A noite no Hangar 110 teve clima de encerramento e, ao mesmo tempo, de celebração para quem acompanha o peso mais sombrio do rock atual. A banda sueca Lucifer fechou em São Paulo o último show de sua turnê sul-americana, depois de uma rota que passou por cidades brasileiras como Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além de Bogotá, na Colômbia, Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina.
A apresentação na capital paulista aconteceu em uma casa historicamente ligada à cena alternativa e independente, o que combinou com a proposta da noite. Com uma sonoridade pesada, visceral e obscura, o Lucifer entregou um show direto, intenso e sem excesso de firula, equilibrando músicas antigas da carreira com faixas de Lucifer V, álbum lançado em 2024 pela Nuclear Blast Records. A abertura ficou por conta da Space Grease, que preparou o público com um rock sincero, setentista e carregado de atmosfera.
Space Grease acende a noite com rock visceral
Antes da atração principal, a Space Grease assumiu a responsabilidade de abrir a noite e cumpriu bem esse papel. A banda trouxe ao palco um rock direto, com pegada setentista, timbres encorpados e uma atmosfera obscura que dialogou com o clima geral do evento. Não foi uma abertura deslocada apenas para preencher horário: a apresentação funcionou como uma espécie de preparação natural para o universo sonoro que viria depois.
O grupo apostou em uma performance honesta, sem tentar soar maior do que a própria proposta. Essa sinceridade ajudou a criar conexão com a plateia, que respondeu de forma positiva enquanto a casa começava a entrar no ritmo da noite. Havia nos riffs e na postura da banda uma energia de rock clássico, mas sem cair em imitação nostálgica. A Space Grease mostrou personalidade ao trabalhar uma estética vintage com peso, presença e certa crueza.
Essa escolha de abertura também ajudou a construir uma narrativa coerente para o evento. O público que foi ao Hangar 110 para ver o Lucifer encontrou, antes disso, uma banda capaz de conversar com referências parecidas, mas por outro caminho. O resultado foi uma plateia mais aquecida, atenta e pronta para receber a atração principal com energia acumulada.

Última parada: Lucifer fecha turnê com força em São Paulo
A turnê sul-americana do Lucifer teve um percurso amplo e mostrou a força da banda no continente. No Brasil, o grupo passou por várias praças importantes, incluindo Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Fora do país, a rota também incluiu Bogotá, Santiago e Buenos Aires, ampliando a conexão da banda com públicos diferentes dentro da América do Sul.
Encerrar esse giro em São Paulo deu um peso especial à apresentação. A cidade segue sendo um dos principais pontos de circulação do rock e do metal na América Latina, e o Hangar 110, mesmo com sua estrutura mais próxima e direta, oferece justamente o tipo de ambiente em que esse tipo de show costuma ganhar intensidade. A proximidade entre banda e público favoreceu uma apresentação mais quente, com resposta imediata a cada música.
O Lucifer subiu ao palco com a segurança de uma banda que já havia passado por várias datas da turnê, mas sem demonstrar desgaste. Pelo contrário: o show teve cara de fechamento de ciclo. A performance carregou aquela sensação de última noite, em que cada música parece funcionar como parte de uma despedida temporária. O público percebeu isso e respondeu com entusiasmo, criando uma troca constante do início ao fim.
Peso máximo e final catártico com “Fallen Angel”
Musicalmente, o show no Hangar 110 foi marcado por densidade. O Lucifer apostou em uma apresentação pesada, visceral e obscura, sustentada por guitarras fortes, clima sombrio e uma presença de palco que reforçou a identidade da banda. O repertório transitou entre músicas antigas e composições mais recentes, contemplando diferentes momentos da trajetória do grupo sem perder unidade.
As faixas de Lucifer V tiveram espaço importante na apresentação. Lançado em 2024 pela Nuclear Blast Records, o álbum representa uma fase madura da banda, mantendo a base de hard rock pesado, doom e referências clássicas, mas com acabamento mais direto e uma atmosfera bastante definida. Ao vivo, esse material funcionou bem, especialmente por dialogar com a estética escura que marcou toda a noite.
O encerramento veio com “Fallen Angel”, faixa de Lucifer V escolhida para fechar não apenas o show em São Paulo, mas também a turnê sul-americana. A escolha teve força simbólica. Depois de uma sequência de apresentações pelo continente, terminar com uma música do disco mais recente ajudou a posicionar o Lucifer no presente, sem depender apenas de momentos anteriores da carreira.
A resposta do público confirmou a força da apresentação. Ao longo da noite, a plateia acompanhou com atenção, vibrou nos momentos mais pesados e manteve uma energia constante. Quando o show terminou, ficou no ar a sensação de que a passagem poderia ter durado mais. Foi uma despedida com gosto de “quero mais”, daquelas que reforçam a expectativa por um retorno futuro da banda ao Brasil. Para quem esteve presente, ficou a impressão de uma noite bem amarrada, intensa e fiel ao espírito do evento.



