegar ao público até o final de 2026. O disco dá sequência à construção iniciada em “Desconectar” e aprofundada em “Cisne Negro”, mantendo como eixo reflexões sobre conflitos sociais, violência, comportamento, poder e as contradições da realidade contemporânea.
Esse novo ciclo começou ainda no fim de 2025 com os singles “Aliens” e “Só o Tempo Irá Dizer”. Em maio deste ano, a banda apresentou “Guerra”, composição inspirada por uma operação policial que terminou com a morte de uma criança em uma comunidade do Rio de Janeiro.
Embora escrita anos antes, a música permaneceu guardada até que um novo episódio de violência motivasse sua retomada. O grupo reformulou completamente os arranjos para ampliar o peso da composição e aproximar sua sonoridade da gravidade do tema abordado. A faixa passou a representar o lado mais direto e contestador do repertório que será apresentado em “Interregno”.
Em entrevista ao Musikorama, Drenna Rodrigues explicou a proposta do novo trabalho: “O disco novo virá mais posicionado. Sentimos falta de um rock que conteste, que diga o que muita gente não quer dizer”.
Além da crítica social explícita, o álbum também promete explorar ironia e deboche como ferramentas narrativas, alternando momentos de denúncia com composições que utilizam humor para abordar temas delicados.
Da favela aos palcos
A história da Drenna começou em 2009, quando Drenna Rodrigues decidiu participar de um festival de rua em Olaria, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Natural e criada no Complexo do Alemão, ela já acumulava músicas próprias após experiências em outras bandas e apresentações em bares da cidade.
Sem uma formação completa para o evento, convidou Milton Rock para dividir o palco em um formato reduzido de guitarra e bateria. A sintonia entre os dois levou ao nascimento oficial da banda e, poucos meses depois, ambos já estavam em estúdio registrando as primeiras composições.
Inicialmente dedicada apenas à guitarra, Drenna assumiu também os vocais durante o amadurecimento do projeto. Após diferentes formações, o grupo consolidou definitivamente o formato de power trio, hoje composto por Drenna Rodrigues (voz e guitarra), Bruno Moraes (baixo) e Milton Rock (bateria).
O primeiro álbum, “Desconectar”, lançado em 2016 pelo selo Toca Discos e produzido por Felipe Rodarte no estúdio Toca do Bandido, marcou a consolidação da banda como um nome ativo na estrada. Em 2023 veio “Cisne Negro”, trabalho inspirado no conceito desenvolvido pelo escritor Nassim Nicholas Taleb sobre acontecimentos raros e de grande impacto.
Ao longo da carreira, a Drenna acumulou conquistas em festivais como Planeta Rock e Fejacan, além de apresentações no Circuito Banco do Brasil, Porão do Rock, Rio2C e Rock in Rio. O trio também dividiu line-ups com artistas nacionais e internacionais como Pitty, Frejat, Detonautas, Kings of Leon, Paramore e MGMT.
Um dos momentos de maior projeção aconteceu em 2022, quando a banda se apresentou no Espaço Favela, no Rock in Rio. Na ocasião, incorporou elementos de um baile de favela ao repertório como forma de homenagear suas origens no Complexo do Alemão. Transmitido pela televisão, o show ampliou significativamente a visibilidade nacional do grupo e consolidou uma trajetória construída ao longo de mais de uma década na cena independente.

Serviço
Drenna no João Rock 2026
Data: 1º de agosto de 2026 (sábado)
Horário: 16h às 17h
Palco: Eisen Rock Station
Abertura dos portões: 12h30
Local: Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto
Endereço: Avenida Orestes Lopes de Camargo, 350 – Jardim Jóquei Clube – Ribeirão Preto (SP)
Classificação: 18 anos
Ingressos: Esgotados
Lançamento de “Levante”
Data: 14 de agosto de 2026
Participações: Yasmin Amaral, Dani Buarque, Ada Bellatrix e MC Taya
Disponibilidade: Principais plataformas digitais



