A banda sueca Graveyard confirmou oficialmente sua volta ao Brasil como parte de uma nova turnê pela América Latina. Com uma trajetória consolidada dentro do hard rock de estética vintage, o grupo prepara uma série de apresentações em cinco países, totalizando oito datas. O Brasil será um dos principais pontos da agenda, com quatro shows programados logo no início de maio. A realização da turnê é assinada pela Xaninho Discos, responsável por trazer a banda ao país em mais uma passagem aguardada pelos fãs.
As apresentações em território brasileiro acontecem em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, reforçando a relação consistente entre o Graveyard e o público local. Ao longo dos anos, a banda construiu uma base sólida de admiradores no Brasil, que acompanham cada lançamento e retorno ao país com grande expectativa. A nova turnê também serve como plataforma de divulgação do álbum 6, lançado em 2023, que marca uma fase distinta na discografia do grupo.
formação, trajetória e consolidação internacional
Formado em 2006 na cidade de Gotemburgo, o Graveyard surgiu em meio a uma cena que começava a revisitar elementos clássicos do rock setentista. Desde o início, o grupo apostou em uma sonoridade baseada na fusão entre hard rock, psicodelia, stoner e uma forte raiz no blues. Essa combinação ajudou a banda a se destacar rapidamente no cenário europeu, chamando atenção tanto do público quanto da crítica especializada.
Liderado pelo vocalista e guitarrista Joakim Nilsson, o grupo lançou seu álbum de estreia homônimo em 2007, trabalho que se tornaria uma referência dentro do estilo. Pouco tempo depois, a banda assinou com a Nuclear Blast Records, ampliando seu alcance internacional e abrindo caminho para turnês mais extensas.
O segundo disco, Hisingen Blues, foi um ponto de virada importante na carreira do Graveyard. O álbum recebeu críticas positivas e consolidou o grupo como um dos nomes mais relevantes do chamado revival do rock clássico. A partir daí, a banda passou a explorar novas nuances em sua sonoridade, mantendo a essência, mas expandindo sua identidade musical.
Trabalhos como Lights Out (2012), Innocence & Decadence (2015) e Peace (2018) mostram essa evolução de forma clara. Cada lançamento trouxe elementos distintos, seja no peso mais direto, na melancolia folk ou nos grooves mais orgânicos. Esse percurso ajudou a estabelecer o Graveyard como um dos projetos mais consistentes do heavy rock contemporâneo, sempre equilibrando tradição e renovação.

o álbum “6” e a nova fase da banda
A atual turnê latino-americana tem como principal objetivo apresentar ao público o álbum 6, lançado em 2023. O disco representa uma continuidade natural da trajetória da banda, mas também aponta para mudanças perceptíveis na abordagem musical. Trata-se do segundo trabalho com a formação atual, composta por Nilsson, Jonathan Ramm, Truls Mörck e Oskar Bergenheim.
Em termos sonoros, 6 se destaca por uma atmosfera mais introspectiva e cadenciada. As músicas apresentam uma construção mais lenta, com maior presença de elementos soul e uma abordagem emocional mais profunda. Ao mesmo tempo, o disco mantém características marcantes do Graveyard, como o uso expressivo de guitarras e a combinação entre peso e melodia.
A produção evidencia uma banda mais madura, explorando espaços e silêncios de maneira mais consciente. O resultado é um trabalho que, embora menos imediato do que alguns lançamentos anteriores, oferece uma experiência mais densa e detalhada. Essa mudança também se reflete na estética geral do álbum, que adota um tom ligeiramente mais sombrio.
Sobre o processo criativo, Joakim Nilsson comentou: “A principal coisa era que queríamos um álbum mais centrado nas guitarras. Peace talvez fosse mais guiado pelo baixo e pelo ritmo, mas agora temos mais guitarras, então dá para ouvir que somos dois! [risos]”. A declaração indica uma intenção clara de destacar a dinâmica entre as guitarras, reforçando um dos pilares da identidade da banda.
Durante os shows, além das faixas do novo álbum, o repertório deve incluir músicas de diferentes fases da carreira, criando um equilíbrio entre novidade e nostalgia para o público.
bike acompanha a turnê como banda convidada
Em seis das oito datas da turnê latino-americana, incluindo as apresentações no Brasil, a banda convidada será a Bike. O grupo brasileiro, formado em 2015 em São José dos Campos, vem se destacando por sua proposta experimental dentro do rock alternativo.
A sonoridade da Bike mistura psicodelia, krautrock, noise, percussão brasileira e elementos de rock progressivo, resultando em um trabalho com identidade própria. Ao longo de sua trajetória, a banda lançou discos que dialogam com diferentes vertentes musicais, sempre mantendo uma abordagem autoral.
A participação na turnê representa um momento importante para o grupo, que terá a oportunidade de se apresentar em diversas cidades e países ao lado de uma banda internacional consolidada. Essa experiência também amplia o alcance do trabalho da Bike, colocando seu som em contato com novos públicos.
O guitarrista e vocalista Diego Xavier comentou sobre a oportunidade: “É uma grande oportunidade, pois nunca nesses 10 anos de banda a gente rodou várias cidades abrindo pra uma banda gringa, e é muito massa ser o Graveyard, com o qual tocamos ano passado em São Paulo. Além, é claro, de ser a primeira vez que iremos desbravar o Chile e a Argentina. Estamos preparando um repertório focado nos últimos discos, mas em especial no Noise Meditations, lançado em setembro de 2025”.
No Brasil, os shows acontecem nas seguintes datas: 7 de maio em Porto Alegre (Espaço Marin), 8 de maio em Curitiba (Basement), 9 de maio em São Paulo (Hangar 110) e 10 de maio em Belo Horizonte (Mister Rock). A expectativa é de boa recepção do público, considerando o histórico da banda no país e o interesse gerado pelo novo álbum.




