ALÉXIA LANÇA ÁLBUM GARRA E CONSOLIDA HEAVY POP NO BRASIL

Cantora apresenta disco de estreia com 14 faixas que exploram emoção, identidade e força em sonoridade híbrida
Aléxia lança Garra e consolida o heavy pop no Brasil

A cantora e compositora Aléxia disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Garra, seu primeiro trabalho completo de estúdio. Com 14 faixas, o projeto marca um passo importante na carreira da artista e sintetiza a estética que ela define como heavy pop, uma combinação entre o peso do rock e do metal com elementos melódicos do pop e do pop punk.

Além do lançamento digital, Aléxia prepara um show especial para apresentar o disco ao público. A performance acontece no domingo, 3 de maio, às 17h, no Manifesto Bar, em São Paulo. O evento contará com participações das bandas Debrix, Flor Et e Horney, além de Mi Vieira, vocalista do Glória. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Ingresso Master.

um álbum sobre feridas que viram força

Em Garra, Aléxia constrói um repertório que aborda temas como saúde mental, luto, medo, coragem, pertencimento e reconstrução pessoal. O conceito do álbum parte da ideia de uma marca deixada por uma garra — uma cicatriz que carrega dor, mas também simboliza resistência e transformação.

“Esse ‘monstro’ representa todas as pessoas e situações que já me fizeram mal, inclusive eu mesma. Eu já fui esse ‘monstro’ na minha própria história. Agora eu sigo com minhas cicatrizes e aceitando que tudo que me aconteceu me trouxe aqui”, afirma Aléxia.

O primeiro single, Seja Você, já antecipava o tom emocional do trabalho. A faixa ganhou um videoclipe gravado em Tatuí, cidade onde a artista vive, reforçando a conexão entre identidade e origem. A narrativa visual acompanha essa busca por autenticidade, mesmo diante de contextos adversos.

Apesar da mensagem de afirmação, a música também nasce de experiências difíceis. A artista aponta que o processo de pertencimento nem sempre é acolhedor, e que muitas vezes envolve enfrentamento e dor.

“O álbum todo traz situações como essas, que são comuns, e que, mesmo sendo momentos difíceis, nos fazem crescer de alguma forma”, diz.

Capa de “Garra” – Novo álbum de Aléxia. (Foto: André Cruz)

repertório intenso e emocionalmente exposto

Entre as faixas, Fevereiro se destaca por tratar diretamente do luto. Aléxia aponta esse como o tema mais desafiador de transformar em música, justamente por sua complexidade emocional.

“Acredito que o luto foi o tema mais difícil. A gente sabe que a dor nunca vai embora, a gente só transforma ela em outra coisa. Foi difícil passar esse sentimento para a música ‘Fevereiro’, que é a faixa que tem essa temática, mas escrever ela me trouxe um pouco de alívio de alguma forma”, afirma.

A exposição emocional também aparece em Letra e Música, faixa que aborda o amor sob uma perspectiva vulnerável. Ao lado de Fevereiro, a canção evidencia um dos pilares do disco: a disposição da artista em se colocar de forma honesta diante do público.

“Sempre tive dificuldade de expor meus sentimentos e fragilidades, sempre odiei me sentir vulnerável. Essas faixas falam, respectivamente, de luto e de amor, temas que me expõem completamente. Mas eu sou essa pessoa. Eu sinto as coisas demais, é minha força e minha fraqueza”, diz Aléxia.

A dualidade entre peso instrumental e melodias acessíveis percorre todo o álbum. Faixas como Monstro, Game Over, Cereja, Ansiedade, Saturno e I Don’t Wanna Die — esta última com participação de Mi Vieira — exemplificam essa proposta sonora.

A colaboração com o vocalista do Glória reforça a conexão da artista com a cena nacional ligada ao hardcore melódico e ao metal alternativo, ampliando o alcance do projeto dentro desse universo.

produção madura e identidade sonora definida

Garra também representa um avanço técnico na trajetória de Aléxia. O álbum foi produzido por Gustavo, com gravação, mixagem e masterização assinadas por Alê Gaiotto, em trabalho realizado na Gargolândia.

Segundo a artista, o resultado reflete uma fase mais madura, tanto na construção das músicas quanto na execução.

“Ele vem muito coeso e maduro. Identidade sonora, letras e visualmente, ele me representa demais. Sinto que também pude entregar o meu melhor vocalmente. Além, é claro, da minha banda. Nossa sintonia está cada dia mais afiada e a energia das gravações soa como ouvir a gente ao vivo. É uma porrada”, afirma.

O conceito de heavy pop ganha, nesse contexto, sua definição mais clara. O peso está presente nos arranjos, nas guitarras e nas temáticas densas, enquanto o apelo pop se manifesta na interpretação vocal e nos refrões marcantes.

“O heavy com certeza é o instrumental, e o pop vem com a minha voz e interpretação. O instrumental é muito pesado, com muitos elementos do metal e do rock, além das temáticas das letras. Mas a minha forma de cantar e os refrões chicletes melódicos trazem esse apelo que a música pop tem. Só de ler pop as pessoas já acham que é algo leve, mas é totalmente o oposto”, explica.

A trajetória da artista no interior paulista também influencia diretamente o projeto. Aléxia destaca que crescer longe dos grandes centros exigiu persistência e adaptação constante.

“Ser uma pessoa que nasceu, cresceu e ainda vive no interior me fez ter muito mais garra para lutar pelo meu sonho. Sempre morando a quilômetros de distância de tudo, sem tanto acesso às coisas, eu precisei acreditar muito, persistir e me mudar muitas vezes para ir alcançando aos poucos cada objetivo. Existem muitos interiores no nosso país e acho que isso nos conecta. Milhões de pessoas vivendo para sobreviver”, afirma.

Com cerca de quatro anos de carreira e mais de 400 shows realizados, Aléxia chega ao lançamento de Garra com uma trajetória consolidada nos palcos. Entre os destaques estão a vitória na seletiva Sudeste do Porão do Rock 2025, o primeiro lugar no 23º Festival de Rock de Indaiatuba e a participação como banda de abertura na turnê brasileira do The Calling.

Ela também já dividiu eventos com nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, reforçando sua presença em diferentes circuitos da música nacional e internacional.

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