JASON NEWSTED DESCARTA REMIX DE “…AND JUSTICE FOR ALL” DO METALLICA

Ex-baixista afirmou que o clássico de 1988 deve permanecer exatamente como foi lançado, apesar das críticas históricas sobre a mixagem
Jason Newsted descarta remix de álbum do Metallica

O eterno debate sobre o volume quase inexistente do baixo em “…And Justice For All”, clássico lançado pelo Metallica em 1988, voltou à tona mais uma vez. Desta vez, quem comentou o assunto foi o próprio Jason Newsted, que deixou claro não ter interesse em ver o álbum remixado futuramente.

Durante participação no programa Trunk Nation With Eddie Trunk, da SiriusXM, o músico afirmou que considera o disco uma fotografia definitiva daquele momento da banda e acredita que mexer no material décadas depois não faria sentido. A discussão surgiu por conta da possibilidade de uma edição comemorativa de 40 anos do álbum, prevista para 2028, algo que reacendeu especulações entre fãs sobre uma eventual correção na mixagem original.

Apesar de o tema ainda gerar debates intensos dentro da comunidade do metal, Newsted demonstrou tranquilidade ao falar sobre o assunto e reforçou que não perde mais tempo refletindo sobre a polêmica que acompanha o disco há mais de três décadas.

A polêmica do baixo em “…And Justice For All”

Desde seu lançamento, “…And Justice For All” ficou marcado não apenas pelas composições longas e técnicas, mas também pela ausência quase completa do baixo na mixagem final. O álbum foi o primeiro trabalho de estúdio do Metallica após a morte de Cliff Burton e marcou a estreia de Jason Newsted na banda.

Ao longo dos anos, fãs passaram a analisar detalhadamente as gravações e frequentemente apontaram que o instrumento praticamente desaparece em boa parte das músicas. O tema se tornou uma das maiores controvérsias da história do metal e alimentou teorias, críticas e até versões remixadas feitas por admiradores na internet.

Questionado sobre a possibilidade de o disco ganhar uma nova mixagem oficial, Newsted foi direto: “Não, cara. É o que é. Eu não acho que você deva voltar e mexer com coisas assim”.

A fala mostra que o músico prefere preservar o contexto histórico da obra, mesmo reconhecendo implicitamente as críticas que cercam o álbum desde os anos 1980. Para ele, o disco representa exatamente o que o Metallica era naquele momento específico da carreira.

Newsted também comentou que já não vê sentido em gastar energia discutindo algo tão distante temporalmente. “Já se passaram mais de 35 anos. Isso é mais da metade da minha vida”, declarou.

Mesmo décadas depois, “…And Justice For All” segue sendo um dos trabalhos mais influentes da história do thrash metal. Faixas como “One”, “Blackened” e “Harvester of Sorrow” continuam entre as mais celebradas da discografia da banda, independentemente das críticas relacionadas à produção sonora.

Jason Newsted segue tratando “…And Justice For All” como uma cicatriz histórica do Metallica — sem nostalgia e sem vontade de reescrever o passado. (Foto: Reprodução)

Lars Ulrich e a filosofia sonora do Metallica

Durante a entrevista, Jason revelou uma curiosidade que ajuda a entender melhor a estética sonora adotada pelo grupo desde os primeiros anos de existência. Segundo ele, a decisão de reduzir os graves não começou em “…And Justice For All”, mas fazia parte da identidade do Metallica muito antes disso.

O músico afirmou que até mesmo a demo “No Life ’Til Leather”, lançada em 1982, trazia observações feitas por Lars Ulrich relacionadas à diminuição do baixo na mixagem estéreo.

“Já havia uma anotação escrita pelo Lars dizendo ‘abaixe o baixo no estéreo’”, contou Newsted.

A declaração reforça uma percepção antiga de parte dos fãs: a de que James Hetfield e Lars Ulrich sempre priorizaram guitarras secas, bateria agressiva e uma sonoridade mais crua dentro do Metallica. Para Jason, isso sempre foi uma característica central da banda.

“Antes de existir White Stripes ou Black Keys, o Metallica já era uma dupla de garagem formada por James e Lars”, afirmou.

A comparação feita por Newsted chama atenção porque aproxima o Metallica de uma dinâmica criativa enxuta, baseada principalmente na química entre os dois fundadores do grupo. Segundo essa visão, o baixo acabava funcionando mais como reforço estrutural do que como elemento protagonista nas gravações.

Ainda assim, a ausência do instrumento em “…And Justice For All” segue sendo vista por muitos ouvintes como extrema até para os padrões da banda. O tema se tornou tão emblemático que acabou entrando para a cultura popular do rock e frequentemente aparece em listas sobre decisões controversas de produção musical.

O legado de um álbum cercado por debates

Mesmo envolto em polêmicas técnicas, “…And Justice For All” permanece como um divisor de águas na trajetória do Metallica. O disco ajudou a consolidar o grupo mundialmente e abriu caminho para o sucesso comercial gigantesco que viria com o chamado “Black Album”, lançado em 1991.

Além disso, o álbum apresentou um lado mais progressivo e complexo da banda, com estruturas longas, mudanças de andamento e letras mais políticas e sombrias. Muitos fãs consideram o trabalho um dos pontos mais altos da criatividade do Metallica.

A discussão sobre o baixo acabou se tornando parte inseparável da história do disco. Diversas versões alternativas produzidas por fãs surgiram nas últimas décadas tentando destacar as linhas de Jason Newsted, especialmente em plataformas digitais e fóruns especializados.

Mesmo assim, a fala do ex-baixista deixa claro que ele prefere enxergar o álbum como um registro definitivo daquela época, sem revisões modernas ou tentativas de “corrigir” artisticamente o passado.

Enquanto alguns ouvintes ainda sonham com uma edição remixada para 2028, Newsted parece confortável com a ideia de deixar “…And Justice For All” exatamente como entrou para a história: imperfeito para alguns, revolucionário para outros, mas inegavelmente marcante dentro do universo do heavy metal.

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