Depois de balançar as estruturas do underground com um retorno histórico no palco do Hangar 110 no mês passado, o grupo Não Religião já tem data e local exatos para reencontrar o seu público paulistano. A veterana banda de punk rock confirmou uma nova apresentação especial que acontece neste sábado, dia 11 de julho, na zona oeste da capital paulista. O quarteto é uma das principais atrações de um festival totalmente gratuito que ocupa o Centro Cultural Tendal da Lapa. O evento celebra oficialmente o Dia Mundial do Punk, trazendo um panorama pesado da música independente nacional para um espaço público de destaque na cidade de São Paulo.
O retorno recente com a escalação clássica movimentou os fãs de longa data e acendeu uma nova chama no cenário local. Fundada no coração dos anos oitenta, a banda paulistana carrega o peso de uma trajetória que ajudou a moldar a identidade do hardcore no país. Agora, o conjunto se prepara para o seu segundo show desde que anunciou o retorno oficial às atividades musicais. O festival na Lapa começa logo cedo, a partir das 14h, e promete arrastar diferentes gerações de camisas pretas para uma celebração que resgata a essência de contestação e energia crua das apresentações de rua.
Trajetória e retorno aos palcos
Com uma história iniciada no ano de 1985 na capital paulista, o Não Religião construiu sua reputação dividindo palcos e festivais com gigantes da cena hardcore e punk como Inocentes, Ratos de Porão, Cólera e Garotos Podres. Durante seu período de maior produtividade artística, que compreendeu os anos entre 1985 e 1994, o grupo marcou a discografia nacional com os lançamentos dos álbuns A Verdadeira História de Um Brasileiro, Pegaram Jesus Pra Cristo e Ninguém Me Escuta. A volta aos palcos traz novamente a formação clássica e mais icônica do projeto, contando com o carismático Tatola comandando os vocais principais, acompanhado por Norberto na bateria, Kley na guitarra e Walter na linha de frente do baixo elétrico.
Para Tatola, vocalista da banda, o reencontro da banda no tradicional palco do histórico Hangar 110 trouxe de volta uma conexão que estava preservada entre os músicos e o público. O frontman destacou o impacto emocional desse retorno coletivo após um longo período de hiato.
“Primeiro, é muito bom a gente se reunir com saúde, todo mundo junto, ver os moleques de novo. A formação original está reunida, e ter escolhido o Hangar para essa volta foi uma felicidade, porque o lugar tem exatamente a energia que a gente queria”, afirma Tatola.
Segundo o vocalista, a apresentação também mostrou que o repertório do Não Religião continua dialogando com diferentes gerações. O vocalista expressou o entusiasmo de ver que a barreira do tempo não enfraqueceu o impacto das faixas que marcaram o circuito independente brasileiro.
“A energia foi demais. O Norberto, o Kley, o Valtão, todo mundo tocando muito, lembrando das letras, ensaiando bastante. Tocar ao vivo é bom demais, é uma conexão muito forte. Teve música velha, música nova, molecada nova na plateia. Foi muito bom”, diz.
O entrosamento demonstrado no primeiro show da volta provou que a identidade sonora continua afiada e pronta para novos desafios em palcos maiores.

Relevância das letras atuais
A sonoridade construída pelo quarteto paulistano mescla elementos tradicionais do punk de garagem, riffs rápidos de hardcore e nuances do rock alternativo da virada da década. O grande diferencial que consolidou o nome da banda no cenário nacional sempre residiu em suas composições diretas. O repertório atualizado combina punk rock, hardcore e rock alternativo com letras de crítica social, política e religiosa, marca que atravessa a discografia da banda e segue presente neste retorno aos palcos. A atualidade dos discursos chama a atenção tanto dos veteranos quanto dos jovens ouvintes.
“O disco continua atual. As músicas e as reivindicações que o Não Religião sempre fez continuam atuais: a briga contra a religião, contra a política, contra essa postura nojenta do Estado. A gente continua com a mesma fé, mas a fé de correr atrás, de fazer acontecer e reivindicar aquilo que a gente acha possível mudar”, afirma Tatola.
Para o guitarrista Kley, a volta ao palco no Hangar 110 teve peso emocional direto. O instrumentista relembrou o mistério e a adrenalina que cercaram o momento exato em que as cortinas se abriram para o público em São Paulo.
“Foi uma noite inesquecível subir ao palco com meus amigos depois de tanto tempo. Quando abriu a cortina do Hangar, meu coração disparou. Ver a plateia de novo na minha frente e meus amigos no palco comigo parecia que o último show tinha sido ontem”, diz.
Kley também destaca a presença de novas bandas e de um público mais jovem na retomada do Não Religião. O guitarrista enfatizou que o cenário underground atual demonstra excelente renovação.
“A gente fez questão de juntar a nova geração, a molecada nova fazendo um som de primeiríssima qualidade. Ver o Não Religião voltando foi sem palavras. Só tenho a agradecer a todos os envolvidos”, completa.
Festival gratuito na Lapa
O concerto programado para o Centro Cultural Tendal da Lapa consolida o retorno do grupo dentro de uma celebração tradicional do underground paulistano. O evento comemorativo do Dia Mundial do Punk busca traçar uma linha do tempo realista da música independente de São Paulo, escalando bandas de múltiplos momentos da nossa história. Além do esperado show do Não Religião, o público que comparecer ao espaço cultural poderá assistir gratuitamente às apresentações das bandas Fogo Cruzado, Sub Existência, Cadillacs Punk Rock e Intervenção Punk. A organização confirmou que os portões abrem cedo e os ingressos não precisam ser retirados com antecedência nas bilheterias.
Com produção assinada pelo Depois do Fim do Mundo Estúdio e identidade visual assinada pela Passamal Artes Duvidosas, o festival oferece infraestrutura completa na Rua Guaicurus, número 1100, um ponto tradicional de fácil acesso para quem utiliza o transporte público da capital, situado bem próximo da Estação Lapa da CPTM, pertencente à Linha 8-Diamante. O evento possui classificação indicativa recomendada para maiores de 18 anos, sendo permitida a entrada de menores de idade apenas quando estiverem devidamente acompanhados por seus pais ou um responsável legal bem identificado na portaria do Centro Cultural Tendal da Lapa.

SERVIÇO
Dia Mundial do Punk no Tendal da Lapa
Com Não Religião, Fogo Cruzado, Sub Existência, Cadillacs Punk Rock e Intervenção Punk
Data: sábado, 11 de julho de 2026
Horário: a partir das 14h
Local: Centro Cultural Tendal da Lapa Endereço: Rua Guaicurus, 1100, Lapa, São Paulo/SP
Referência: próximo à Estação Lapa da CPTM, Linha 8-Diamante
Entrada: gratuita, sem necessidade de retirada antecipada de ingressos
Classificação: 18 anos (menores acompanhados do responsável legal)
Produção: Depois do Fim do Mundo Estúdio
Arte do cartaz: Passamal Artes Duvidosas



