NICKO MCBRAIN APONTA O ÁLBUM QUE CONSIDERA O MAIS FRACO DO IRON MAIDEN

Baterista aposentado surpreendeu fãs ao colocar o disco de estreia da banda na última posição de seu ranking pessoal, citando principalmente a produção sonora como motivo.
Nicko McBrain aponta pior álbum do Iron Maiden

Mesmo após décadas de carreira, o catálogo do Iron Maiden continua alimentando debates entre fãs e integrantes da própria banda. Desta vez, quem voltou a comentar sobre a discografia foi Nicko McBrain. Durante um evento realizado em seu bar na Flórida, o baterista aposentado revelou qual considera o álbum menos marcante do grupo. Embora tenha feito elogios ao trabalho, ele afirmou que a produção do disco prejudicou o resultado final, colocando o clássico de estreia da Donzela de Ferro na última posição de sua lista pessoal de favoritos.

O ranking de Nicko

Nicko McBrain já comentou em diferentes ocasiões sobre os discos do Iron Maiden que mais aprecia. Entre seus preferidos estão Piece of Mind (1983) e A Matter of Life and Death (2006), frequentemente citado por ele como o ponto mais alto da carreira da banda.

Durante o evento An Evening with CapnHarris, realizado em junho no Rock ‘N Roll Ribs, restaurante e bar administrado pelo músico na Flórida, o baterista foi convidado a classificar os 17 álbuns de estúdio lançados pelo grupo. A lista chamou atenção por reservar a última colocação justamente ao álbum Iron Maiden, lançado em 1980 e responsável por apresentar oficialmente a banda ao mundo.

A escolha provocou surpresa entre os presentes, principalmente por se tratar de um dos discos mais importantes da história do heavy metal. Ainda assim, McBrain fez questão de esclarecer que sua avaliação não representa uma crítica ao conteúdo musical, mas sim ao acabamento do trabalho.

Conforme transcrição publicada pelo site IgorMiranda.com.br, o baterista explicou:

“Do álbum de estreia, você tem sempre a música ‘Iron Maiden’ encerrando o show antes do bis. Sempre a última. A produção não é das melhores. Mas ainda é um bom álbum.”

A declaração mostra que, para Nicko, o problema está menos nas composições e mais na forma como elas foram registradas em estúdio. O músico reconhece a importância histórica do disco e destaca que ele continua reunindo músicas fundamentais para a trajetória do grupo, mas acredita que o resultado sonoro ficou abaixo do potencial da banda.

Mesmo aposentado das turnês, McBrain segue participando de eventos e mantendo contato frequente com os fãs, o que faz com que opiniões como essa rapidamente repercutam entre admiradores do Iron Maiden.

Nicko McBrain voltou a comentar sobre a discografia do Iron Maiden e reacendeu o debate entre os fãs da banda. (Foto: John McMurtrie)

Steve Harris faz coro

A avaliação de Nicko McBrain não é exatamente inédita dentro do Iron Maiden. Steve Harris, fundador, baixista e principal compositor da banda, já demonstrou diversas vezes seu descontentamento com a produção do primeiro álbum.

Em entrevista concedida anteriormente à revista Classic Rock, Harris afirmou que as músicas possuíam força suficiente para representar a identidade do grupo, mas que a gravação não conseguiu reproduzir a intensidade apresentada nos shows.

Segundo ele:

“Está tudo lá: músicas poderosas, muita atitude e, como cantor, Paul Di’Anno tinha um carisma de verdade. Mas todo mundo sabe que eu não fiquei satisfeito com a produção. O álbum não tinha o fogo nem a agressividade que colocávamos na nossa maneira de tocar. Costumávamos brincar que o produtor ficava sentado com os pés sobre a mesa, fumando um charuto enorme e lendo a revista Country Life, porque não fazia absolutamente mais nada. No fim das contas, simplesmente passamos a ignorá-lo. Ainda assim, foi um bom álbum, só que não soava tão feroz quanto nós éramos ao vivo.”

O produtor do disco foi Wil Malone, cuja participação no projeto sempre gerou comentários entre os integrantes da banda. Ao longo dos anos, tanto Harris quanto outros músicos reforçaram que esperavam uma sonoridade mais agressiva e próxima da energia dos palcos.

Apesar das críticas, nenhum deles desmerece a importância histórica do álbum. Pelo contrário, ambos reconhecem que ele abriu as portas para a consolidação do Iron Maiden no cenário internacional e estabeleceu várias características que se tornariam marcas registradas do grupo.

As declarações também mostram que, mesmo entre os próprios integrantes, existe uma separação entre qualidade artística e satisfação com o processo de produção, algo comum em grandes bandas com longas carreiras.

Um clássico do metal

Lançado em 14 de abril de 1980, Iron Maiden marcou oficialmente o início da trajetória da banda nos estúdios. O álbum apresentou ao público músicas que rapidamente passaram a integrar o repertório dos shows, além de introduzir Paul Di’Anno como primeiro vocalista do grupo.

Mesmo cercado por críticas relacionadas à produção, o disco teve excelente desempenho comercial. No Reino Unido, alcançou a quarta posição nas paradas e posteriormente recebeu certificado de platina, consolidando o crescimento da banda em seu país de origem.

O sucesso também abriu caminho para uma extensa turnê europeia, na qual o Iron Maiden excursionou como banda de abertura do Kiss. A série de apresentações ajudou a ampliar a visibilidade do grupo em diversos mercados e acelerou sua projeção internacional.

Outra curiosidade envolve a edição lançada nos Estados Unidos. A versão norte-americana trouxe a faixa “Sanctuary”, que havia sido disponibilizada originalmente no Reino Unido apenas como single. Com o passar dos anos, essa música acabou incorporada às reedições internacionais do álbum.

Pouco tempo depois do encerramento da turnê de divulgação, outra mudança importante ocorreu na formação. O guitarrista Dennis Stratton deixou a banda e foi substituído por Adrian Smith. Segundo Steve Harris e o empresário Rod Smallwood, a decisão ocorreu em razão de incompatibilidades pessoais.

Mesmo ocupando a última posição no ranking elaborado por Nicko McBrain, o álbum de estreia continua sendo considerado um dos registros mais influentes do heavy metal. Além de revelar uma banda que mudaria a história do gênero, o disco permanece como peça fundamental para compreender a evolução artística do Iron Maiden ao longo das décadas.

Ranking de Nicko McBrain

Do favorito ao menos favorito:

  1. A Matter of Life and Death
  2. Piece of Mind
  3. Senjutsu
  4. Powerslave
  5. The Book of Souls
  6. Dance of Death
  7. Brave New World
  8. Somewhere in Time
  9. Fear of the Dark
  10. Seventh Son of a Seventh Son
  11. The Final Frontier
  12. The Number of the Beast
  13. Killers
  14. The X Factor
  15. No Prayer for the Dying
  16. Virtual XI
  17. Iron Maiden

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