A história da música brasileira passa pelas mãos de Victor Biglione. Com cinco décadas de carreira dedicadas à guitarra, ao violão, aos arranjos e à composição, o músico argentino radicado no Brasil será homenageado com a exposição “Victor Biglione – Seis Cordas para as Estrelas”, que estreia no dia 15 de maio, na Casa Tao Brasil, na Lapa, no Rio de Janeiro. O projeto, com curadoria do Centro Cultural Hélio Oiticica, mergulha na trajetória de um dos artistas mais atuantes da MPB e reúne cerca de 150 itens, entre pôsteres, objetos pessoais, vídeos históricos, fotografias e peças de memorabilia.
A exposição ficará aberta até o dia 17 de julho, com entrada gratuita, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar momentos marcantes da carreira de um músico que atravessou diferentes fases da cultura brasileira. Da chegada ao Brasil, em 1964, ainda criança e em condição de refugiado político vindo da Argentina, até os grandes palcos internacionais, Victor Biglione construiu uma trajetória ligada diretamente à evolução da música popular brasileira nas últimas décadas.
O reconhecimento de sua importância também aparece nos números. Segundo pesquisa do escritor e pesquisador Euclides Amaral, ligada ao Instituto Cultural Cravo Albin, Biglione participou de mais de 1.170 fonogramas e dividiu gravações e apresentações com mais de 300 artistas da MPB. A marca o coloca como o guitarrista com maior participação em registros e shows da história da música brasileira.
Uma carreira conectada aos grandes nomes da música
Ao longo de 50 anos, Victor Biglione esteve presente em diferentes movimentos da música nacional e internacional. A exposição evidencia justamente essa amplitude artística, reunindo registros de trabalhos com artistas brasileiros e estrangeiros que ajudaram a consolidar seu nome dentro e fora do país.
“Victor Biglione, segundo pesquisa de seu biógrafo Euclides Amaral, atuou em mais de 1.170 fonogramas e diversos concertos com mais de 300 nomes da MPB, tornando-se o guitarrista com a maior atuação em gravações e shows da história da música brasileira”, destaca Ricardo Cravo Albin, musicólogo e presidente do Instituto Cultural Cravo Albin.
Entre os parceiros internacionais aparecem nomes como Manhattan Transfer, Lee Konitz, Stanley Jordan, Andy Summers, Steve Hackett, John Patitucci e Bob Moses. Com o Manhattan Transfer, Biglione conquistou o Grammy Internacional de 1988. Já ao lado de Andy Summers, ex-guitarrista do The Police, gravou dois discos em parceria que aproximaram ainda mais sua obra do circuito internacional de jazz e fusion.
No Brasil, sua trajetória se mistura diretamente com artistas históricos da MPB. Victor trabalhou com Milton Nascimento, Cássia Eller, Wagner Tiso, Marcos Valle, Jane Duboc, Zé Renato e Roberto Carlos, além de integrar grupos emblemáticos como A Cor do Som e Som Imaginário. O músico também venceu um Grammy Latino ao lado de Milton Nascimento, em 2000, com o álbum “Crooner”, e voltou a figurar entre os indicados em 2016 com o trabalho “Mercosul”.
Além da produção musical, Biglione também desenvolveu forte atuação no cinema. São mais de 30 trilhas compostas para produções audiovisuais, acumulando premiações importantes ao longo da carreira. Entre elas, aparecem dois Kikitos e diversas indicações ligadas ao universo cinematográfico brasileiro.

Exposição reúne instrumentos, vídeos e objetos históricos
A mostra “Seis Cordas para as Estrelas” foi concebida como uma experiência imersiva para fãs de música e pesquisadores da cultura brasileira. Mais do que uma retrospectiva cronológica, o projeto tenta apresentar Victor Biglione como um elo entre diferentes gerações da música nacional.
Entre os materiais expostos estão guitarras, violões, fotografias raras, capas de discos, cartazes de apresentações internacionais e objetos utilizados em gravações históricas. Parte dos instrumentos exibidos foi usada em discos importantes da carreira do músico, incluindo registros ao lado de Cássia Eller, Andy Summers e Roberto Carlos.
Os visitantes também terão acesso a vídeos históricos, incluindo o famoso encontro entre Victor Biglione e Gal Costa. O chamado “duelo” entre guitarra e voz, registrado em apresentações marcantes, ganhou nova repercussão nos últimos anos após viralizar na internet. As imagens passaram a circular entre novas gerações de ouvintes, ampliando ainda mais o alcance daquele momento histórico da música brasileira.
Outro destaque da exposição é a presença de materiais ligados às turnês internacionais do guitarrista. Ao longo da carreira, Biglione participou de mais de 55 excursões por cerca de 25 países, passando por festivais de jazz, teatros e casas de espetáculo em diferentes continentes. A exposição utiliza parte desse material para reconstruir visualmente a dimensão internacional de sua trajetória.
A curadoria também aposta em uma aproximação afetiva com o público. Muitos dos itens expostos revelam bastidores da carreira do músico, mostrando desde anotações pessoais até fotografias de estúdio e registros de ensaios que ajudam a contextualizar a construção de sua obra ao longo das décadas.
Os 50 anos de estrada e o legado de Victor Biglione
A celebração dos 50 anos de carreira de Victor Biglione acontece em um momento de revalorização da memória musical brasileira. Em tempos de circulação acelerada de conteúdo digital, iniciativas como essa ajudam a preservar trajetórias fundamentais para a formação da MPB contemporânea.
Mais do que um virtuose da guitarra, Biglione se consolidou como um músico de conexão. Sua presença em centenas de discos e shows demonstra uma capacidade rara de transitar entre estilos, artistas e épocas diferentes sem perder identidade artística. Do jazz ao blues, da música instrumental ao rock brasileiro, sua assinatura musical atravessou gerações.
A exposição também reforça o reconhecimento tardio de músicos que muitas vezes permaneceram nos bastidores das grandes produções nacionais. Embora seja conhecido entre instrumentistas e pesquisadores, Victor Biglione construiu grande parte de sua trajetória longe do protagonismo midiático tradicional, concentrando-se principalmente na criação musical e na colaboração artística.
“É o momento de festejar! São 50 anos de uma luta maravilhosa. E esta exposição representa a etapa mais importante e emocionante da minha carreira”, revela o homenageado.
A expectativa é que a mostra atraia tanto fãs antigos quanto um público mais jovem interessado em conhecer artistas que ajudaram a construir a sonoridade da música brasileira nas últimas décadas. Em um cenário cultural marcado pela redescoberta de arquivos históricos e memórias musicais, a trajetória de Victor Biglione ganha novo espaço para ser revisitada, debatida e celebrada.
Serviço
Exposição comemorativa “Victor Biglione – Seis Cordas para as Estrelas”
Abertura: 15 de maio, às 19h
Temporada: até 17 de julho
Visitação: segunda a sábado, das 12h às 19h
Local: Casa Tao Brasil — Rua Joaquim Silva, 77, Lapa, Rio de Janeiro – RJ
Entrada gratuita



