A cidade de São Paulo recebe, no centro histórico, a exposição “O mundo entreaberto”, dedicada ao artista visual Antonio Kuschnir. A mostra reúne um conjunto de trabalhos inéditos e marca a primeira exposição individual do artista na capital paulista. Realizada na WG Galeria, a iniciativa reforça a proposta do espaço de ampliar a visibilidade de novos nomes da arte contemporânea brasileira.
Com curadoria assinada pela pesquisadora Priscyla Gomes, a exposição propõe uma leitura aprofundada do processo criativo de Kuschnir, evidenciando a pintura não apenas como resultado final, mas como um território de construção contínua. A mostra segue aberta ao público até o dia 22 de maio, com entrada gratuita.
curadoria investiga o processo artístico e referências históricas
O projeto curatorial de “O mundo entreaberto” parte de uma análise do fazer artístico como elemento central da obra. Segundo Priscyla Gomes, “Aquilo que se apresenta na obra de Kuschnir insinua muito sobre o processo. Um processo resiliente e dedicado no ateliê, de um leitor e observador atento, que também revela a convicção do artista de que é na fatura pictórica que reside um dos mais substanciais pensamentos”.
A curadoria estabelece um diálogo conceitual com o pintor francês Henri Matisse, especialmente a partir do texto Notas de um pintor (1908). Nesse ensaio, Matisse defende que o pensamento do artista está diretamente ligado à forma como a obra é construída. Essa referência é utilizada como base para compreender a produção recente de Kuschnir, que evita tratar o ateliê como tema direto, mas evidencia o espaço como lugar de experimentação e elaboração estética.
A seleção de obras enfatiza esse aspecto processual, revelando camadas de construção pictórica que vão além da narrativa visual imediata. O resultado é uma exposição que convida o público a observar não apenas o que está representado, mas como a pintura se desenvolve enquanto linguagem.

trajetória internacional consolida artista como destaque emergente
Nascido no Rio de Janeiro em 2001, Antonio Kuschnir iniciou sua trajetória artística ainda jovem e passou a atuar profissionalmente a partir de 2017. Em 2022, alcançou um marco significativo ao se tornar o artista mais jovem a realizar uma exposição individual no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC).
Nos últimos anos, o artista estabeleceu residência na Europa, ampliando sua atuação internacional. Atualmente, é representado por uma galeria em Gênova, na Itália, onde já realizou exposições individuais tanto na própria cidade quanto em Milão. Sua produção também foi exibida em cidades como Bonn e Colônia, na Alemanha, além de Palma de Mallorca, na Espanha.
No Brasil, Kuschnir já participou de exposições em diferentes estados, incluindo Rio de Janeiro, Paraíba e São Paulo. Sua obra vem sendo apontada por curadores e agentes do mercado como uma das revelações recentes da arte contemporânea nacional. Entre as coleções que abrigam seus trabalhos estão o Museu de Arte do Rio (MAR), a Presidência da República, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Centro Cultural da Diversidade, em São Paulo. O artista também integra a coleção de Paulo Vieira, presidente do Conselho Internacional da Tate, no Reino Unido.
universo pictórico explora tensão entre realidade e imaginação
A produção de Antonio Kuschnir é marcada pela criação de cenários que transitam entre o real e o imaginário. Suas pinturas apresentam figuras e elementos que parecem coexistir em um espaço fora de uma lógica tradicional de tempo e proporção, criando uma atmosfera que remete ao onírico.
De acordo com a curadora Priscyla Gomes, “O universo pictórico de Kuschnir é povoado por figuras que parecem habitar um tempo suspenso. Corpos que escapam à proporção dividem o espaço com objetos cotidianos, tecidos fluidos e elementos naturais que não obedecem a uma lógica de escala ou de pertencimento. O resultado é um espaço instável, onde o passado não é memória, mas matéria ativa, e o presente não é instante, mas campo de forças.”
A exposição também destaca o uso da cor como elemento central da experiência estética. As composições apresentam uma paleta intensa e variada, que contribui para a construção de atmosferas sensoriais. Sobre esse aspecto, Gomes afirma: “Em Kuschnir, a cor envolve, suspende, por vezes, perturba. Há momentos em que ela parece vir de um lugar anterior à nomeação, como se carregasse em si um saber obscuro da pintura. Talvez seja aí que sua relação com Matisse se torne mais sutil e mais profunda.”
A ambientação da exposição foi pensada para dialogar diretamente com essa proposta estética. A WG Galeria adaptou o espaço expositivo com elementos que remetem à fabulação, à mitologia e ao teatro medieval. As janelas foram cobertas por cortinas de veludo e as paredes receberam tons mais escuros, criando um contraste com as cores vibrantes das obras e reforçando a imersão do visitante.
Esse conjunto de escolhas expográficas contribui para ampliar a experiência do público, transformando a visita em um percurso sensorial que vai além da observação convencional das obras.
Serviço:
Entrada gratuita
Datas: 10 de abril a 22 de maio
Local: WG Galeria
Endereço: Rua Araújo, 154 / Mezanino – São Paulo
Horário de funcionamento:
Terça a sexta: 11h às 19h
Sábado: 11h às 17h
Informações: wggaleria.com