8 ARTISTAS QUE SAÍRAM DO AUGE DA CARREIRA E ACABARAM NO CRIME

Da fama internacional às condenações judiciais, estes músicos viram carreiras consagradas serem profundamente abaladas por crimes que mudaram para sempre a forma como são lembrados.
8 artistas famosos que acabaram envolvidos com o crime

O sucesso costuma colocar artistas em um patamar quase inalcançável. Milhões de discos vendidos, turnês mundiais, prêmios e uma legião de fãs criam a impressão de que a carreira de um músico pode resistir a qualquer crise. A história da música, porém, mostra que nem sempre é assim. Em alguns casos, o talento dividiu espaço com investigações policiais, julgamentos e condenações que transformaram antigos ídolos em personagens de páginas policiais.

Embora escândalos pessoais façam parte do universo do entretenimento, esta lista não trata de simples polêmicas ou controvérsias. Todos os artistas reunidos aqui tiveram envolvimento com crimes reais, amplamente documentados, que resultaram em condenações ou declarações de culpa perante a Justiça. Em muitos casos, esses episódios encerraram carreiras promissoras; em outros, mudaram definitivamente a forma como suas obras passaram a ser vistas pelo público.

Conheça oito artistas que alcançaram o auge da fama antes de verem seus nomes associados muito mais aos tribunais do que aos palcos.


1. Gary Glitter

Durante a década de 1970, Gary Glitter foi um dos maiores símbolos do glam rock britânico. Com figurinos extravagantes, apresentações explosivas e sucessos como “Rock and Roll (Part 2)”, tornou-se uma das figuras mais populares do rock inglês e influenciou diversos artistas do gênero. Sua música atravessou décadas sendo utilizada em eventos esportivos, filmes e programas de televisão.

A partir do fim dos anos 1990, entretanto, sua carreira entrou em colapso. Em 1997, uma investigação encontrou milhares de imagens de abuso sexual infantil em seu computador. Nos anos seguintes, Glitter enfrentou novos processos envolvendo menores de idade, incluindo uma condenação no Vietnã em 2006 por atos obscenos contra crianças.

O golpe definitivo veio em 2015, quando foi condenado no Reino Unido por diversos crimes sexuais cometidos contra meninas menores de idade entre as décadas de 1970 e 1980. Desde então, seu catálogo passou a ser retirado de diversas programações e seu legado artístico ficou definitivamente marcado pelas condenações. Hoje, seu nome costuma aparecer mais em reportagens policiais do que em listas sobre a história do glam rock.


2. R. Kelly

Poucos artistas dominaram o R&B moderno como R. Kelly. Entre os anos 1990 e 2000, ele acumulou dezenas de sucessos, vendeu milhões de discos e escreveu músicas para grandes nomes da música internacional. Canções como “I Believe I Can Fly”, “Ignition (Remix)” e “Bump N’ Grind” fizeram dele um dos artistas mais influentes de sua geração.

Durante anos, denúncias envolvendo abuso sexual e exploração de menores circularam na imprensa, mas pouco afetaram sua carreira. Essa realidade começou a mudar apenas na segunda metade da década de 2010, quando investigações ganharam novo impulso e dezenas de mulheres passaram a relatar abusos sofridos ao longo de muitos anos.

Em 2021, Kelly foi condenado em Nova York por crimes ligados a organização criminosa (RICO) e tráfico sexual. Posteriormente, recebeu outras condenações relacionadas à produção de pornografia infantil e aliciamento de menores. O caso tornou-se um dos maiores escândalos da história da indústria fonográfica e levantou discussões sobre como figuras extremamente influentes conseguem permanecer protegidas por tanto tempo mesmo diante de sucessivas denúncias.


3. Phil Spector

Embora não fosse cantor, Phil Spector exerceu uma influência gigantesca sobre a música popular. Criador da técnica conhecida como Wall of Sound, revolucionou a produção musical nas décadas de 1960 e 1970 e trabalhou com artistas como The Ronettes, The Beatles, George Harrison, John Lennon e Ramones.

Seu reconhecimento era tão grande que muitos o consideravam um dos produtores mais importantes da história do rock. Esse prestígio, porém, começou a ruir em 2003, quando a atriz Lana Clarkson foi encontrada morta dentro da mansão do produtor, na Califórnia.

Após um primeiro julgamento sem consenso entre os jurados, Spector voltou ao tribunal e, em 2009, foi condenado por homicídio em segundo grau. A sentença encerrou definitivamente qualquer possibilidade de retorno à vida pública. Ele permaneceu preso até morrer, em 2021, aos 81 anos. Seu legado artístico continua sendo reconhecido por especialistas, mas dificilmente é discutido sem que sua condenação seja lembrada.


4. Bertrand Cantat

Durante os anos 1990, Bertrand Cantat tornou-se uma das vozes mais importantes do rock francês à frente da banda Noir Désir. O grupo vendeu milhões de discos, conquistou enorme prestígio na França e figurava entre os maiores representantes do rock francófono.

Em julho de 2003, porém, tudo mudou. Enquanto estava hospedado em um hotel na Lituânia com a atriz Marie Trintignant, os dois se envolveram em uma discussão que terminou em agressões físicas. Trintignant sofreu graves lesões cerebrais e morreu poucos dias depois em um hospital francês.

Cantat foi julgado pela Justiça lituana e condenado pelo homicídio da atriz. Depois de cumprir parte da pena, retornou à França e tentou retomar sua carreira musical, mas enfrentou forte rejeição pública. Shows foram cancelados, festivais desistiram de contratá-lo e protestos passaram a acompanhar praticamente todas as tentativas de retorno aos palcos. Seu caso permanece como um dos episódios mais impactantes da história recente da música francesa.


5. Ronald Isley

Ronald Isley já era considerado uma verdadeira lenda da música americana quando enfrentou problemas com a Justiça. Como vocalista dos The Isley Brothers, participou de uma carreira iniciada ainda nos anos 1950 e ajudou a construir clássicos da soul music, do funk e do R&B, influenciando gerações de artistas.

Ao contrário de outros nomes desta lista, seu envolvimento criminal não esteve relacionado a violência ou abuso sexual. Em 2005, o cantor foi condenado por evasão fiscal após omitir milhões de dólares em rendimentos das autoridades tributárias dos Estados Unidos.

A Justiça concluiu que Isley havia deixado de pagar impostos durante vários anos, resultando em uma condenação que o levou à prisão federal. Após cumprir cerca de três anos da pena, voltou aos palcos e retomou parte de sua carreira. Ainda assim, o episódio tornou-se um dos casos mais conhecidos de crimes financeiros envolvendo grandes nomes da música norte-americana.


6. Beanie Sigel

Nos anos 2000, Beanie Sigel era um dos principais representantes da Roc-A-Fella Records, gravadora fundada por Jay-Z, Damon Dash e Kareem Burke. Seus álbuns receberam boa repercussão comercial e o rapper tornou-se presença constante nas principais discussões sobre o hip hop da época.

O sucesso, entretanto, foi interrompido por uma série de problemas judiciais. Em 2004, Sigel foi condenado por porte ilegal de arma de fogo, iniciando um período marcado por diversas passagens pelo sistema prisional. Posteriormente, também enfrentou condenação por evasão fiscal.

As sucessivas prisões prejudicaram sua produtividade artística e reduziram significativamente sua presença na indústria musical. Embora continue sendo respeitado por parte do público do rap, sua carreira nunca recuperou a força que possuía no início dos anos 2000, quando era considerado um dos nomes mais promissores da cena americana.


7. Tim Lambesis

Tim Lambesis consolidou seu nome como vocalista do As I Lay Dying, uma das bandas mais importantes da explosão do metalcore nos anos 2000. O grupo acumulou discos bem recebidos pela crítica, indicações ao Grammy e turnês internacionais, tornando-se referência para toda uma geração de bandas pesadas.

Em 2013, sua carreira sofreu uma reviravolta inesperada. Lambesis foi preso após contratar um policial disfarçado, acreditando estar negociando com um matador de aluguel para assassinar sua esposa durante o processo de divórcio.

O músico acabou declarando-se culpado da acusação de solicitação de homicídio e foi condenado à prisão. Libertado alguns anos depois, pediu desculpas publicamente e voltou à música, mas o episódio continua sendo uma das histórias mais chocantes do metal contemporâneo. Independentemente do retorno aos palcos, seu nome passou a carregar para sempre a marca do caso criminal.


8. G. Dep

Tremaine Winfrey, conhecido artisticamente como G. Dep, ganhou projeção nacional nos Estados Unidos no início dos anos 2000 ao integrar o elenco da Bad Boy Records, gravadora comandada por Sean “Diddy” Combs. Seu álbum de estreia recebeu boa repercussão e o rapper parecia iniciar uma carreira promissora.

Em 2010, surpreendeu completamente a indústria musical ao entrar espontaneamente em uma delegacia de Nova York para confessar um homicídio cometido em 1993, muitos anos antes de alcançar a fama. Segundo seu relato, a culpa pelo crime o acompanhava havia quase duas décadas.

A investigação confirmou detalhes da confissão, e G. Dep acabou condenado por homicídio. O caso chamou atenção justamente porque não foi resultado de uma investigação policial em andamento, mas da decisão do próprio artista de assumir a responsabilidade por um crime antigo. Sua história continua sendo uma das mais incomuns já registradas no universo do hip hop.


Os casos reunidos nesta lista mostram que fama, dinheiro e reconhecimento dificilmente funcionam como escudo contra a Justiça. Em contextos completamente diferentes, esses artistas chegaram ao topo da indústria musical antes de verem suas carreiras profundamente abaladas por condenações criminais que alteraram sua imagem pública para sempre.

Também são histórias que ajudam a explicar por que o debate sobre a separação entre obra e artista permanece tão atual. Enquanto algumas pessoas conseguem consumir a produção musical independentemente da vida pessoal de seus autores, outras consideram impossível ignorar crimes graves ao revisitar esses trabalhos. Não existe uma resposta definitiva para essa discussão, mas uma coisa é certa: quando a trajetória artística passa a dividir espaço com páginas policiais, o legado deixa de ser lembrado apenas pela música.

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