Sharon Osbourne voltou ao centro de uma polêmica no Reino Unido após declarar apoio público a uma marcha organizada por Tommy Robinson, ativista britânico associado à extrema direita. A manifestação, marcada para 16 de maio na Trafalgar Square, em Londres, foi promovida como um ato contra a imigração e contra o que Robinson classificou como opressão de um governo tirânico. A resposta de Sharon nas redes sociais foi curta, mas suficiente para desencadear forte repercussão: “Te vejo na marcha”.
A manifestação de apoio gerou críticas imediatas e levou a instituição beneficente Centrepoint, que atua com jovens em situação de vulnerabilidade e sem moradia, a encerrar qualquer vínculo com a empresária e personalidade da TV. O caso também reacendeu a rivalidade pública entre Sharon e o trio irlandês Kneecap, que voltou a atacá-la nas redes. O episódio mostra como posicionamentos políticos de celebridades seguem produzindo efeitos rápidos e concretos, especialmente quando envolvem temas delicados como imigração, exclusão social e polarização ideológica.
O comentário de Sharon e a reação da Centrepoint
A nova controvérsia começou quando Tommy Robinson, nome público de Stephen Christopher Yaxley-Lennon, publicou nas redes um vídeo convocando apoiadores para a marcha “Unite the Kingdom”. Na gravação, ele apresentou o ato como um momento simbólico para o país e associou a mobilização à rejeição das políticas migratórias atuais. Segundo Robinson, 16 de maio seria o dia em que “a Grã-Bretanha se levanta e se reúne”. Em seguida, ele afirmou: “É a data em que o mundo ouve nosso rugido, e que já tivemos o suficiente da migração, da imigração em massa e da opressão de um governo tirânico”.
Nos comentários da publicação, Sharon Osbourne respondeu: “Te vejo na marcha”. A frase rapidamente passou a circular em diferentes veículos e redes sociais, gerando reação negativa de parte do público. Entre os críticos, a resposta mais concreta veio da Centrepoint, organização britânica bastante conhecida por seu trabalho com jovens em situação de rua. A entidade havia contado recentemente com o apoio de Sharon em uma campanha beneficente, mas decidiu interromper a relação após a manifestação pública da artista.
Em posicionamento divulgado à imprensa, a Centrepoint foi direta: “Esse tipo de evento não se alinha com os nossos valores”. A organização também reforçou sua linha institucional ao afirmar: “A Centrepoint tem um orgulho histórico de apoiar jovens, independentemente de sua origem, etnia ou religião. Se queremos que os jovens prosperem neste país, precisamos garantir que nossa sociedade continue permitindo que eles vivam sem medo e com acesso às oportunidades de que precisam para começar a estudar ou trabalhar e deixar a situação de rua para trás”.
Ao mesmo tempo, a entidade procurou diferenciar a parceria pontual de uma relação permanente. A instituição agradeceu a colaboração de Sharon em uma campanha da Omaze, que arrecadou recursos com o sorteio de uma mansão avaliada em 5 milhões de libras com vista para Lake Windermere, além de 250 mil libras em dinheiro. Depois, esclareceu: “Embora Sharon tenha nos apoiado nessa campanha, em que foi chamada de embaixadora como é padrão nos sorteios de prêmios da Omaze, ela não é uma embaixadora oficial contínua da Centrepoint e não temos planos de trabalhar juntos no futuro”.

O peso político do ato e a dimensão da repercussão
A reação ao comentário de Sharon também ganhou força porque o evento apoiado por ela já carrega um histórico de tensão. Segundo informações citadas na cobertura original, uma edição anterior do “Unite the Kingdom”, realizada em 2025, reuniu mais de 100 mil pessoas e contou com Robinson e Elon Musk entre os nomes associados ao evento. A mobilização terminou com 25 prisões e 26 policiais feridos, o que contribuiu para ampliar a gravidade da nova convocação e o incômodo causado pelo apoio de figuras públicas.
Nesse contexto, o gesto de Sharon não foi interpretado como um simples comentário isolado, mas como uma adesão simbólica a um espaço já marcado por discurso anti-imigração e confronto. Isso ajuda a entender por que a resposta da Centrepoint foi tão rápida. Para uma organização que trabalha diretamente com juventudes vulneráveis e defende inclusão social, qualquer associação com um ato desse perfil cria ruído institucional e afeta sua imagem pública.
O episódio também expõe como celebridades continuam sendo cobradas não apenas pelo que fazem em campanhas solidárias, mas também pelos ambientes políticos que escolhem endossar. Em um cenário de redes sociais, uma frase curta pode bastar para desmontar relações profissionais e causar danos reputacionais. Até o momento descrito no texto original, Sharon Osbourne não havia se pronunciado publicamente sobre a decisão da Centrepoint nem apresentado explicações adicionais sobre seu comentário.
A ausência de resposta mantém a controvérsia aberta e alimenta o debate sobre responsabilidade pública. No caso de Sharon, a situação ganha ainda mais atenção por envolver uma figura conhecida internacionalmente, ligada não só ao entretenimento, mas também a causas beneficentes e a campanhas de visibilidade ampla. O que antes poderia parecer apenas mais uma postagem passou a ser tratado como um posicionamento político de consequências práticas.
A resposta do Kneecap e o histórico recente de confronto
A crise também reacendeu uma animosidade que já vinha se desenhando entre Sharon Osbourne e o trio irlandês Kneecap. No dia 16 de abril, após a repercussão de seu apoio à marcha, o grupo republicou uma matéria sobre o caso com a legenda: “Foda-se @MrsSOsbourne”. A reação agressiva não surgiu do nada. Ela se conecta a um conflito anterior entre as duas partes, relacionado à apresentação do Kneecap no Coachella de 2025.
Na ocasião, o grupo usou seu show para protestar contra Israel e levantar mensagens pró-Palestina, alegando que o festival havia censurado parte desse conteúdo, além de um coro anti-Margaret Thatcher. Sharon criticou duramente tanto o festival quanto a banda. Em sua manifestação, escreveu: “O Coachella 2025 será lembrado como um festival que comprometeu sua integridade moral e espiritual”. Depois, ampliou o ataque: “A Goldenvoice, organizadora do festival, facilitou isso ao permitir que artistas usassem o palco do Coachella como plataforma para expressão política… Kneecap, um grupo irlandês de rap, levou sua apresentação a outro nível ao incorporar declarações políticas agressivas. Suas ações incluíram projeções de mensagens anti-Israel e discurso de ódio, e essa banda apoia abertamente organizações terroristas”.
A resposta do Kneecap veio logo depois, com Mo Chara dizendo: “O discurso dela tem tantos buracos que mal merece resposta, mas ela deveria ouvir ‘War Pigs’, que foi escrita pelo Black Sabbath (banda do marido dela)”. Em seguida, ele explicou a posição do grupo: “Acreditamos que temos a obrigação de usar nossa plataforma quando podemos para levantar a questão da Palestina, e era importante falar no Coachella porque os EUA são o principal financiador e fornecedor de armas para Israel enquanto cometem genocídio em Gaza”. Ele concluiu: “As pessoas podem decidir por si mesmas se nossa mensagem é anti-Israel, mas para nós ela diz respeito às ações doentias do governo deles, não às pessoas comuns. Nossa mensagem é sobre acabar com o genocídio e com a ocupação ilegal contínua da Palestina”.
Diante desse histórico, a nova provocação do Kneecap contra Sharon não surpreendeu. O caso atual, portanto, não envolve apenas uma marcha controversa e a reação de uma ONG, mas também a continuidade de um embate em que música, política, ativismo e imagem pública estão cada vez mais misturados.



